23 de outubro de 2011

Posted by Samuel Balbino | File under : , , ,


Não me entendam mal. Se o título dessa postagem parece ofensivo não é menos do que a atitude da maioria das denominações pentecostais. Estamos no mês onde se comemora 494 anos da Reforma Protestante e sempre nessa data as denominações de confissão histórica estão promovendo seminários, palestras, congressos, simpósios. Tudo para avivar na mente das pessoas a importância desse acontecimento. Mas e as pentecostais? O que elas fazem para honrar o retorno do Cristianismo à pureza do evangelho de Cristo? Nada!

Estive fazendo uma pesquisa nos sites das principais denominações pentecostais do país e nada encontrei sobre a Reforma. O que podemos concluir com isso? Que há um desprezo sem igual por aquilo que nos possibilitou estarmos aqui hoje. A pergunta é: Por que isso acontece. Tenho algumas respostas.

      Não é interessante ficar relembrando um evento que pode desenvolver nas pessoas um senso crítico que as impeça de receber as fortalezas lançadas continuamente nesses lugares. Qualquer cristão sincero e que estude fielmente a Bíblia e a história da Reforma irá encontrar sérias contradições entre o que hoje é chamado de protestantismo e aquilo que foi pejorativamente denominado protestante no século XVI. As diferenças gritantes, ao contrário do que afirmam alguns, não são irrelevantes, pois se tratam da essência e do âmago da Fé que protestou contra o papado e as aberrações deste. Ora se algo perde sua essência, isto significa que perdeu também sua identidade. Já pensou se Deus perdesse sua essência? Simplesmente não seria mais Deus. Assim também se o protestantismo perdeu sua essência e valores, logo deixou de ser protestantismo para ser qualquer outro “ismo” por aí.

      Mencionar a Reforma exigiria da parte de certas lideranças o compromisso de assumir o risco de perder membresia para o estudo e meditação de assuntos que realmente são importantes para a Igreja. Na grande maioria das denominações pentecostais, e porque não dizer 99,9 % delas, predomina o antropocentrismo doente, o humanismo sofista que leva as pessoas a procurarem antes de tudo o seu próprio bem-estar. Não vemos essas denominações pregando as doutrinas da Graça de Deus como eleição, justificação, etc. Alguns talvez digam: Ah, isso é calvinismo! Ora então Lutero era calvinista, pois falou reinteiradas vezes sobre esses temas. Não amados, esses temas não são meramente calvinistas, esses eram os temas que se pregavam nos púlpitos comprometidos unicamente com a pureza do evangelho. Os púlpitos que priorizavam o genuíno evangelho. Um pastor que de fato é protestante não importuna a congregação com mensagens que alisam o ego humano, que induz o povo a uma busca por prosperidade e curas nem nada que seja material e temporário, antes os púlpitos protestantes falam de coisas eternas, ensinam como ajuntar tesouros nos céus e apontam aos pecadores qual é o caminho da salvação, ensinando-lhes a baterem na porta dos Céus implorando para serem aceitos por Deus e sua misericórdia!
Quando se faz simpósios e congressos pentecostais quais são os temas que abordam? “Vida Vitoriosa”, “Festival de Maravilhas”, “Fogo para o Brasil”, as palavras que vejo saindo dos lábios de muitos pregadores são: Cresça, conquiste, prospere, determine, profetize, grite, pule, não aceite, apareça, se engrandeça e etc. Ao invés disso deveriam dizer: Se prostre ante a majestade e soberania do Eterno, humilhe-se na presença de Deus para que ele a seu tempo vos exalte. A Igreja hoje têm perdido o sentido do que vem a ser o evangelho da humilhação. As falsas experiências sobrenaturais estão destruindo a pureza do evangelho, as visões, profecias, línguas, curas, idas ao céu e ao inferno, combates contra demônios e toda a sorte de mentiras usando as Escrituras têm prevalecido e construído uma das fortalezas mais difíceis de derrubar. E tais líderes perceberam que sem essas coisas não é possível construir grandes impérios mercantilistas travestidos de congregações e igrejas. Precisamos continuar a Reforma!

      A Reforma traz à lume uma visão de Deus muito desagradável. Não pensem que foram bons motivos que levaram alguns apóstatas a abandonarem os princípios da Fé Protestante e criarem os seus próprios. O que acontece é que o pensamento reformado reconheceu a centralidade de Deus em todas as coisas, colocando o homem em último plano. Isso pode ser muito desagradável para alguns. Imaginar que suas vidas estão sendo controladas e convergindo num plano maior do qual eles não têm como saber de que forma irá terminar ao certo, pode parecer muito frustrante. A vontade de possuir o controle de tudo é o dínamo que move o homem em direção a rebeldia contra a soberania de Deus. Falar em Reforma é falar em Deus soberano. Deus soberano é o mesmo que homem incapaz e homem incapaz é o mesmo que ferir o orgulho com qual muitos se exaltam em afirmar que podem frustrar os planos e desígnios de Deus deixado-os a mercê de suas torpes decisões.

Um pentecostal jamais irá admitir plenamente a soberania de Deus, pois sua cosmovisão distorcida da realidade o leva a questionar a justiça e benignidade do Eterno julgando-os por seus próprios conceitos de justiça e retidão. Sendo assim, para muitos este é um assunto que deve permanecer em secreto, e se mencionado que se faça superficialmente para que não se desperte a curiosidade do povo e não os faça pesquisar mais sobre o mesmo e dessa forma questionar as coisas que tem aprendido rotineiramente nos “cultos de fogo”. Vejo todo esse panorama com profunda semelhança à questão dos fariseus e doutores da Lei, os quais impediam as pessoas simples de tomarem conhecimento da verdade surrupiando-lhes a chave do conhecimento. Talvez a história hoje seja a mesma, mudando-se apenas os protagonistas.

“Ai de vós, doutores da lei! porque tomastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes aos que entravam” (Lucas 11.52).


Pr. Samuel

8 comentários:

Vitória disse...

Eles não querem que outros conheçam justamente por isso: para não questionarem as heresias que o neopentencostalismo têm levado para dentro das Igrejas. Não aceitam a sã doutrina, porque esta não possibilita que tenham ganhos, que tirem vantagem dos que ignoram o verdadeiro evangelho, que é Cristocêntrico. Pra que ensinar, se isso não dará vantagens? Para eles é melhor manter os fiéis ignorantes.

Samuel Balbino disse...

Certamente irmã Vitória, e obrigado pelo comentário. Os falsos líderes que hojem estão por aí destilando seu veneno querem mais que as pessoas permaneçam vuneráveis a ele. Uma vez que dessa forma podem obter lucro em cima disso. É triste, mas quando você chega mostrando a verdade és tachado de heregem, de incrédulo e etc. Porém, se chegas distorcendo as Escrituras e comercializando a palavra de Deus és bem recebido e bem querido. Precisamos de uma Nova Reforma!.

Ricardo Luis Ferreira disse...

Irmão Samuel, a Paz de Cristo.
Contundente teu artigo, mas concordo ser necessário... eu creio na atualidade dos dons do Espírito, mas não me considero "pentecostal"... aliás, sinto repulsa por muitas aberrações que surgem a cada dia nesse movimento tão contraditório, e para mim pentecostal e neo-pentecostal são a mesma coisa, esse termo foi uma infeliz tentativa daqueles se diferenciarem desses, mas no fim um alimenta o outro... e olha que são palavras vindas de um irmão que congrega em uma Assembléia de Deus... É triste ver como a essência do Evangelho Genuíno está se perdendo... Mas tenho um contraponto em relação ao teu texto... para um tradicionalista eu sou considerado como pentecostal (embora eu mesmo, como já disse, não me considere assim), logo dizer que: "um pentecostal jamais", é uma generalização desnecessária... eu creio na Soberania de Deus e em no Evangelho da Humilhação! e muitas vezes fico indignado com certas palavras vindas dos púlpitos pentecostais e procuro fazer das minha pregações o "anti-fluxo" dessa mentalidade... O "maior erro" é quando estamos de fora e não conhecemos a fundo uma situação, com isso quero dizer que, embora ainda sejam poucos, existem irmãos dentro desse movimento que estão "pensando" e criticando todo esse "paradigma enraizado"... obviamente que os expoentes do pentecostalismo tentam abafar esses irmãos mas, não foi assim que a Reforma começou??? e não me refiro somente a Reforma em si, mas também aos pré-reformadores que foram preparando o "cenário" para a entrada de Lutero e os outros reformadores... para finalizar meu comentário, quero dizer que concordo e muito em que devemos lembrar da Reforma, pois sem ela não teríamos chegado até aqui... e também concordo de que ela é esquecida entre os pentecostais, infelizmente... mas ainda tem aqueles (meu caso por exemplo) que procuram não esquecer-se e ainda fazem questão de trazer à memória do máximo de irmãos possíveis... Pode ser que eu não consiga ver a mudança, mas estou fazendo a minha parte.

Fraternalmente,
Ricardo Luis Ferreira
SIGO O CAMINHO
http://sigocaminho.blogspot.com/

Samuel Balbino disse...

Graça e paz irmão Ricardo!

Fico feliz pelo seu comentário. Tenho a dizer as seguintes palavras. Para ser considerado um pentecostal é necessário que você acredite no falso avivamento que teoricamente teria ocorrido na Rua Azuza. Se você crê nessa história, então de fato és um pentecostal. Sobre a continuidade dos dons, é necessário que fique claro que Cessão se refere aos dons cujo carater é meramente revelacional, estes já cumpriram o seu papel na era apostólica, não sendo mais necessários hoje. O mesmo não podemos dizer dos demais dons, que são fundamentais hoje na edificação do corpo de Cristo. Agora, vejo com muito entusiasmo a sua compreensão acerca do que postei e imagino que deve ser revoltante está em um denominação pentecostal e ver todas as malandragens que acontem lá com o pretexto de serem manifestações epirituais. Rompi com tudo isso a 8 anos atrás, e peço a Deus que te mova nesse rompimento também.
Se empenhe por divulgar a importância da Reforma, não só historicamente, mas demonstrando que os ensinamentos que esse evento trouxe devem continuar sendo proclamados à plenos pulmões. Talvez, como você disse, não vejamos logo de imediato alguma mudança, mas tenha certeza que ela está acontecendo sim, e o Senhor há de levá-la a bom termo.

Soli Deo Gloria!

Filipe Ivo disse...

Muito boa a postagem Samuel , que Deus continue abençoando a sua vida ricamente .

Abraços
FIQUE NA PAZ
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Novo post lá no blog
''Porque que Deus permanece ainda invisíve''

www.chamadosdedeus.com/blog

Ricardo Luis Ferreira disse...

Paz de Cristo.

Sobre o "avivamento" da rua Azuza, não concordo que foi falso, mas também não sou ingênuo para achar que foi a partir dali que tudo começou; como também não acredito "cegamente" que tudo foi "belo" em relação a Reforma, para mim onde tem seres humanos sempre terá alguma imperfeição. Quanto a definição de "pentecostal", como já disse antes, para mim não é importante como os de fora me definam, e sim como eu me defino; escrevi uma vez sobre isso em um artigo chamado O CAMINHO http://sigocaminho.blogspot.com/2009/10/o-caminho.html
Será que só existe duas "correntes" para seguir? Creio que possa haver uma "moderada", não sou extremista, penso que em ambas há coisas muito boas para seguir, como também outras para deixar de lado. Sigo o que Paulo escreveu em 1ªTessalonicenses 5.21: "Examinai tudo, retende o que é bom."

Fraternalmente...
Ricardo Luis Ferreira
SIGO O CAMINHO
http://sigocaminho.blogspot.com/

Filipe Ivo disse...

Vou pegar , este e levar lá no blog
www.chamadosdedeus.com/blog , colocando as fontes.

Jean Patrik disse...

Paz do Senhor amados!

Acredito que pela minha saldação vocês tenha percebido que sou pentecostal.
Acredito que o motivo de não falarmos ou enfatizarmos sobre a reforma é muito simples. Recentemente disse para o Dr. Augustus que eu era um arminiano reformado, ele disse que isso seria impossivel. Eu sabia qual seria a sua posição, em nos desconsiderarmos como reformados, então se não podemos nos considerarmos reformados para que comemorarmos uma data em que seus lideres nos exclui e ainda falam ser heresia, isso está no sinodo de Dort.
Infelizmente pelo que vejo ai em cima não serei salvo, pois faço parte de uma seita ou de um evangelho antropocêntrico, o que uma mentira sem vergonha.

Clik no meu nome e saiba mais.

Jean Patrik