28 de janeiro de 2011

Posted by Samuel Balbino | File under : , , , , ,

A Graça de Deus é a razão pela qual estamos aqui até hoje. Não é possível admitir que uma Igreja séria não pregue não viva e não creia na Graça Divina. Os reformadores entenderam que o homem nasce totalmente desprovido de qualquer disposição a favor de Deus. Isto fica claro nas palavras do apóstolo Paulo, quando diz:
“Não há justo, nem um se quer; não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um se quer” (Romanos 3.10-12).
Neste estado o ser humano é um necessitado urgente da Graça de Deus. Ao afirmarmos que Somente a Graça, estamos dizendo que ela é a única e eficaz causa da salvação”. Absolutamente nada do que possamos fazer em termos de obras ou ação, servirá para nos tornar merecedores de algo da parte de Deus.
Incrivelmente não era o pensamento da Igreja, e não é até os dias de hoje. A Igreja Católica crê que os homens possuem livre arbítrio, e que são sim capazes de fazer escolhas boas em relação ao seu futuro eterno. Segundo os teólogos católicos, o ser humano não se encontra totalmente corrompido, ou seja, o pecado de Adão não causou tanto estrago com pensamos. Assim sendo, ele pode por meio da sua própria razão, conhecer a Deus. Eles concordam que o pecado existe, mas que mesmo assim o homem ainda é capaz de ter o controle sobre sua vontade, ainda que se sinta extremamente atraído para o mal.
A salvação seria administrada pela igreja, com o uso dos sacramentos, dessa forma a graça é obtida. Isto é um equívoco, pois acaba condicionando-a as obras praticadas. Além do que, é necessário primeiro o homem ser considerado digno de recebê-la. Isto não é graça! Paulo diz claramente:
“Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não de obras, para que ninguém de glorie” (Efésios 2.8).
Se a salvação, em qualquer instância dependesse de nós, anularia totalmente esse versículo. A graça já não seria graça. Nós não podemos merecer através de penitências ou qualquer outra coisa, o dom gratuito de Deus.
"Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador" (Tito 3:3-5).
A Bíblia assegura categoricamente que somos salvos pela misericórdia divina, o homem não é capaz nem se quer de cooperar com ela, que dirá de alcançá-la. Mas a idéia que se tinha, era que o homem também deveria fazer sua parte para ser aceito por Deus, é como se diz hoje: 50 % é nosso, e 50% é de Deus. Não! A Bíblia não ensina isso, ela diz “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia”.
A Graça de Deus é como quando recebemos um presente de alguém a quem ofendemos muito ou alguém a quem fizemos muito mal. É uma surpresa, recebemos um ótimo presente sem merecê-lo. Se isto acontecesse pensaríamos: Mas por que recebi isso, eu tenho sido mal, rude, tenho ofendido a essa pessoa e ao invés dela me odiar, ela me presenteia? Isto é graça! Agora, se por outro lado, usando o mesmo exemplo, se nós fôssemos a essa tal pessoa antes de tudo, e pedíssemos perdão, conversássemos, fizéssemos as pazes, e só depois ela nos desse um presente, isto não seria graça, você estaria merecendo aquilo, pois você mesmo tomou a atitude de se reconciliar com ela primeiro, ela então retribuiu. É assim que alguns imaginam que acontece com Deus, nós primeiro temos que fazer por onde, ai Deus vem e nos concede sua graça. Isto é tão absurdo quanto tolo.
Antes da Reforma as pessoas eram ensinadas a se sacrificarem muito para receberem a salvação, pois eram ensinadas que as boas obras também influenciavam nesse processo. Não nego que as boas obras devem estar na vida do cristão, mas somente como conseqüência da salvação, e não como condição para recebê-la. Hoje temos visto um retorno a essa heresia por parte de alguns protestantes. Lamento que muitos estejam abandonando a verdade sagrada para dar razão à sua própria concepção de justiça. Quando olhamos para a Graça de Deus, só podemos atentar sua grandeza e amor. Se quisermos explicá-la em termos humanamente justos teremos sérios problemas. Nos basta o que a Escritura diz, “pela graça sois salvos”. Os Reformadores foram iluminados por entenderem quão preciosa é a Graça de Deus, quão eficaz ela é. Somente a Graça pôde conceder salvação ao homem, não foram os seus próprios esforços ou méritos, porque ele não os tem, e nem pode obtê-los. Quem tem a ousadia de alegar que merece a salvação porque tem sido bonzinho? Quem cometeria a insanidade de questionar a decisão de Deus e dizer que é digno de ser salvo porque não mata, não rouba, não se prostitui e não ofende ao próximo? Será que existe algum tolo que queria afirmar: Eu sou uma pessoa justa? Veja o que Deus diz sobre você:
“Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como o vento, nos arrebatam” (Isaías 64.6).
Em contra partida a isso, no Catecismo da Igreja Católica Romana, encontramos o seguinte:
Se o homem pode esquecer ou rejeitar Deus, Deus e que nunca deixa de chamar todo o homem a que O procure, para que encontre a vida e a felicidade. Mas esta busca exige do homem todo o esforço da sua inteligência, a retidão da sua vontade, um coração reto, e também o testemunho de outros que o ensinam a procurar Deus[i]”.
Assim sendo, se espera que o homem busque a Deus por suas próprias forças, com todo o seu esforço, retidão de vontade e coração reto. Ora, exigir todas essas coisas do homem que Paulo descreve em Romanos 3.10-12 é dizer asneiras, é o mesmo que pedir para um deficiente mental escrever um tratado sobre Física Quântica, ou pedir a um cego que descreva o conteúdo de uma pintura exposta em uma parede numa galeria de arte.
Quando excluímos qualquer participação humana no processo de salvação, então atribuímos apenas a Deus toda a glória, pois o apóstolo disse: “para que ninguém se glorie”. Se toda a glória é redundante a Deus, logo só resta a Graça. Se é por graça, não existe méritos (nem anterior e nem posteriormente à conversão). Em seu livro De Servo Arbitrio, Lutero disse algo muito interessante:
“O ensino paulino é perfeitamente claro, não existe tal coisa como mérito humanos aos olhos de Deus, sem importar se esse mérito é grande ou pequeno. Ninguém merece ser salvo. Ninguém pode ser salvo através das obras. Paulo exclui todas as supostas obras do “livre arbítrio”, estabelecendo em seu lugar apenas a Graça Divina. Não podemos atribuir a nós mesmos a menor parcela de crédito para a nossa salvação; ela depende inteiramente da graça divina[ii].” (De Servo Arbitrio, A Escravidão da Vontade).
Eu acredito plenamente na Graça de Deus que operou eficazmente para a minha salvação. E isto sem qualquer participação minha, mas uma obra da absoluta misericórdia Divina. Eu não poderia confessar diferente de Lutero e de Calvino e dos demais reformadores, tenho que concordar: Sola Gratia!


[i] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, Primeira Parte, Primeira Secção, Capítulo Primeiro §30 – Disponível no site do Vaticano – http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html.
[ii] DE SERVO ARBITRIO, MARTINHO LUTERO - Publicado originalmente em 1525, Edição atual publicada sobre o título “Nascido Escravo”, por Cliffor Pond, edição de J. K. Davies – Ed. Fiel, Copyrigth 2007.

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