27 de janeiro de 2011

Série Cinco Solas - Sola Scriptura



Inicio agora uma série de postagens sobre os cinco solas da Reforma.


“Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solo Christos, Soli Deo Gloria”

É uma expressão em latim que ficou conhecida como o lema dos reformadores que reivindicavam o retorno urgente às Escrituras e a genuína pregação da palavra de Deus. No intuito de promover uma fé sadia e um cristianismo autêntico, submisso apenas a autoridade real de Cristo, eles idealizaram o que podemos chamar de máxima da reforma. São cinco elementos que deveriam caracterizam a genuína Igreja de JESUS Cristo. Então, chegou-se a seguinte conclusão: Somente a Escritura, somente a graça, somente a fé, somente Cristo, somente a Deus a glória!

Sola Scriptura – Somente a Escritura
A Igreja antes da Reforma via-se inundada por um mar de erros teológicos e morais. O estado era subjugado pelo clero de tal maneira que até comparavam os papas aos antigos imperadores romanos. O luxo do qual desfrutavam chegava a níveis absurdos. Diante desta situação Lutero se insurgiu e desafiou toda a autoridade papal e eclesiástica da época. Uma das coisas pelas quais ele lutou foi a supremacia das Escrituras. Naquele tempo a Bíblia era vedada às pessoas comuns. Apenas os sacerdotes papistas tinham acesso a estudar a palavra de Deus. Na missa a Bíblia era lida de costas para o povo, e em latim; não havia tradução na língua materna dos ouvintes. Dessa forma não havia ensino nem exortação, e as pessoas ficavam à mercê do que o pároco queria dizer e pronto; elas não tinham como saber sequer o que estava sendo lido. 

Lutero defendeu a livre interpretação das Escrituras e o livre acesso delas a todas as pessoas, mesmo as que possuíssem pouca ou nenhuma instrução. Razão pela qual traduziu as Escrituras do latim para a língua alemã, o alemão simples, falado pelas donas de casa e pelo camponês. Para ele, colocando a palavra escrita de Deus nas mãos das pessoas, agora elas poderiam examiná-las e estudá-las, conferindo se o que o sacerdote dizia no púlpito estava, de fato, crivado pelas sagradas letras.

Não bastava apenas ter livre acesso a Bíblia, ela também deveria ser reconhecida como única autoridade e regra de fé. Havia no sistema romano (e até hoje) a estúpida ideia de que a tradição e o magistério da igreja, ou seja, seus líderes, também possuem o mesmo nível de autoridade que a Escritura. As decisões tomadas pelos concílios e as interpretações feitas pelo papa deveriam ser acatadas com a mesma submissão que é devida à Bíblia. Alegavam a infalibilidade papal, ou seja, o papa não pode errar e nem induzir a igreja ao erro. A Reforma nos ensinou que somente a Escritura encerra todo o propósito de Deus para o homem. Nela está suficientemente relatada a vontade divina quanto à salvação dos pecadores e o modo pelo qual devemos viver para agradar a Deus. Não há necessidade de outra fonte além da Escritura, e nenhum outro livro é tão importante quanto ela.  É bem verdade que durante o processo de Reforma foram redigidas algumas confissões de fé que são, na verdade, resumos daquilo que consideramos ser uma interpretação saudável e coerente do texto sagrado, porém isso não significa que tais confissões sejam definitivas ou inerrantes. Na Confissão de Westminster, lemos:

“Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, ... todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática... A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é apalavra de Deus... O Velho Testamento em Hebraico... e o Novo Testamento em Grego. ... sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal... O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura”. (CFWM).
Veja que o texto atribui toda a autoridade à Bíblia. Ele não arroga para si o peso de escritura inspirada, como faz a tradição e os escritos papais, que cometem o absurdo de até mesmo sobrepujar o que foi dito por Cristo e registrado pelos apóstolos, pois afirmam possuir tal direito.

Quando a Bíblia é retirada de seu lugar de honra, caímos nos erros que a Sé romana impôs ao longo de séculos. As doutrinas dos homens são introduzidas dissimuladamente  para enganar os eleitos. Um exemplo prático disso é o ensino do purgatório. Não existe nada nas Escrituras sobre esse possível lugar onde as almas receberiam uma segunda chance. Mas essa falsa doutrina foi inventada para sustentar o comércio de indulgências, no qual pagava-se para obter o perdão dos pecados. O maior vendedor de indulgências, e contemporâneo de Lutero, era Juan Tetzel. Ele dizia que quando uma moeda caia em sua sacola, uma alma saia do purgatório e entrava no paraíso. Por que as pessoas sofriam isso? Primeiro, porque não podiam contestar, pois não tinham acesso a Escritura para confrontar os ensinos que recebiam; e segundo, porque todas as decisões do clero eram recebidas como infalíveis e, portanto, o mesmo que Deus falando na terra. Vemos, então, que a Reforma foi fundamental para mudar radicalmente essa mentalidade. Hoje, o que o papa diz (para nós que não nos submetemos à sua autoridade) não tem qualquer relevância.

A Bíblia, e somente ela, é infalível. As Escrituras são a nossa única regra de fé, e não a tradição engendrada por concílios e homens corruptos, sem o mínimo de reverência e temor de Deus. O Rei Davi disse em dos seus salmos:

“Também levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos, que amo, e meditarei nos teus estatutos” (Salmo 119.48).
Ele estava se referindo às Escrituras Sagradas e não às tradições ou invencionices, maliciosamente formuladas por homens que se consideram os substitutos de Deus na terra.

Quando interpelado sobre suas posições, Lutero afirmou:


“É impossível retratação, a não ser que me provem que estou laborando em erro, pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão evidente; não posso confiar nas decisões dos concílios e dos Papas, pois é evidente que eles não somente têm errado, mas se têm contradito uns aos outros. Minha consciência é cativa da Palavra de Deus, e não é seguro nem honesto agir-se contra a consciência. Assim, que Deus me ajude. Amém”.

Apesar disso, infelizmente, vemos que a Igreja está caindo novamente nos mesmos erros do passado. Agora ao invés de dar crédito à tradição, ela quer dar status a revelações, experiências pessoais e fenômenos, abandonando mais uma vez a simplicidade das Escrituras. Graças, porém, a Deus, que quando coisas assim acontecem, ele providencia um remanescente que não se dobra diante desses equívocos, assim como no tempo de Lutero. Esse remanescente é composto por todos os que abraçam a genuína pregação do Evangelho de Cristo; reconhecem a soberania de Deus e a sua inerrante Palavra como sendo a única regra de fé e conduta para o viver cristão.







Pb. Samuel


2 comentários:

Vivendo pela Palavra de Deus!!! disse...

Pr. Samuel,assim como a Igreja antes da Reforma se via inundada por um mar de erros teológicos, estamos vivendo isso hoje, mas como o sr ressaltou e a própria historia da igreja é testemunha que diante de tantos absurdos sempre existem os remanescentes. Oremos para que Somente a Escritura, somente a graça, somente a fé, somente Cristo, somente a Deus a glória, seja presente entre nós. Que o Senhor te fortaleça cada dia para prosseguir. Uma boa noite

Eneas Lara disse...

Pr. Samuel os verdadeiros filhos de Deus hoje assistem passivamente as heresias doutrinárias que se espalham por ai.É preciso que levantemos para defender a Sâ doutrina da graça, porque Paulo orientou-nos a zelarmos da doutrina. Eu peço a Deus que ti de forças para ser uma vóz altissonante a proclamar a fiel palavra do Senhor. Fique com Deus