5 de junho de 2012

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Isaías 54.10
Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o SENHOR, que se compadece de ti.

Jeremias 32.40
Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim.

Mateus 18.14
Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos.

João 3.16
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

João 3.36
Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.

João 5.24
Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

João 6.35
Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.

João 6.37
Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

João 6.39
E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. 

João 6.47
Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.

João 10.27-29
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.

Romanos 5.8-10
Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.  Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida;

Romanos 8.1
Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.

Romanos 8.29
Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

Romanos 8.34-39
Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?  Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.
Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

1 Coríntios 1.8-9
O qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

2 Coríntios 4.14
Sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.

2 Coríntios 5.5
Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito.

Efésios 1.5
Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade.

Efésios 1.13-14
Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

Efésios 4.30
E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

1 Tessalonicenses 5.23-24
O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.  Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.

2 Timóteo 4.18
O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!

Hebreus 9.12
Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.

Hebreus 9.15
Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.

Hebreus 10.14
Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.

1 Pedro 1.5
Que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.

1 João 2.19
Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.

1 João 2.25
E esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna.

1 João 5.11-13
E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus.

Judas 24-25
Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!


Douglas Wilson

4 de junho de 2012

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Muitas vezes reclamamos com Deus por não nos dar certas coisas que lhe pedimos. Outras vezes nada pedimos, porém Deus prontamente nos dá, e quando recebemos notamos que era justamente daquilo que precisávamos, isto é, ele mesmo anteviu nossa necessidade e nos providenciou. O problema é que não raramente somos tão ingratos e egoístas que não damos valor as boas coisas que recebemos das mãos do Eterno.

Há tantas coisas que ao nosso redor pelas quais devemos ser gratos, coisas simples do dia-a-dia, por exemplo, cuja ausência por si só já seriam o suficiente para tornar a vida muito mais difícil. Pense como seria se uma bela manhã quando você acordasse descobrisse que havia perdido o sentido da visão. Certamente qualquer um de nós seria tomado por uma profunda tristeza. Não poder mais ver o brilho do sol, a natureza, as pessoas que amamos... Imagine que de repente você perde a audição e se torna incapaz de ouvir aquela música que tanto gosta, ou a voz de algum ente querido, seu cônjugue ou filhos. Será que dá para perceber o quanto estas duas coisas aparentemente normais e comuns fazem muita diferença? Mas será que nos lembramos de agradecer a Deus todos os dias por podermos ver e ouvir? Pelo simples fato de respirar? Por poder ficar de pé? São coisas muitos simples, e que talvez alguns até considerem insignificantes ou que não vale a pena extrair uma lição delas. Tremendo equívoco este! Tudo que existe é válido para aprendermos alguma coisa. Nada está aqui por acaso, mas Deus, em sua infinita sabedoria, fez todas as coisas para nelas revelar seus propósitos.

Quando eu falei dos sentidos da visão e audição eu quis citar dois exemplos de coisas das quais todos nós possuímos e que nos fariam muita falta em caso da perda de alguns. Porém a Cristo nos cita outros presentes que recebemos de Deus e dos quais por vezes nem nos lembramos. Certa vez Jesus ensinou que:

"Ele [O Pai] faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos" (Mateus 5.45). 

Ora isso significa que independente do caráter de alguns, Deus presenteia a todos igualmente com a mesma dádiva. Mesmo sobre aqueles que nem ao menos acreditam que ele exista. Contudo, o Eterno não restringe essas coisas que são vitais à sobrevivência humana em vingança àqueles que não temem o seu nome. Ele realmente não espera nenhuma gratidão da parte destes. Mas e nós? Nós que cremos e o servimos? Não deveríamos todos os dias louvá-lo por todos esses presentes que graciosamente dele recebemos? Quando digo graciosamente quero dizer que não merecemos nenhum deles. Se existe algum ser humano que se julga digno do sol e da chuva sobre sua cabeça, realmente nada entende tal pessoa. Não somos merecedores de coisa alguma. Aliás, somos sim, somos todos dignos da ira e da indignação de Deus. Porém ele escolheu nos tratar com misericórdia. E como retribuimos isso? Dedicando cada minuto de nosso tempo unicamente aos nossos afazeres! Até mesmo nosso tempo livre já tem roteiro. E Deus onde fica? Muitos de nós está precisando ouvir aquela frase EIS QUE ESTOU A PORTA E BATO! Isso significa que não estamos ceando com o Senhor, não estamos vivendo em comunhão absoluta com ele. Se abrirmos a porta, então ele entrará e ceiará conosco. 

Toda vez que nós colocamos qualquer coisa na frente de nossas responsabilidades com o Divino não estamos valorizando a graça com a qual ele nos tem presenteado! Fico triste ao ver pessoas desprezando o ato de congregar, de ler a Bíblia, de orar, de buscar estar em comunhão com Deus. Quantas coisas ele nos tem dado e por nossa negligência acabamos perdendo e depois queremos chorar o leite derramado...  Que a nossa oração hoje possa ser: Senhor, ajuda-me a abrir a porta, a valorizar o que tenho recebido de Ti. Me ensine a ser grato e louvar o teu nome por todas as tuas bênçãos e assim estarei reconhecendo o quanto és Senhor sobre minha vida! Amém!



Ir. Samuel


31 de maio de 2012

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“Ora, a mensagem que da parte dele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Que Deus é luz; e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas. Mentimos e não praticamos a verdade”. (1ª João 1.5,6).

- Que sirva para nos analisarmos a nós mesmos;
- Que possamos verificar em nossa vida aquilo que não está de acordo com a vontade de Deus.


1. A Bíblia apresenta Deus como santo e puro, e nele não pode haver pecado algum.
1.1. A santidade de Deus é absoluta (Êxodo 28.36 / Isaías 43.15);
1.2. Deus não peca e nem é tentado a pecar (Tiago 1.13);


2. Deus nos tem chamado a ser como ele.
2.1. Para sermos santos como ele é (Levíticos 20.7).
       2.1.1. Não podemos alcançar essa santidade por nós mesmos (Jeremias 13.23);
       Agostinho dizia que “Deus nos pede o que não podemos fazer para que saibamos o que dele devemos suplicar”.


2.1.2. A nossa vontade está corrompida pelo pecado (Romanos 7.15-17);
2.1.3. Somente Jesus pode nos libertar da Escravidão (João 8.36);
2.1.4. Ele opera uma santificação em nosso espírito (Hebreus 10.14);
2.1.5. Resta uma santificação que exige um pouco de nós (Apocalipse 3.20);
Cear com alguém era um símbolo de profunda comunhão, Deus aplica essa mesma figura a nós.


3. De como estará nossa comunhão com Deus.
3.1. Ou andamos com ele, ou andamos nas trevas (Tiago 3.11-13);
3.2. O nosso testemunho reflete nossa comunhão (1ª Pedro 4.15 / Mateus 5.14-16);
3.3. Que tipo de obras estamos praticando? (Efésios 5.9-11);
3.4. Deus nos tirou de uma vida de pecado (1ª Coríntios 6.9-11);
3.4. Para sermos o seu bom perfume (2ª Coríntio 2.15,16);
3.5. Devemos ser o sal que dá sabor (Mateus 5.13).


Ir. Samuel

27 de fevereiro de 2012

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É com pesar que recebi a notícia do falecimento de Dom Robinson Cavalcanti, arcebispo da Diocese de Recife-Olinda. De maneira trágica ele e sua digníssima esposa foram assassinados. Que o Espírito Santo possa consolar os familiares e ter misericórdia do autor de tal brutalidade: O filho adotivo do casal. Fica evidente que estamos a mercê de coisas assim, todavia Deus em tudo tem desígnios que às vezes não podemos compreender no momento, mas um dia nos será esclarecido. A ele toda glória!


☆ 21 de junho de 1944
✞  26 de fevereiro de 2012



21 de fevereiro de 2012

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Todos os anos centenas de denominações organizam retiros espirituais durante o período carnavalesco. Entretanto, nunca ficou absolutamente claro para mim o real propósito disso. O que esperam esses pastores quando promovem esses retiros?

Até onde sei geralmente se aluga um casa de praia ou uma chácara onde os crentes (na sua maioria jovens e adolescentes) se retiram para uns quatros dias de isolamento das coisas mundanas e se dedicam a comunhão com Deus. Mas espere um momento! Por que é necessário ir a uma casa de praia ou a uma chácara para se poder dedicar a comunhão ou introspecção? Não! Certamente não são esses os reais motivos que levam os crentes de hoje a ser tão favoráveis a esses tais retiros. Na verdade é tudo uma mera oportunidade que eles têm para se usufruir de momentos de lazer e diversão. Na minha opinião não deveriam chamar de retiro espiritual, pois com isso se conclui que todas as atividades no referido evento seriam de cunho espiritual e reflexivo, composto por estudos bíblicos, orações ou seminários, homilías e etc. Não é essa a realidade que encontramos. Antes, os jovens têm uma porta aberta à licenciosidade e não poucas vezes muitos casos de fornicação ou adultério surgem depois de tais retiros. O que significa que se a santidade de determinada congregação já estava deteriorada por problemas mal administrados pelo pastor, eles se acentuam ou pioram com esses eventos. Ao invés de proporcionar ainda mais combustível para a libertinagem em nossos ajuntamentos, deveriamos dificultá-la através do estudo e meditação da palavra, do aconselhamento pastoral, da comunhão nos lares para o fortalecimento da sã doutrina e do alimento edificante nos sermões - fundamental para que a Igreja possa estar nutrida contra as investidas da carne.

É evidente que o evangelicalismo moderno não habituou os crentes a se reuniram por vários dias com o único propósito de estudar as Escrituaras. Isso pode lhes parecer um tanto quanto enfadonho, e diriam alguns líderes: Os jovens não iriam participar se não tiver piscina, quadra ou salão de jogos! Eu pergunto: A Igreja é para entreter ou ensinar? Exortar? Disciplinar? Não é atoa que hoje observamos cada dia mais o povo de Deus se entregando a libertiagem e ao mundanismo e ainda por cima acreditando em todo vento de doutrina. Enquanto não houver ortodoxia iremos de mal a pior, pois a única coisa que protege a Igreja das investidas das trevas e da destruição é o conhecimento,  se hoje nem nos cultos as pessoas adquirem conhecimento, pois saturam a liturgia de elementos supérfluos e vázios e dedicam dez minutos para a exposição do Evangelho, que dirá quando um bando de jovens crentes de sungas e biquinis passam três ou quatros dias ao redor de uma piscina fazendo churrasco e ouvindo música.



Ir. Samuel.

20 de fevereiro de 2012




A partir de hoje inicio um nova série de postagens com o propósito de responder a alguns questionamentos que foram propostos a mim por  irmãos arminianos. Já faz algum tempo que venho colecionando notas e argumentos que me são sugeridos aos quais tenho me esforçado para responder de acordo com a sã doutrina. Começarei respondendo a um texto que recebi por email do irmão Carlos do Blog da Vida Eterna. Nós haviamos tecido breves comentário no facebook sobre os cinco pontos do arminianismo, mas como o espaço nessa rede social é por demais limitado, pareceu melhor a esse irmão responder a minha réplica via e-mail. Nessa empreitada ele contou com a ajuda de outro irmão arminiano, o  Lailson Castanha, do Blog Ideário Arminiano. Espero responder satisfatoriamente e no menor tempo possível, pois nessa empreitada o tempo não está a meu favor, devido as intensas atividades na Congregação e na vida secular. Mas me esforçarei para estar postando todos os dias. Como as respostas podem ser grandes não colocarei tudo de uma vez só, porém a medida em que for escrevendo irei postando. Que Deus conceda a todos o discernimento de sua santa Palavra.

A Resposta aos irmãos Carlos e Lailson consistem na réplica deles a cinco perguntas deixandas por mim no facebook. Colocarei as minhas perguntas, as réplicas dos irmãos Carlos e Lailson e finalizando com as minhas tréplicas.

1ª Pergunta: Por que Deus envia a sua Graça sabendo que ela não surtirá efeito nenhum sobre algumas pessoas?

Resposta Arminiana: 

Vamos tentar resolver de maneira racional, mas, levando em consideração a visão holística das Escrituras.  Sabemos que toda ação de Deus é perfeita, e por perfeição, não entendemos da mesma forma pragmática e extremamente praticista como entende o homem contemporâneo. As ações de Deus, em muitos casos dispensam o praticismo ocidental. Isso explica o porquê, algumas ações de Deus, ao nosso entendimento, parece fugir da objetividade. 

A indagação: “Por que Deus envia a sua Graça sabendo que ela não surtirá efeito nenhum sobre algumas pessoas?” tendo com propósito questionar a falta de coerência à extensão universal da graça de Deus, tem como pressuposto que toda ação de Deus deve ser prática, e sua aplicação deve surtir efeitos facilmente visíveis ao entendimento humano.

1.Existem possíveis explicações racionais, sobre a oferta universal da graça de Deus e explícitas citações bíblicas.

1.1Deus não faz acepção de pessoas. (At. 10.34; Rm 2.11). 

Se todos caíram, não havendo acepção, a oferta a redenção deve ser para todos. Ausente a oferta universal, logo, ausenta-se a imparcialidade e com isso, percebe-se a acepção. Como Deus nega a acepção, não faze sentido negar uma dádiva a todos os homens que igualmente caíram no pecado de Adão.

O texto bíblico é claro: 

“Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.” (Romanos 11:32).

 
É verdade que toda ação de Deus tem um objetivo, porém, nem sempre ele é claro a nossa percepção. 

Realmente a minha intenção é questionar uma graça universal, isto é, que é derramada sobre todas as pessoas que habitam a terra visando a salvação delas, porém não é eficaz para conduzir algumas a este propósito. Há uma incoerência gritante aqui. Porém, não uso desse pressuposto o qual você mencionou – Isto é uma conclusão sua. Concordamos que tudo o que Deus determina tem um propósito, e que esse propósito por vezes é de conhecimento unicamente dele mesmo. Contudo, resta-nos discernir onde esse princípio é visívelmente encontrado. Você bem disse que as ações de Deus em muitos casos dispensam o praticismo, o que significa que há outras onde podemos vê-lo claramente em atuação. A nossa divergência é que eu creio que a concessão da graça salvífica é uma delas. Você, ao contrário, crê que no assunto em exposição estamos como que impedidos de entender a que propósito Deus envia sua graça salvífica sobre toda a humanidade (teoricamente porque deseja salvar a todos sem exceção), no entanto ela é eficaz apenas sobre alguns. Eu, porém entendo que é claríssimo nas Escrituras o objetivo de Deus em salvar exclusivamente esses “alguns”, razão pela qual sua graça e 100% eficaz unicamente sobre eles.
Há algo que temos que considerar. O fato de todos os seres humanos estarem em terrível rebelião contra Deus não significa que ele seja “obrigado” a conceder sua dádiva a todos igualmente, antes eles a concede a quem ele quer. Eu poderia até usar aqui a questão que você mesmo citou do praticismo para argumentar que seria muito mais objetivo ele realmente derramar sua graça salvífica sobre todos os seres humanos, seria o mais “politicamente correto” não é? Mas Deus nem sempre usa o que nós consideramos como “justo” ou politicamente correto, simplesmente porque ele tem todo o direito de assim fazer. Se ele se propôs a salvar alguns e deixar os outros como estão, não cabe a nós questionar o motivo pelo qual ele assim age, pois como você disse “toda ação de Deus tem um objetivo, porém, nem sempre ele é claro a nossa percepção”.

Agora acerca dos texto onde se discorre sobre a acepção de pessoas tenho a dizer que o problema do arminianismo é ignorar o contexto no qual tal expressão é dita nas Escrituras. Tenho a impressão que vocês conhecem o sentido étnico no qual os autores sagrados usaram algumas vezes a expressão “todos”, mas simplesmente fazem questão de ignorar apenas para forçar o texto a dizer que não há exceções quanto à salvação.

A isso facilmente posso responder me utilizando do contexto, que não deixa margens para dúvidas quanto ao verdadeiro sentido no qual Deus não faz distinção.

No texto de Atos 10 toda a história sobre Cornélio enfoca a discriminação que os judeus tinham em relação aos gentios, ao ponto de nos considerar imundos. Motivo pelo qual alguns dentre eles não estavam anunciando o evangelho aos não-judeus, talvez nem acreditassem que isso devesse ser feito. Só após todo aquele evento da visão foi que Pedro, um judeu, foi despertado para o fato de que a salvação também é para os gentios. Eis o real sentido em que Deus não faz acepção de pessoas. A salvação não é somente para os Judeus; Deus não é somente dos Judeus, já dizia S. Paulo (Rm 3.29). Por isso não acepção. Por outro lado há uma distinção  entre aqueles que foram escolhidos (e que estão em todas as nações) e os que não foram escolhidos e consequentemente não serão salvos.

Em Romanos 2 temos aí o mesmo princípio, pois o tema abordado por S.Paulo é o mesmo de Pedro em Atos 10. Ele enfatiza que conquanto os judeus tinham uma vantagem sobre os gentios pelo fato de a eles ter sido revelado primeiramente os oráculos de Deus, a desobediência [a qual tanto judeus quanto gentios comungam] anula  de forma drástica toda a prerrogativa que dispunham, colocando ambos em pé de igualdade, tanto no juízo futuro (vs. 9), quanto na bênção da salvação (vs.10). Em momento algum o apóstolo está alardeando a salvação para toda e qualquer pessoa da face da terra, mas apontando que não há distinção racial ou étnica na concessão da mesma. Ela veio para os judeus, e também para os gentios, porém exclusivamente para aqueles que são chamados (Rm 9.24) e não a todos sem exceção. O mesmo vale para 11.32.


1.2. O juiz só cobra o que é possível a um réu. 

Sabendo que o homem, como um réu pecador, jamais poderia fazer o bem por conta da queda universal, a graça de Deus lhe é enviada, para que, como isso, o bem lhe seja possível, e a cobrança seja justa. 

Cada pessoa, só pode ser cobrada, pelo que pode realizar. A graça de Deus é enviada, para que seja possível ao homem caído realizar os preceitos de Deus. Sem a graça jamais seria possível a realização do bem, e, por conseqüente, não faria sentido um julgamento sobre aquele que não teve nenhuma possibilidade de agir de forma diferente. A graça dá o homem caído a possibilidade de ele praticar o que é bom, se as rejeita, é com justiça que será castigado, já que a graça que lhe daria a possibilidade agir em prol da vontade de Deus, lhe foi ofertada, é foi por ele rejeitada. Portanto, a justiça se afigura como um castigo contra quem pode fazer o bem, e preferiu praticar o mal, nunca contra quem nunca teve a possibilidade de fazer o bem.

Essa sua afirmação é absurdamente contraditória pelo seguinte motivo.

Você diz que o homem não pode fazer o bem, (isto inclui fazer as escolhas certas), por consequência da queda. Em seguida afirma que somente a graça pode tornar o homem um praticante do bem, ou seja, escolher servir a Deus etc... Até aqui certamente eu lhe bateria palmas, porém depois você estraga tudo dizendo que o homem pode rejeitar essa graça e devido a rejeição é com justiça que será castigado. Agora me pergunto: Como você espera que o homem caído “aceite” a graça se ele não é capaz (de acordo com você mesmo) de praticar o bem, de fazer o que é certo? Em suas próprias palavras você diz “A graça dá o homem caído a possibilidade de ele praticar o que é bom”. O que nos leva a concluir logicamente que sem a graça ele não pode praticar nada que seja bom, não pode fazer o que é certo (inclusive escolher), porém sua única inclinação é o pecado. Se isso é verdade, quando a graça lhe for ofertada ele não irá aceitá-la, porque ele precisaria dela primeiro para poder praticar o que é certo, e de acordo com a sua afirmação ele ainda não a tem, ele precisa decidir aceitá-la antes. Se formos racionais a única coisa que ele fará quando a graça lhe for ofertada será rejeitá-la, pois ela ainda não foi recebida para poder atuar nele e possibilitá-lo a fazer o que é certo. Eu poderia conjecturar que Deus se arrisca em vão. Lança sua graça sobre os homens caídos e espera que eles, mesmo incapazes de fazer o bem, digam um sim e aceitem a sua graça para só então ter capacidade de fazer o que é certo. Até a natureza dessa “graça” é duvidosa, que dirá seus efeitos.

Agora quero me ater a duas frases suas: “O juiz só cobra o que é possível a um réu” e “Cada pessoa, só pode ser cobrada, pelo que pode realizar”. Esse seu argumento é fácilmente derrubado por você mesmo. É você quem diz “o homem não pode fazer o bem por conta da queda”. Ora, se ele não é capaz de praticar o bem, e Deus só cobra pelo que o homem pode responder, então ele não pode julgar o homem por rejeitar a tal graça da qual você fala; o que ele poderia esperar de alguém que não é capaz de fazer o que é certo e bom? O homem não é capaz de aceitar tal graça como já demonstrei usando as implicações do seu próprio argumento, ainda que suas afirmações possam parecer bem coerentes, contudo elas se revelam por demais conflitantes quando expostas a uma análise mais cuidadosa. Aliás, sendo bem ilógico agora, o homem teria que aceitar essa graça duas vezes, a primeira para primeiro lhe conceder a capacidade de praticar o que é certo, e a segunda como conseqüência dessa capacidade adquirida.

Ainda sobre essas duas frases suas, lamento lhe informar que estão profundamente equivocadas. Como já disse, aparentemente soam muito justas e concisas, mas nem sempre o que nós consideramos justo (nossa justiça está muito aquém da verdadeira justiça) coincide com o que de fato é aplicado como justiça por Deus.

Veja por exemplo o que diz: “não faria sentido um julgamento sobre aquele que não teve nenhuma possibilidade de agir de forma diferente”. Ora certamente aqui você e todos os arminiamos tentam impor a Deus seu próprio conceito de justiça e se esquecem de que ele não deve coisa alguma ao homem, muito menos clemência. De sorte que se todos os seres humanos são considerados culpados, logo lhe é de direito condená-los ou absolvê-los como bem entender.  Mas você logo se levantará contra essa minha objeção alegando que isso faz de Deus um tirano ou ditador. E eu até concordo que essas palavras podem ser aplicadas a Deus, no entanto não no mesmo sentido em que usamos para definir os líderes humanos, pois tudo que eles fizeram ou fazem visam os maus desígnios de seu coração corrompido e estão impossibilitados de operarem o bem, enquanto que Deus tudo que faz é absolutamente bom e correto. Ele não deve misericórdia a ninguém, então por que tanto barulho quando ele a retém?

Mas voltemos a sua frase “não faria sentido um julgamento sobre aquele que não teve nenhuma possibilidade de agir de forma diferente”. Na sua concepção Deus julga não pelo que devemos fazer, mas sim pelo que somos capazes de fazer. O Sábio certamente dirá que obedecer a Deus e guardar os seus mandamentos é o dever de todo homem, ou seja, é a obrigação de todos nós (Ec 11.13). Mas daí concluir que dever implica em poder existe um grande abismo. Me pergunto também o que será daqueles que nem ao menos tiveram a oportunidade de agir, pois nem bem nasceram e mesmo assim foram julgados severamente. Ademais, Deus julgará o homem pelo que ele deve fazer, aquilo que lhe é claramente prescrito em sua palavra. Contudo a capacidade de obedecer ao que é ordenado não é concedida a todos, e isso é novamente um direito que ele tem, é aqui que mora a razão de todo o conflito, porque vocês sustentam que Deus não poderia agir dessa forma, e se ele emite um julgamento contra quem não recebeu capacidade alguma para agir conforme sua lei, logo seu juizo é sem sentido ou no mínimo injusto. Tenho então que lembrá-los que o Senhor agiu assim em determinadas passagens das Escrituras, por exemplo, quando  do dilúvio ele condenou toda a humanidade exceto Noé e sua família. Sem contar os animais, dos quais todos pereceram, menos os que foram selecionados e enviados para a arca. Deveras Deus preservou por sua graça a Noé e sua familia em meio aquela geração, para por meio deles dar continuidade a história. Mas teria Deus agido injustamente em não preservar os outros, porém condená-los sem chance de defesa, à morte? Pois nada lemos sobre a arca ser destinada a toda humanidade e por isso ser oferecida como chance de escape a quem se arrependesse o obtivesse o direito de entrar nela. E quantas crianças morreram inclusive recém-nascidas ou ainda em gestação? Não eram todas inocentes e mesmo assim foram condenadas com o restante das pessoas?A menos que acreditemos que só haviam adultos nessa ocasião, o que certamente espero que você como alguém que é inteligente não me virá referir. Ainda sim, Deus havia determinado a arca unicamente para Noé e sua família. Mesmo que você argumente que os adultos pereceram, pois escolheram ser rebeldes, mas e as crianças? Por que incorreram no mesmo juízo? Será que Deus concedeu aos infantes, muitos ainda no ventre, a capacidade de decidir obedecê-lo ou não? E os animais?  Vemos que o juízo vem pelo que devemos fazer e não pelo que somos capazes de fazer, pois a graça de ser capaz de cumprir o que nos é exigido não é concedida a todos, pois a uns lhes é determinado o erro e rebeldia, enquanto a outros lhe são concedidos assim o arrependimento como a misericórdia. Se cada pessoa é cobrada pelo que pode realizar, por quais motivos Deus condenou os infantes e os animais nesse episódio e em muitos outros? Certamente que esta sua afirmação o coloca em muitas dificuldades, ainda mais depois de dizer: “a justiça se afigura como um castigo contra quem pode fazer o bem, e preferiu praticar o mal, nunca contra quem nunca teve a possibilidade de fazer o bem”. Não seria muito mais grave exercer juízo sobre quem nunca cometeu nem um nem outro?

A arma que nesse momento devem apontar contra mim talvez seja “Como Deus pode punir aqueles aos quais ele mesmo designou para a condenação e que por causa disso não poderiam agir diferente?”. Neste quesito me valho de São Paulo quando escreve aos romanos, deixarei que ele claramente responda a questão quando diz: “Mas algum de vocês me dirá: Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?” (Rm 9.19). E depois: “Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: Por que me fizeste assim?” (Rm 9.20). Ora, se Deus como criador decidiu a uns formar para neles manifestar misericórdia, e por isso lhes concede graça para a libertação da escravidão do pecado e por fim salvação, enquanto que a outros formou para revelar neles sua ira e poder, quem pode acusá-lo de injustiça? (vs. 20-24).  Mas o apóstolo deixa claro que a misericórdia só é evidente aos vasos de honra em razão daqueles aos quais Deus designou a permanecerem no seu estado de rebelião, pois através da ira e poder recaídos sobre estes (vasos de desonra), os eleitos tomam conhecimento das riquezas de sua glória (vs. 23,24). A questão é reconhecer que Deus tem o direito de fazer o que bem entende com sua criação, como o oleiro tem sobre sua argila.


Estarei dando continuidade assim que possível.

Ecclesia Reformata, et Semper Reformanda!




19 de fevereiro de 2012




Para encerrar essa série acerca da salvação infantil quero fazer um resumo dos itens que foram abordados aqui. Cabe a qualquer um que ler julgar se são válidos os meus argumentos, porém que levem unicamente em consideração aquilo que claramente se vê nas Escrituras. O propósito de toda a série é mostrar a improcedência da tese de que todas as crianças já nascem salvas. Eis os argumentos.

ESTA TESE É CLARAMENTE FRUTO DA INFLUÊNCIA DO PENSAMENTO HUMANISTA.

A supervalorização do homem e o sentimentalismo excessivo levam a desconsiderar a liberdade da soberania de Deus no exercício de sua justiça.

 A DEPRAVAÇÃO TOTAL NO QUAL SE ENCONTRA TODO O GÊNERO HUMANO PROVA SER IMPOSSÍVEL QUE ALGUÉM NASÇA SALVO.

A Bíblia é enfática ao afirmar que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Rm 3.23). De onde facilmente se conclui que não exceção quanto a raça, sexo ou idade. Mas absolutamente todas as pessoas da terra nascem pecadoras, e consequentemente perdidas.

A SALVAÇÃO OCORRE ATRAVÉS DA FÉ NA MORTE SUBSTITUITIVA DE JESUS, EIS AÍ UMA CLARA EVIDÊCIA PELA QUAL OS INFANTES NÃO PODEM SER SALVOS ANTES DE SEREM CAPAZES DE EXERCER FÉ.

 A concessão de fé é dada unicamente aos que atingem uma idade onde já possuam discernimento, pois não vemos nada nas Escrituras a respeito de crianças ou bebês exercendo fé para a salvação.

ESSA TESE COMO APRESENTADA INTRODUZ UM NOVO CONCEITO DO QUE SEJA SALVAÇÃO.

O homem nasce perdido, e necessita ser salvo por meio da intervenção de Deus ao se revelar a ele, regenerá-lo, convencê-lo e assim conduzi-lo a conversão. A tese de que as crianças nascem salvas implica que todos os seres humanos já nascem salvos, uma vez que ninguém nasce adulto. Isso contradiz  o que já foi exposto acerca da depravação total e carece de base bíblica, pois como já tem sido demonstrado, a Bíblia apresenta o homem antes da salvação como perdido e condenado a ira Divina, não como um piedoso que perde esta virtude a medida em que cresce.

CRIANÇAS NÃO PRECISAM PRATICAR UM ATO PECAMINOSO PARA SÓ ENTÃO SEREM PASSÍVEIS DE JUIZO.

Entende-se que se uma criança ainda não cometeu nenhum pecado, logo não pode ser condenada por algo que não fez. No entanto, esta compreensão é falha em não enxergar que existe uma culpa que todos nós carregamos independentemente dos nossos erros pessoais – A culpa de Adão. O primeiro homem a ser formado foi constituído o representante de toda a sua posteridade. A sua desobediência tornou-se nossa também, a sua queda, foi nossa queda, e a sua culpa, nossa culpa. Por causa de Adão todas as criaturas sofreram consequências. O erro dele recai sobre os seus descendentes como herança. Portanto, ainda que uma criança não tenha cometido nenhum pecado pessoal, ela pecou em Adão e por isso é tão perdida e merecedora do juízo quanto qualquer adulto que perecerá pela culpa adâmica e por seus próprios pecados eventuais. 

NEM MESMO OS ELEITOS NASCEM SALVOS. TÃO POUCO SÃO REGENERADOS PREVIAMENTE CASO VENHAM A MORRER ANTES DE ATINGIREM A IDADE DA RAZÃO. O MAIS CORRETO É QUE AS CRIANÇAS ELEITAS SÃO PRESERVADAS DA MORTE ATÉ QUE ALCANCEM DISCERNIMENTO SUFICIENTE PARA ENTENDEREM E REALIZAREM PROFISSÃO DE FÉ.

O próprio Calvino acreditava na regeneração prévia para crianças eleitas que morrem antes da idade da razão. Porém na total ausência de bases contundentes para tal afirmação, segue-se que o melhor raciocínio para a questão é o da preservação soberana que Deus exerce sobre os seus, zelando por eles de modo que todos cheguem a idade adequada para compreenderem o evangelho e possam exercer a fé. Isto é dito de claramente na afirmação de São Pedro quando assevera : “ ...ele (o Senhor) é longânimo para convosco (os eleitos), não querendo que nenhum pereça (não seja salvo), mas que todos cheguem ao arrependimento” (2ª S. Pedro 3.9). Aqui subentende-se que para se arrepender de algo é necessário ter idade suficiente para tanto. E também vemos que é a vontade de Deus que todos cheguem a essa etapa – O que não é possível caso um eleito morra ainda bebê.


Ecclesia reformata, et semper reformanda!

16 de janeiro de 2012

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Retomando a série sobre a salvação infantil e ainda refutando alguns versículos muito utilizados para provar que todas as crianças quando morrem estão automaticamente salvas, hoje vemos analisar mais um texto mal compreendido.

“Respondeu ele: Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia: Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? Todavia, agora que é morta, por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim” (2º Samuel 12.22,23).

O argumento com base nesse versículo é de que a criança, fruto do adultério entre Davi e Bate-Seba, ao morrer estava salva, uma vez que o próprio Davi admite que irá se encontrar com ela. O que teoricamente sugere que o infante esteja no céu, uma vez que se o Rei Davi é considerado como alguém salvo, obviamente a criança com a qual ele afirma que há de se reencontrar após a morte também o seja.

Felizmente os que usam de tal argumento demonstram uma total ignorância no que diz respeito à exegese Bíblica. Simplesmente ignoram o contexto histórico e escriturístico da passagem, e querem forçar o texto a dizer o que ele não diz – Prática muito comum àqueles que desesperadamente buscam subterfúgios para respaldar uma teologia que supervalorize o homem.

Segundo nossos opositores a expressão “Eu irei para ela” implica em dizer que a criança estava agora no céu, e que Davi reconhece isso quando diz que um dia também irá para o mesmo lugar, pois se considerava uma pessoa salva.

A isto facilmente respondo que simplesmente essa interpretação está incorreta, pois o conceito de salvação no sentido espiritual não aparece no Antigo Testamente, salvo de forma profética e poética apontando exatamente para o tempo neotestamentário, isto é, com o surgimento do Messias.

Os judeus não tinham uma “soteriologia” que abrangesse o futuro espiritual. Acreditavam sem dúvida na ressurreição, que se realizaria algum dia, porém outras escolas rabínicas contemplavam somente a vida aqui e agora (dessas escolas descende a seita dos Saduceus do tempo de Jesus). De modo geral todos criam que ao morrer todos os seres humanos iam para o Sheol, um lugar tenebroso e sombrio (Gn 37.35; Jó 3.17-19; 7.9; Sl 88.5; 143.3; Pv.1.12; Ec 9.10; Is 5.14; 38.18; Hc 2.5). No Sheol não havia memória, sentimentos, lembranças, nem coisa alguma que remeta ao mundo dos vivos.

Assim sendo, Davi não estava afirmando que reencontraria a criança nos céus, e sim que também se uniria a ela no além através da morte. Esta linguagem é muito comum em outras passagens.

“Expirou Abraão; morreu em ditosa velhice, avançado em anos; e foi reunido ao seu povo” (Gênesis 25.8).

“Chegando-se, pois, o tempo da morte de Israel, chamou a José, seu filho, e disse-lhe: Se agora tenho achado graça em teus olhos, rogo-te que ponhas a tua mão debaixo da minha coxa, e usa comigo de beneficência e verdade; rogo-te que não me enterres no Egito, Mas que eu jaza com os meus pais; por isso me levarás do Egito e me enterrarás na sepultura deles. E ele disse: Farei conforme a tua palavra” (Gênesis 47.29-30).

“...Eu vou pelo caminho de todos os mortais...” (1º Reis 2.2).


A idéia de se “reencontrar” com os que se foram é meramente uma forma de dizer que também se experimentará a morte. Mais uma vez os defensores do bem-estar humano se equivocam terrivelmente.

Ecclesia reformata, et semper  Reformanda!



11 de janeiro de 2012

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Como prometido, agora estarei comentando alguns versículos muito utilizados por aqueles que defendem que crianças já nascem salvas. O primeiro da lista certamente é este:

“Então lhe traziam algumas crianças para que as tocasse; mas os discípulos o repreenderam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus” (Marcos 10.13,14).

Com base neste versículo alguns tem argumentado que Cristo está afirmando que o Reino de Deus é para todas as crianças, e vão além, dizem que sendo assim estas já nascem salvas. Todavia, chegaram a essa conclusão precipitadamente e não atentaram para o real sentido dessa fala de Jesus.

Primeiramente precisamos entender que aqui temos uma repreensão. Jesus estava repreendendo os discípulos. E por que os repreendia? Porque enquanto alguns estavam trazendo crianças para serem abençoadas, eles estavam impedindo que isso acontecesse. Ou seja, os discípulos estavam discriminando as crianças. Tal atitude mostra que naquela ocasião eles acreditavam que o ministério de Cristo era direcionado unicamente aos adultos. Então, Jesus os adverte que as crianças também são participantes do Reino, e não só os adultos. Este é o sentido da repreensão. Elas também devem vir a ele para serem abençoadas e salvas.

Obviamente Jesus não estava aqui querendo ensinar quantas crianças são eleitas para a salvação ou que todas já nascem salvas. O cerne das palavras dele é que o Reino de Deus veio para o homem, sem distinção de sexo ou idade. As crianças também fazem parte do número dos eleitos, e nada as impede de que recebam a graça salvífica em sua meninice. Eis o motivo pelo qual não devemos negar aos pequeninos a pregação do evangelho (não os impedir de vir a Cristo).

Novamente volto a objetar que se Jesus está afirmando que crianças nascem salvas, logo temos um novo conceito de salvação. Pois se crianças nascem salvas, estamos dizendo que o homem já nasce salvo – Todo ser humano um dia já foi criança.  Este novo conceito de salvação implica em dizer que na verdade todos nós nascemos salvos, apenas perdemos a salvação quando crescemos e então necessitamos sermos salvos novamente. Temos aí o novo conceito da Re-Salvação! O que não tem base bíblica, pois de acordo com o apóstolo S. Paulo a nossa condição antes de sermos chamados não era nada boa (Efésios 2.12), isto sem contar o fato de que todos já nascemos pecadores (Salmo 51.5), e se nascemos pecadores, logo, somos dignos unicamente da ira de Deus.

Já ouvi alguém dizer: Deus não pode exigir tanto de uma criança, ela é inocente! Mas é claro que pode! Veja:

“Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se o que faz é puro e reto” (Provérbios 20.9).

Fica claríssimo, então, que todos irão responder um dia perante Deus.
Ainda no texto de Marcos, precisamos salientar que Jesus estava se dirigindo aquelas crianças que estavam sendo trazidas até ele, em nenhum momento ele fala sobre crianças que já tinham morrido, logo querer contemplar essa idéia no texto é no mínimo desonestidade.
Podemos também objetar que a expressão “de tais” não quer dizer que o Reino de Deus é de todas as crianças sem exceção, mas de crianças como aquelas que Cristo estava abençoando naquele dado momento. Se dermos uma olhadinha no grego original dessa passagem veremos que se trata do adjetivo pronominal demonstrativo “ton toiouton”. Este adjetivo quando é precedido por um artigo, como nesse caso, significa “desse tipo”, ou “tais quais estas”. Assim sendo, Jesus está dizendo: “Crianças desse tipo” ou “Crianças tais quais estas”. Ocorre o mesmo em todas as passagens paralelas, o que apenas confirma que ele estava se referindo à crianças como aquelas que ele abençoou, e não a todas as crianças como um grupo universalmente indistinto.

O próximo versículo utilizado pelo conceito equivocado de que crianças nascem salvas se encontra no mesmo capítulo, é o versículo seguinte da narrativa:

“Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele” (Marcos 10.15).

Aqui argumentam alguns que já que é uma condição para se receber o reino ser como criança, logo todas elas já estão no reino. Dizem isto usando a inocência como pretexto: Devemos ser inocentes e puros como crianças. Uma idéia um tanto quanto utópica eu diria. Pois quem é que sendo adulto pode voltar a ser inocente igual um recém-nascido, que nem ao menos sabe ainda falar? Sem contar que conforme o tempo vai passando toda criança vai perdendo um pouco de sua inocência – Isto é até necessário. É um argumento bastante insustentável esse.

A verdade é que Cristo está nos dizendo que devemos ser como crianças, isto é, DEPENDENTES. Quanto mais criança for o ser humano, mas dependente será do adulto. Uma criança não pode se alimentar sozinha, ela precisa ser alimentada, posteriormente conforme for crescendo, precisa ser ensinada e necessita da supervisão. Uma criança tem que ser cuidada, protegida. E outra coisa importante, uma criança confia cegamente em seus pais. Se um pai colocar o filho em um lugar um pouco alto e pedir para que ele se jogue, porque estará de braços abertos para o segurar, a criança não pensará duas vezes, ela se lança – Disso tenho experiência própria. Jesus está ensinando que o Reino de Deus é para aqueles que são eternamente dependentes e obstinadamente confiantes. Em outra passagem ele mesmo ensinou que devemos confiar plenamente na provisão de Deus em relação a nós (Mateus 6.25-34). Deus sabe tudo o que precisamos, em todas as áreas (física e espiritual). Tal qual uma criança depende de seus pais, assim aquele que é chamado à salvação: deve ser totalmente dependente de Deus.

Assim, podemos constatar quão preciosa é esta lição vinda do nosso mestre e nada tem a ver com o argumento esdrúxulo de que todas as crianças nascem salvas.

No próximo post vermos outros versículos.


Ecclesia reformata, et sempre reformanda!


10 de janeiro de 2012



A questão da salvação infantil deve ser discernida com muita cautela e sinceridade. Não podemos cair no erro de diminuir ou adaptar o julgamento de Deus sobre a culpa humana, muito menos nos baseando no sentimentalismo. Independentemente do que sentimos em relação à justiça do Eterno frente à nossa culpa, ela ainda continuará lá e dignamente merecedora de punição.

OS ELEITOS E SUA TEÓRICA SALVAÇÃO NA INFÂNCIA.


Certa vez um irmão argumentou comigo que se o calvinismo estivesse correto então nós poderíamos sair por aí pecado, afinal já nascemos salvos mesmo. Isto revela que certas pessoas quando se atrevem a criticar a Sã Doutrina nem ao menos procuram conhecê-la, para só então tentar criar algum argumento sólido (ainda que isso seja impossível, pois nada podemos contra a verdade). Eu retruquei a esse irmão, como já fiz a vários outros que utilizaram do mesmo argumento, que ele estava bastante equivocado quanto à fé reformada. Ser um eleito não significa nascer salvo; pelo contrário, a eleição contempla pessoas perdidas, mas que foram predestinadas a alcançarem a salvação (Efésios 1.4,5 / 1ª Tess. 5.9 / 2ª Tess. 2.13).

Ninguém nasce salvo, nem mesmo aqueles que foram eleitos desde a eternidade. No entanto, há os que tentam argumentar que se por acaso um eleito vier a falecer antes de chegar à idade adulta, ele estará salvo. Eu fico admirado em como alguns dos meus colegas ainda admitem que possa existir tal possibilidade. E para embananar ainda mais o problema ficam criando teorias baseadas em suposições que revelam a triste verdade de que ainda estão, em algum grau, contaminados pela praga da ideologia humanista.

A Bíblia é muito clara quando afirma que a salvação é para aqueles que crêem (João 3.14-16), para aqueles que foram chamados (Atos 2.39/ Romanos 8.28-30 / Hebreus 9.15), para aqueles que recebem a Fé (Atos 26.18 / Efésios 2.8). Um recém-nascido não tem condição alguma de participar desse processo. Mas se uma criança não pode participar, como ela poderá ser salva? A resposta é: Quando ela atingir uma idade (não necessariamente a adulta) suficiente onde seja capaz de discernir a verdade do evangelho e então responder a ele. Então alguns dizem: Mas e se ela sendo uma eleita morrer antes? Esta possibilidade simplesmente não existe! Nenhum eleito morre antes de ouvir e crer no evangelho. O próprio Cristo disse:

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (João 10.27).

Pouco antes ele mesmo havia destacado a importância dos eleitos o ouvirem:

“Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (João 10.16).

Em sua oração momentos antes de ser preso, Cristo orou unicamente pelos que haveriam de crer nele:

“Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles” (João 17.20).

O ouvir e crer é fundamental na salvação. De modo que todo eleito um dia passará por este processo. Por que parece mais difícil acreditar que Deus em sua divina providencia guarde os seus desde a infância destes preservando-lhes até que cheguem em idade onde lhes seja possível compreender que necessitam dele? Isto está em perfeita em harmonia com que o apóstolo S. Pedro diz quando escreve:

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2ª Pedro 3.9).


Evidentemente que o apóstolo está se dirigindo aos eleitos, aos chamados e não a toda humanidade. Ainda assim, Até onde eu sei bebês não podem se arrepender de coisa alguma. Logo, somente quando atingirem a idade certa é que experimentarão a salvação.

Havia prometido responder alguns versículos hoje, mas para não deixar o post extenso demais, comprometo-me em cumprir a minha promessa no próximo.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!

9 de janeiro de 2012





Finalmente posso dar continuidade à série sobre a salvação infantil. Após um domingo sem escrever devido às atividades na congregação local onde ministro. 
 
Hoje quero fazer uma espécie de resumo do que tenho discorrido ao longo dos três primeiros posts da referida série, para podermos nos situar bem a respeito do que ainda está por vir.
 
A MÁ INFLUÊNCIA DO PENSAMENTO HUMANISTA NA TEOLOGIA CRISTÃ.
 
Eu tenho dito que esse mal tem obstruído a mente de boa parte do povo Deus fazendo com que ele não reconheça a absoluta soberania de Divina no trato com suas criaturas. Isto significa que sempre que as verdades bíblicas vão contra o bem-estar do homem, logo são consideradas como equívocos ou erros de interpretação. Assim sendo, a norma aceita é de que Deus não faz nada que contrarie aquilo que o ser humano entende como sendo justo. Ele não agiria de acordo com o beneplácito da sua vontade, mas se auto-restringiria para favorecer a pessoa humana. O pensamento humanista visa de todas as formas preservar o homem como o centro e a razão de todas as coisas, nada pode “ferir” ou contrariar essa regra. Vemos claramente essa idéia dentro do cristianismo quando alguns alegam que Deus respeita as decisões do homem ou não poderia exercer a sua justiça caso este seja muito criança para poder ser tratado com tamanho rigor.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA DOUTRINA DA DEPRAVAÇÃO TOTAL.
 
O meu primeiro argumento tem sido de que a depravação total é bastante clara ao afirmar que todo ser humano está destituído de qualquer comunhão com Deus. Não vemos na bíblia qualquer distinção entre adultos ou crianças nesse quesito. Vemos, contudo, sendo expressamente afirmado pelos autores divinamente inspirados que o ser humano já nasce pecador, depravado, desviado e incapaz de produzir qualquer bem em relação a Deus. Mas não é suficiente apenas dizer que todos já nascem perdidos, se não que também nascem, por consequência disto, condenados.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA SALVAÇÃO UNICAMENTE ATRAVÉS DA MORTE SUBSTITUITIVA DE CRISTO E MEDIANTE A FÉ.
 
Não existe outro meio do homem obter a salvação que não seja através de Cristo. É necessário que o ser humano tenha a sua vida expurgada em Jesus. E de que forma isso ocorre? Quando da sua morte Cristo recebeu em si a punição que era devida a nós. E como recebemos isso? Mediante a fé. Ninguém pode crer na obra salvífica a menos que tenha recebido a Fé que vem de Deus. Esta Fé o habilita a acreditar e confessar o Senhorio de Cristo sobre si, recebendo imediatamente o selo do Espírito como a confirmação e garantia de que foi resgatado para Deus.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA FALSA TEORIA DA RE-SALVAÇÃO.
 
Tenho dito que afirmar que crianças já nascem salvas (como é o caso dos metodistas e outras denominações) implica num novo conceito para a salvação no Novo Testamente. Uma vez que todo ser humano já nasce salvo (pois ninguém nasce adulto e sim criança), ao crescer ele perde essa condição, já que tomando conhecimento do bem e do mal passa a pecar e, portanto, necessita ser salvo novamente, isto é, ser reconduzido ao estado no qual nasceu. Não existe base bíblica alguma para isso.
 
Após esse breve resumo quero dizer que estou abordando o assunto à luz da ótica Calvinista, que contempla a eleição e predestinação de indivíduos, mas deixando bem claro que não estou querendo inviabilizar a pregação do evangelho como fazem os hipercalvinistas. O propósito dessa série é mostrar mais uma vez que a soberania de Deus é absoluta na salvação do homem, e de que nós devemos amá-la do jeito que ela é, e não tentar amenizá-la ou diminuí-la em virtude do sentimento humano.
 
CRIANÇAS SÃO CULPÁVEIS OU NÃO?
 
De certo modo quero voltar a um dos primeiros argumentos, pois alguns têm me questionado acerca da culpabilidade de uma criança. Ainda que claramente já tenha respondido a isso no primeiro post, baseado em textos como:
 
“Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham proferindo mentiras” (Salmo 58.3).
 
“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5, NVI).
 
“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram” (Romanos 5.12).


Quero agora trazer um comentário interessante feito por Calvino e que de forma muito simples esclarece toda a questão. Ele diz que devido o pecado original...

“...as próprias crianças, enquanto trazem consigo sua condenação desde o ventre materno, são tidas como culposas não por falta alheia, mas pela falta de si próprias. Ora, embora ainda não tenham trazido à tona os frutos de sua iniqüidade, no entanto têm encerrada dentro de si a semente. Com efeito, sua natureza toda é uma como que sementeira de pecado. Por isso, não pode ela deixar de ser odiosa e abominável a Deus. Do quê se segue que, com propriedade, esse estado é considerado como pecado diante de Deus, pois não haveria incriminação sem a culpabilidade” (Institutas Livro II, Cap. 1.2).

Vemos de forma bem coerente que a inocência de uma criança não a isenta da culpa herdade de Adão, e por ela mesma segue-se que é perfeitamente condenável perante Deus, pois ainda que não tenha praticado coisa alguma, contudo sua natureza não poderá produzir futuramente senão pecado e rebeldia.

No próximo post estaremos analisando alguns versículos utilizados por aqueles que ensinam que as crianças nascem salvas ou o são automaticamente após a morte.


Ecclsia reformata, et sempre reformanda!


7 de janeiro de 2012

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Estou expondo ao longo dessa série de posts razões pelas quais não podemos concordar com o ensino de que as crianças já nascem salvas. Alguém disse que isso não é relevante, que temos que nos preocupar mais em pregarmos o evangelho.  Ora este pensamento não é saudável. Não podemos dissociar a questão em debate do evangelho. Estamos falando de salvação e falar de salvação é falar sobre o evangelho. Aqui está em pauta a predestinação e eleição, bem como a soberania de Deus. Portanto, não é um debate inútil ou irrelevante. Todos precisamos ter perfeita consciência da condição dos infantes e de como isso está perfeitamente relacionado com o evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê! (Romanos 1.16).
 
As crianças nascem salvas – Dizem alguns. Podemos facilmente levantar uma objeção contra isso questionando mediante o que elas foram salvas? O apóstolo S. Paulo nos diz:
 
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2.8).
 
A salvação é concretizada mediante a concessão do dom da Fé, é o que Paulo está afirmando. O homem ao ser exposto às verdades do evangelho recebe então o elemento necessário para poder acreditar nelas, isto vem de Deus (monergismo). Ao crer, e só acontece por antes ter recebido capacidade para tanto, está então consumado o processo de salvação onde o eleito agora recebe o selo do espírito que é o comprovante ou a garantia de que ele foi feito uma nova criatura cujo destino é a glória (Efésios 1.13,14). Nada disso é possível a uma criança que parte desse mundo em tenra idade. Mas o que podemos dizer? Que isto a favorece de modo que já parte com sua salvação assegurada? Obviamente que não. Todo esse processo descrito até agora está relacionado à Fé, esta que é a única condição para se poder crer. Além da Fé estamos também falando em exposição do evangelho. Não vejo hoje pregadores expondo o evangelho para bebês de, por exemplo, seis meses de vida, e ainda que isso aconteça, temos na Bíblia garantias de que Deus enviaria o dom da Fé para uma criança que nem ao menos sabe se expressar uma vez que a confissão é requisitada? Conferir Romanos 10.8-10.
 
Acredito que alguém agora deve se utilizar do que acabei de escrever para usar contra meu próprio argumento. A saber: Se Deus não enviaria o dom da fé para uma criança crer pelo fato dela não ser capaz ainda de se expressar, como, pois, a condenaria sem levar em consideração este mesmo motivo (capacidade cognitiva)? E a resposta vem a seguir: Esta é a razão pela qual precisamente qualquer criança que morre antes de chegar a uma idade na qual ela tenha condições suficientes de entender e confessar a Jesus, está perdida! A impossibilidade de professar a fé em Cristo em nada altera a condição espiritual de uma criança ou a melhora de forma a ser merecedora da salvação, ela continua tão caída e distante de Deus que o seu único destino possível é a condenação eterna.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!

6 de janeiro de 2012

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Eu mostrei no outro post que a doutrina da depravação total e do pecado original não autorizam a afirmação de que crianças nascem salvas ou que sejam salvas automaticamente quando morrem, pois todos os seres humanos nascem na mesma condição de pecadores e como tal, passíveis da ira e condenação de Deus. No entanto alguns discordam disso, como por exemplo, na Pastoral dos Bispos Metodistas sobre o Batismo, na página 16, diz:


“...as crianças são membros do Reino de Deus e, além disto, são padrão para o ingresso no Reino de Deus. A criança já entrou na nossa frente no Reino.”

Isto pode mesmo ser verdade? De acordo com o metodismo as crianças já nascem dentro do Reino de Deus, isto é, na salvação. Elas estão num patamar maior do que os adultos até o ponto de entrarem na frente deles. Todas as crianças estão predestinadas à salvação e mesmo já salvas quando morrem.

Precisamos nos questionar nos seguintes termos:

1)O homem nasce pecador?

2)O pecado o torna digno da condenação?

3)Existe apenas um “remédio” para a condenação?

O homem nasce pecador?

Sim, e já demonstrei claramente no post anterior com as sábias palavras de Davi:

“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5, NVI).

O pecado torna o homem digno da condenação?

Tanto quanto a água está para a sede. A justiça divina só é satisfeita quando o culpado recebe por seu erro. Sendo todo o gênero humano culpável perante Deus, nada mais justo de que todos estejam na ardente expectativa do horror divino.

Existe apenas um remédio para a condenação?

Seremos sinceros? Existe mais de uma maneira do ser humano alcançar a salvação? A Bíblia diz que não.

“...porque abaixo dos céus não existe nenhum outro nome, dado entre os homens [não importa se adultos ou crianças] pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12).

Não há salvação fora de Cristo. Isto significa que fora da morte substituitiva de Jesus nenhum ser humano pode ser salvo. Deus determinou que ele levaria o pecado de muitos, que ocuparia o lugar deles na hora da condenação,  e de que estes, por sua vez, experimentariam um novo nascimento, uma regeneração do estado anterior no qual se encontravam: 

“Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2ª Coríntios 5.17).

Um recém-nascido não pode participar desse processo caso morra em sua meninice. Talvez alguns digam: Veja! Isto prova que eles (os recém-nascidos) já nascem salvos! E eu digo: Pelo contrário! Mostra que eles estão horrivelmente perdidos e a menos que sejam regenerados em sua natureza, não poderão ser salvos.
Para que uma criança pudesse nascer salva ela já teria que nascer regenerada e uma nova criatura (sentido espiritual). O que soa muito estranho, pois a salvação não seria salvação, mas re-salvação. O homem já nasce salvo, ele apenas perde a salvação quando cresce e daí precisa ser salvo novamente. A Bíblia não afirma isso.

Me perdoem, o tempo não me é suficiente para escrever mais, porém amanhã continuaremos.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!



5 de janeiro de 2012

Posted by Samuel Balbino | File under : , , , , ,




Por Samuel Balbino

Mal se iniciou o ano e lá vou eu novamente tomando rumos polêmicos no debate teológico.

Ontem fiquei até tarde com os irmãos Alex, Adilson e Bruno no facebook discutindo sobre o tema da salvação infantil, isto é, se crianças e bebês são salvos automaticamente quando morrem ou não. Entendo que este não é assunto fácil de ser abordado. Ainda mais para um calvinista radical como eu. O Calvinismo sempre foi encarado como vilão nesses impasses, e debates que envolvem a salvação ou condenação de alguém são sempre o mesmo que pisar em solo minado.

Já faz algum tempo que estudei esse assunto e defini minha opinião fundamentada sobre a coerência bíblica, ao mesmo tempo em que me esvaziei de todo emocionalismo que hoje impede que grande parte dos estudantes da Bíblia contemplem a soberania absoluta de Deus, e fui preenchido pela total submissão aos decretos e desígnios Divinos.

Alguns irmãos quando se colocam a meditar sobre as verdades sagradas procuram “amenizar” o máximo possível os efeitos da liberdade de Deus no trato com suas criaturas. Isto é claramente efeito da filosofia humanista que infelizmente infectou boa parte da cristandade. Quando um cristão nega, por exemplo, a predestinação ou a eleição, está afirmando o pensamento humanista, ainda que adaptado ao contexto “evangélico”. A Declaração humanista de 1952 diz:

“Os humanistas rejeitam a ideia de que deus tenha intervindo miraculosamente na história, se revelado a uns poucos eleitos ou que possa salvar ou redimir os pecadores. Eles acreditam que os homens e mulheres são livres e responsáveis por seu próprio destino e que não podem olhar em direção a um ser transcendental para obter a salvação”.

Veja que não existe muita diferença entre o que pregam esses tais humanistas e muitos evangélicos hoje. Excluindo-se o fato de que estes são teístas e aqueles ateus, pouca diferença encontramos na cosmovisão de ambos. Aliás a frase que eu sublinhei é facilmente aceita por todos os arminianos como uma grande verdade, mas notem que foi extraída de uma declaração que se opõe até mesmo ao ensino da Bíbia nas escolas. Cristãos e ateus partilhando do mesmo ideal? Isso está certo?

Cada vez mais vejo pastores e pregadores protegerem o bem-estar do homem e mandarem Deus para as “cucúias”. Criaram uma espécie de deus mais agradável, light, mais próximo do homem (teísmo aberto). Um deus que lança fora toda a sua autoridade e soberania por um simples caco de barro. O homem deseja um deus que lhe seja mais favorável, que satisfaça todas as suas condições e não viole nada daquilo que ele considere como justo. Que pena que este não é o verdadeiro Deus! (risos).

Agora abordemos o caso da salvação infantil.

Vou partir do princípio de que Deus elegeu desde a eternidade aqueles que serão salvos e de que todo o gênero humano se encontra escravizado pelo pecado, totalmente impossibilitado de alcançar o favor de Deus. Posteriormente falarei no âmbito arminiano.

A Bíblia deixa claro que todo ser humano nasce desviado de Deus e depravado.

“Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham proferindo mentiras” (Salmo 58.3).

Diante desse fato podemos facilmente concluir que todos sem exceção nascem pecadores.

“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5, NVI).

Desta forma estamos em perfeita harmonia com o que nos ensina o apóstolo S. Paulo quando escreve a Igreja dos romanos, dizendo:

“Como está escrito: Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém quem entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3.10-12, NVI).

Se é correto afirmar que todo e qualquer homem já nasce pecador, é também perfeitamente correto afirmar que todo e qualquer homem por si só está perdido e condenado à destruição. A primeira objeção que se pode levantar é: Crianças não nascem pecando para poderem ser condenadas. E a minha resposta é que ninguém só se torna pecador a partir do momento em que realiza sua primeira desobediência a Deus, antes todos já nascem pecadores em potencial.

“O homem não se torna um pecador quando peca, mas ele só peca porque já nasceu pecador”.

Estamos falando da herança maldita de Adão. Eu acredito na depravação total e no pecado original. Isso está perfeitamente claro nas Escrituras. Ao dizer que uma criança não pode ser condenada pelo simples fato de ser criança estamos negando essas duas importantes verdades. Talvez agora alguém diga: Como pode o pecado de Adão ter nos afetado ou sermos nós condenados por ele? A resposta é muito fácil. Deus criou Adão como o “cabeça” ou representante de toda a criação (Gênesis 3.17). Ao cair, toda a criação sofreu as consequências junto com ele, vemos isso claramente na mudança comportamental dos animais, no surgimento de plantas nocivas a nós e demais seres vivos e principalmente na culpa herdada que todos trazemos conosco. Por esta culpa somos todos (sem exceção) passíveis da condenação:

“...porque o julgamento veio, na verdade, de uma só ofensa para a condenação (...) por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para a condenação” (Romanos 5.16,18).

É fundamental que todos os homens sejam culpáveis perante Deus, de outra forma o que haveria neles que os fizessem necessitar a salvação? Quero provar com isso que todos independente de serem crianças ou adultos estão profundamente perdidos e necessitam de um salvador. Alguém teria a ousadia de discordar?

No próximo post eu continuo.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!