Pular para o conteúdo principal

Como Entender a tragédia no Realengo



Dia 7 de Abril de 2011. Pela manhã ligo a TV como de costume e sento-me para tomar meu café. Deparo-me com uma cobertura acerca de algum acontecimento bizarro em um canal de noticiário. Quando leio no rodapé do vídeo vejo a triste informação: “Homem invade escola e atira em alunos”. Eu não podia acreditar no que estava lendo ali. Logo me transportei para os casos ocorridos no EUA e na Finlândia, foram os primeiros que me vieram à mente, depois me lembrei dos casos da China do Reino Unido. Vi mães desesperadas em busca de informações, em prantos elas gritavam: Por que Senhor? Por quê?! Nesse momento refleti sobre o conteúdo das indagações delas. Elas têm toda a razão e não entender ali de pronto o que estava acontecendo. Somos humanos e possuímos emoções, em circunstâncias assim ficamos muito abalados, isso é perfeitamente normal. Mas depois passei a pensar com mais calma no acontecido e pedi a Deus uma luz ao escrever esse texto.
Não é nada fácil digerir notícias como essas. Eu não sou pai, não sei o que é ter um filho gerado, mas tenho uma sobrinha a quem amo muito e posso ter uma ligeira idéia de como seria perdê-la (algo que nem gosto de imaginar). A dor que essas famílias estão sentindo deve ser dilacerante e uma das primeiras reações que, como seres humanos que somos, temos, é perguntar a Deus o porquê e a razão para isto estar acontecendo.
É muito complicado e difícil falar em soberania de Deus numa hora como esta. Talvez a última coisa em que poderíamos discorrer agora é sobre como Deus é soberano sobre as circunstâncias. Mas não podemos omitir verdades claríssimas das Escrituras, o que devemos fazer e tentar entendê-las até onde podemos, sem jamais manipulá-las, e aceitá-las ainda que doam e nos machuquem.
Quero ser bastante objetivo e claro, porque não quero me estender. Desejo que esse texto possa ajudar quem o ler a chegar a um entendimento saudável acerca do assunto, não sei se vou consolar, mas espero pelo menos aliviar um pouco e não deixar margens para que a dúvida lance dardos sobre o amor de Deus.
Responderei algumas perguntas que me fiz e imagino que muitos também se façam.
1.DEUS FOI O RESPONSÁVEL POR ESSA TRAGÉDIA?
Não! Absolutamente não. Deus, não obstante a Bíblia afirmar ser o criador de todas as coisas, ele não é o responsável pelos atos da maldade humana. Se quisermos culpar alguém, culpemos o ser humano. Foi o rapaz quem premeditou todo o crime, foi ele quem atirou e matou aqueles inocentes.
2.DEUS NÃO É SOBERANO SOBRE OS ATOS MALDOSOS DOS HOMENS?
Sim, mas não é Deus quem os executa. Deus os limita e dirige para cumprir os seus propósitos. Ser soberano não significa que Deus ordenou que aquele rapaz cometesse tais atrocidades, isso nasceu no coração daquele indivíduo.
3.SE DEUS NÃO FEZ AQUILO ENTÃO POR QUE ELE PERMITIU?
Esta é a questão mais complexa. A vontade “permissiva de Deus” comporta que o homem realize “suas próprias vontades” em algumas ocasiões. É evidente que ele detém o controle das mesmas, de onde elas não podem extrapolar os limites que ele mesmo, Deus, delimitou. Deus não cria o mau desejo dentro do homem, isto já está intrínseco a ele. O que nós não podemos perscrutar é quais foram os propósitos ou quais são os desígnios inerentes e íntimos ao próprio Deus que o levaram a permitir determinadas situações. Como já disse, ele “limita” e “dirige” as más ações dos homens para cumprir os seus propósitos.
Em Provérbios 16.9, lemos:
“O coração do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os passos.”
Podemos ver que o controle de Deus muitas vezes não está na determinação dos eventos, mas sim na direção que ele os dá.
4.PODE EXISTIR ALGUM BOM PROPÓSITO DA PARTE DE DEUS POR TRÁS DESSA TRAGÉDIA?
Por mais difícil que possa nos parecer, sim, ou do contrário poderíamos imaginar que Deus permitiu tudo aquilo por mero capricho, ou ainda por ter prazer em ver o sofrimento de pessoas. Há alguns que  dizem que Deus não tem o total controle dos acontecimentos, e que certos eventos até o surpreendem. Eu não creio nessa possibilidade, antes creio na soberania total de Deus quando diz:
“Tudo o que o Senhor deseja ele o faz, no céu e na terra, nos mares e em todos os abismos” (Salmo 135.6).
Por isso creio que tudo o que Deus FAZ ou PERMITE visa um propósito específico que só é conhecido dele mesmo. Não foi à toa que o profeta escreveu:
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55.8,9).
Para nós pode ser muito difícil aceitar que algo de bom possa vir depois de situações como a que temos visto. Mas na verdade a nossa mente está muito aquém para compreender em profundidade a mente de Deus. Somente ele sabe como todo esse processo irá influenciar a vida das pessoas diretamente envolvidas, se irá desencadear outros processos no decorrer dos anos, que mudanças tudo isso vai promover na mente e no coração das famílias, enfim só Deus tem a visão correta de todos esses fatos. Nós só podemos levantar as mãos e dizer: Que se faça a tua vontade! Pensemos nas vidas que estiveram sujeitas a mesma situação e que foram poupadas, isso aconteceu porque algum propósito havia, não era para acontecer com elas. Lembro-me que vi uma das alunas dizer a um repórter que assim que se viu livre da mira do assassino, a vontade que ela teve foi de gritar em alta voz: Eu te amo Deus porque você me salvou! O Senhor tem um desígnio em tudo isso, e talvez só venhamos perceber com o passar do tempo.
O que devemos fazer e pedir a consolação de Deus para as famílias, para que elas possam superar da melhor forma possível esse evento. Buscando forças em Deus porque ele é o nosso escudo e esconderijo nos momentos de aflição.
Em meu nome, em nome do meu ministério ficam aqui as minhas condolências e pesar por tamanha atrocidade. E que Deus nos ajude!

Pr. Samuel Balbino
Congregação Evangélica em Amor e Graça

Comentários