11 de janeiro de 2011

Posted by Samuel Balbino | File under : , ,




“A mim, o menor de todos os santos me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insodáveis riquezas de Cristo” (Efésios 3.8).

Os católicos romanos dizem que Pedro foi o maior de todos os apóstolos, afirmam que foi ele o primeiro papa.  Desvarios à parte, nós temos evidências que Paulo sim foi o maior de todos os apóstolos. Dos 27 livros que compõem o Novo Testamento, 14 foram escritos por ele. As suas cartas são verdadeiros manuais para o cristianismo e a maior influência para os Reformadores tais como Lutero e Calvino. Paulo foi convertido pelo próprio Jesus ressurreto, foi o homem que mais sofreu pelo evangelho, até o ponto de completar as aflições de Cristo em seu corpo. Não podemos negar que boa parte de tudo o que hoje nós confessamos por fé veio dos ensinos paulinos. Este homem influenciou grandemente até mesmo os outros apóstolos em sua época.
Paulo enfatizou muito a palavra “graça” (kharis gr.), que significa um favor imerecido, algo que se obteve sem esforço e sem merecimento algum. Quando eu medito na história desse apóstolo me deparo com um mistério um pouco negligenciado por muitos, como Paulo pôde ser quem foi? Não estou negando a importante obra realizada pelos demais discípulos do Senhor como Pedro, Thiago, João, eles exerceram suas funções e ministérios com grande avidez e sucesso, mas nada se compara a trajetória de “Paulo de Tarso”, que de perseguidor tornou-se perseguido.
Em seu tempo, ele foi o que hoje poderíamos considerar um doutor em teologia, um pensador religioso. Paulo teve uma das melhores formações rabínicas da época, educado por Gamaliel, famoso rabino fariseu. É mais surpreendente que um homem letrado e culto deixasse de lado todo o conhecimento humano que obteve em anos de estudo para se dedicar a uma nova revelação começada por simples analfabetos da Galiléia. Em outras palavras, era a coisa mais inesperada do mundo, mas Deus assim fez para mostrar a sua soberania.
Paulo, o apóstolo das revelações – Sem dúvida alguma o apóstolo Paulo recebeu inúmeras revelações vindas de Deus. Ele nasceu no cristianismo por meio de uma revelação. Isto nos mostra quão importante era a sua vida nos desígnios de Deus, através dele o Senhor mostrou o seu evangelho pleno.
“Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de satanás para Deus, a fim de que recebam eles a remissão de pecado e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (Atos 26.16-18).
JESUS apareceu a Paulo muitas outras vezes, e lhe expôs as verdades que ele tanto pregou em seus sermões e nas suas cartas. Imagine como você ficaria se recebesse tal responsabilidade do próprio Deus. Certamente um pouco confuso logo no começo. E o que os outros diriam a seu respeito? Paulo enfrentou  um certo preconceito dos outros apóstolos, e com razão, talvez eles pensassem: Por que Jesus apareceria a você? Nós convivemos com ele 3 anos, por que ele escolheria você? Foi um pouco difícil para ele ser aceito. Mas isso não o impediu de transmitir as revelações que recebia.
Paulo nos fala indiretamente que ele foi arrebatado ao terceiro céu e ouviu palavras inefáveis (2ª Coríntios 12.1-5). Você já pensou o peso que tem isso? Ele foi a única pessoa que foi ao céu e voltou de lá, isso explica a razão da grandeza desse apóstolo. Quanto ao evangelho que ele pregava, Paulo diz:
“Faça-vos, porém, saber irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo” (Gálatas 1.11,12).
Paulo nos está dizendo que o que ele pregava não foi ensinado em todos os anos em que ele viveu aos pés de Gamaliel, e nem mesmo foi ministrado por qualquer um dos outros apóstolos, mas foi exclusivamente mediante a revelação do próprio Jesus Ressucitado. Então, quando lemos as explanações de Paulo, estamos lendo mistérios que antes estavam ocultos para todos, mas que através dele vieram à tona.
“...mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória” (1ª Coríntios 2.7).
“Por esta causa eu, Paulo, sou prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós gentios, se é que tendes ouvido a respeito da dispensação da graça de Deus a mim confiada  para vós outros; pois segundo uma revelação, me foi dado a conhecer o mistério...” (Efésios 3.1-3).
Paulo, o apóstolo da Graça – É  uma palavra abundante no vocabulário paulino, ele começa as suas cartas dizendo “graça e paz” (esta é a saudação cristã e não a paz do Senhor, simplesmente). Para o apóstolo a graça é o centro de toda a alegria do cristão, pois ser escolhido e salvo sem nenhum mérito é algo maravilhoso de mais, isto resulta em um pequeno louvor feito por ele onde diz:
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insodáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33).
Na sua linguagem nós sempre podemos notar que ele se refere a ela como um presente de Deus, uma demonstração de amor e misericórdia absoluta.
“Pelo qual recebemos graça e apostolado, para a obediência da fé entre todos os gentios pelo seu nome” (Romanos 1.5).
“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Efésios 2.4,5).
Quem jamais pode falar em graça sem citar Paulo? Ele bem entendia do assunto. O apóstolo reconhece que só foi chamado pela misericórdia de Cristo.
“A mim que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz na ignorância e na incredulidade. E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé que e amor que há em Jesus Cristo” (1ª Timóteo 1.13,14).
“Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer, e me chamou por sua graça, aprouve revelar seu filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios...” (Gálatas 1.15,16).
Paulo, o apóstolo para os gentios – Poderia se esperar que naquele tempo um judeu tivesse tanto amor pelos gentios? Os gentios eram discriminados, impedidos de participar da adoração no templo e considerados  imundos, no entanto, Paulo devotou toda a sua vida a nós, sofreu para poder pregar o evangelho aos gentios.
“Por esta causa sou prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós gentios...” (Efésios 3.1).
“Dirijo-me vós outros, que sois gentios! Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério” (Romanos 11.13).
Vejam o orgulho com o qual o apóstolo se identifica conosco. Isso só pôde acontecer após a mudança efetuada pelo Espírito Santo em seu coração, entregando-se totalmente à missão que foi comissionado.
Paulo é um exemplo para qualquer pastor e pregador de hoje e de qualquer tempo. Foi profeta, mestre, evangelista, esteve entre os pobres, entre os ricos, entre os sábios e entre os ignorantes, tudo isso para pregar o evangelho a todos quanto tivesse oportunidade. Trabalhou para se sustentar e não ser pesado à Igreja (coisa muito rara hoje), muitas vezes passou fome e escassez, e isso nunca o impediu de continuar pregando, até mesmo mais do que os outros apóstolos:
“Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles, todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1ª Coríntios 15.10).
Foi abandonado muitas vezes, sofreu enfermidades, esteve em solidão, mas ao fim da vida pode dizer:
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2ª Timóteo 4.7).
Se há uma coisa da qual todo servo de Deus deve almejar ter no fim da vida, é poder repetir com satisfação essas palavras de Paulo. Quem quer ser útil no Reino de Deus e cumprir o mandado de nosso Senhor, deve se esmerar em ser como Paulo, e ele mesmo nos manda isso “sede meus imitadores”.
A minha oração a Deus não poderia ser outra que não esta: Senhor, nos ajude a ter a ousadia e força do apóstolo Paulo. Que em nossos dias todos possamos ser “pequenos Paulos” a anunciar a tua palavra seja qual for a situação, boa ou muito ruim, honrosa ou humilhante. Que possamos ter tanto amor pelas almas quanto ele teve, e que possamos ser tão úteis ao Senhor como ele foi e é até hoje. Amém!

Pr. Samuel

2 comentários:

Eri Meier disse...

PR.SAMUEL

PARABÉNS PELA REFLEXÃO SOBRE A VIDA E OBRA DO APÓSTOLO PAULO - APÓSTOLO DOS GENTIOS.
QUE DEUS TE ABENÇOE A CADA DIA EM SEU MINISTÉRIO E SUA CAMINHADA COM CRISTO.

EM CRISTO

ERI MEIER

Gustavo Oliveira disse...

Sem dúvida um maravilhoso testemunho, um grande exemplo de como se perder pra se ganhar. Revelação igual a cerca do invisível somente a que João teve em Patmos.

Sem Lei não há crime nem pecado. Graça e Paz!!!