27 de janeiro de 2011

Posted by Samuel Balbino | File under : , , , , ,

Inicio agora uma série de postagens sobre os cinco solas da Reforma.
“Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solo Christos, Soli Deo Gloria”
É uma expressão em latim que ficou conhecida como o lema dos reformadores que reivindicavam o retorno urgente às Escrituras e a genuína pregação da palavra de Deus. No intuito de promover uma fé sadia e um cristianismo autêntico, submisso apenas a autoridade real de Cristo, eles idealizaram o que podemos chamar de máxima da reforma. São cinco elementos que deveriam caracterizam a genuína Igreja de JESUS Cristo. Então, chegou-se a seguinte conclusão: Somente a Escritura, somente a graça, somente a fé, somente Cristo, somente a Deus a glória!

Sola Scriptura – Somente a Escritura
A Igreja antes da Reforma se via inundada por um mar de erros teológicos e administrativos. Tinha mais caráter de estado do que religião, alguns chegavam a comparar os papas aos antigos imperadores romanos. O luxo do qual o clero desfrutava chegava a níveis absurdos e tolos. Diante desta situação, Lutero se insurgiu e desafiou toda a autoridade papal e eclesiástica da sua época. Uma das coisas pelas quais ele lutou foi pela supremacia da Escritura. Naquele tempo a Bíblia (todos sabemos disso) era vedada as demais pessoas. Apenas o clero tinha acesso a estudar a palavra de Deus. Na missa a Bíblia era lida de costas para a igreja e em latim, não havia tradução na língua materna dos ouvintes. Dessa forma não havia ensino, não havia exortação, as pessoas ficavam à mercê do que o sacerdote queria dizer e pronto, elas não tinham como saber se  o que estava sendo pregado estava ou não de acordo com a palavra de Deus.
Lutero defendeu a livre interpretação das Escrituras e o livre acesso delas a todas as pessoas, independente de possuírem pouca ou nenhuma instrução. Razão pela qual traduziu as Escrituras do extinto latim para a língua alemã, mas não o alemão erudito falado pelos filósofos e intelectuais, mas o alemão simples, falado pelas donas de casa, pelos operários, pelo simples camponês. Colocando a palavra escrita de Deus nas mãos das pessoas, agora elas podiam examiná-las e estudá-las, e conferirem se o que o sacerdote dizia no púlpito estva de fato crivado pelas sagradas letras.
Não bastava apenas ter livre acesso a Bíblia, ela também deveria ser reconhecida como única autoridade e regra de fé. Havia no sistema romano (e até hoje) a estúpida idéia de que a “tradição da igreja” também possui o “status” de Escritura. As decisões tomadas pelos concílios e as interpretações feitas pelo papa deveriam ser acatadas com a mesma submissão que é devida à Bíblia. Alegavam a infalibilidade papal, isto é, o papa não pode errar e nem induzir a igreja ao erro.
A Reforma nos ensina que somente a Escritura encerra todo o propósito de Deus para o homem. Nela está suficientemente relatada a vontade divina quanto à salvação dos pecadores e o modo pelo qual devemos viver para agradar a Deus. Não há necessidade de outra fonte se não a Escritura, e nenhum outro livro é tão importante quanto ela. Na Confissão de Westminster, lemos:
Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, ... todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática... A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida,não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é apalavra de Deus... O Velho Testamento em Hebraico... e o Novo Testamento em Grego...,sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal... O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura”.(I, 2,4,8,10).
Quando a Bíblia é retirada de seu lugar de honra, cai-se nos erros que a igreja romana impôs ao longo de séculos. As doutrinas dos homens são introduzidas dissimuladamente e astuciosamente para enganar os eleitos. Um exemplo disso é o ensino do purgatório. Não existe nada nas Escrituras sobre esse possível lugar onde as almas receberiam uma segunda chance. Mas essa falsa doutrina foi inventada para sustentar o comércio de indulgências, onde se pagava para se obter o perdão dos pecados. O maior vendedor de indulgências e contemporâneo de Lutero era Juan Tetzel. Ele dizia que quando uma moeda caia em sua sacola, uma alma saia do purgatório e entrava no paraíso. Por que as pessoas sofriam isso? Primeiro porque não podiam contestar, pois não tinham acesso a Escritura para confrontar esta aberração, e segundo porque todas as decisões do clero eram recebidas como infalíveis e eram o mesmo que Deus falando. Vemos então que a reforma foi fundamental para mudar radicalmente essa situação, hoje o que o papa diz (para nós que temos a mente revelada por Deus) não passa de asneiras e tolices.
A Bíblia, e somente ela, é infalível. As Escrituras são a nossa única regra de fé, e não a tradição engendrada por concílios e homens corruptos, sem o mínimo de reverência e temor de Deus. O Rei Davi disse em dos seus salmos:
“Também levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos, que amo, e meditarei nos teus estatutos” (Salmo 119.48).
Ele estava se referindo às Escrituras Sagradas e não às decisões maliciosamente formadas por homens que se consideram os substitutos de Deus na terra.
Quando interpelado sobre suas posições, Lutero afirmou:
É impossível retratação, a não ser que me provem que estou laborando em erro, pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão evidente; não posso confiar nas decisões dos concílios e dos Papas, pois é evidente que eles não somente têm errado, mas se têm contradito uns aos outros. Minha consciência é cativa da Palavra de Deus, e não é seguro nem honesto agir-se contra a consciência. Assim, que Deus me ajude. Amém”.

Hoje infelizmente vemos que a Igreja está caindo novamente nos mesmos erros do passado. Agora ao invés de dar crédito à tradição, ela quer dar “status” a revelações, experiências espirituais, fenômenos e mais uma vez abandona a simplicidade das Escrituras. Mas graças a Deus que quando coisas assim acontecem, ele providencia um remanescente que não se dobra diante desses equívocos, assim como no tempo de Lutero. E este remanescente somos nós, os que abraçamos a Fé Reformada, a genuína pregação do Evangelho de Cristo, nós os que reconhecemos a soberania de Deus e a sua inerrante Palavra como a única regra de fé e conduta para o viver cristão.

Aqueles que têm a mente de Cristo, confessam com grande alegria: Somente a Escritura!

Pr. Samuel

2 comentários:

Vivendo pela Palavra de Deus!!! disse...

Pr. Samuel,assim como a Igreja antes da Reforma se via inundada por um mar de erros teológicos, estamos vivendo isso hoje, mas como o sr ressaltou e a própria historia da igreja é testemunha que diante de tantos absurdos sempre existem os remanescentes. Oremos para que Somente a Escritura, somente a graça, somente a fé, somente Cristo, somente a Deus a glória, seja presente entre nós. Que o Senhor te fortaleça cada dia para prosseguir. Uma boa noite

Eneas Lara disse...

Pr. Samuel os verdadeiros filhos de Deus hoje assistem passivamente as heresias doutrinárias que se espalham por ai.É preciso que levantemos para defender a Sâ doutrina da graça, porque Paulo orientou-nos a zelarmos da doutrina. Eu peço a Deus que ti de forças para ser uma vóz altissonante a proclamar a fiel palavra do Senhor. Fique com Deus