6 de dezembro de 2010

Posted by Samuel Balbino | File under : , ,

Quero em um tom muito cordial dirigir esse post aos irmãos pentecostais, dos quais fiz parte durante muito tempo, mas devido a discordâncias doutrinárias, me desliguei totalmente do movimento. Não quero ofender nem difamar o movimento pentecostal, apenas quero mostrar alguns equívocos que, considero eu, precisam ser revistos e repensados pelas lideranças brasileiras.
O pentecostalismo é o maior segmento evangélico do Brasil. Mas nem por isso significa que está isento de problemas e corrupções; pelo contrário, quanto maior a dimensão, maiores também serão as complicações. Estou falando de várias denominações, de várias divergências entre o próprio movimento, estou me referindo à fuga de muitos valores conseguidos com a Reforma, e que simplesmente são abandonados “na lata do lixo”. A rapidez com a qual o pentecostalismo se difundiu, também é a velocidade com que se afastou de muitos princípios cristãos importantes. Não posso omitir outro fato interessante que é o de que foram pastores tradicionais (geralmente batistas) que criaram o movimento pentecostal, às vezes cansados da ortodoxia de suas igrejas e pela recusa de grande parte da sociedade em vir ao evangelho, podemos dizer que o pentecostalismo foi um modo de tornar o evangelho “mais atrativo”. O que pode ter trazido um maior número de “ADESÃO”, porém uma qualidade duvidosa na “CONVERSÃO”.
Wiliam Seymour
O pentecostalismo teve seu grande ápice e explosão de 1906 a 1909 com o famoso avivamento da Rua Azuza, quando o pastor Wiliam Seymour fundou a sua própria igreja em um templo abandonado da Igreja Metodista. A ênfase nas curas e milagres, e principalmente na glossolalia (línguas estranhas) como prova do batismo com o Espírito Santo, sacudiu as bases da época. Os jornais chegaram a noticiar que era o aparecimento de uma nova seita fanática. Em 1911 o pentecostalismo chega ao Brasil através dos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, ambos ex-batistas. Tem início assim a Assembléia de Deus, que comemora seu centenário em 2011.
Daniel Berg e Gunar Vingren
Olhemos para pentecostalismo hoje. O que podemos dizer é que ele fez tanto mal quanto bem. Não estranhem eu dizer isso, creio que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso concordará comigo, basta fazermos uma análise dos efeitos de algumas das doutrinas pentecostais na mentalidade cristã.
ACERCA DA SALVAÇÃO – A semelhança de outros grupos, o pentecostalismo é arminiano, ou seja, credita a salvação a uma decisão do homem. Percebi que esse é um ponto inflexível, e dizer o contrário é comprar uma briga feia com eles. Esse foi o ponto no qual mais sofri quando fazia parte desse movimento, pois como os arminianos defendem a “salvação perdível”, então eu vivia em uma espécie de ping-pong, estou salvo, não estou salvo. “Os pentecostais sustentam a salvação da seguinte forma: para que alguém seja salvo é necessário crer em Cristo como seu Salvador, no entanto, para a pessoa se manter salva necessita cumprir certas condições, como o batismo (embora nem todos ensinem que o batismo é necessário para a salvação), uma vida de submissão a Deus, não estar em pecado quando morrer ou quando da volta de Cristo e perseverar até o fim, o que faz, por evidente, ser a salvação um processo, tal processo começa quando alguém crer em Cristo e continua até o fim da sua vida.” (Robert Santos em coletânea de estudos sobre os pentecostais, organizada pelo Pr. Calvin Gardner – www.palavraprudente.com.br). Hoje sei que a Bíblia nunca ensinou isso. Se a salvação do crente se perdesse que obra mais fajuta seria essa que JESUS teria vindo realizar na cruz? O senhor diz: “Eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão; e ninguém as arrebatará das minhas mãos” (João 10.28). Essa promessa é firme é fiel. Nada pode nos tirar das mãos de Jesus, nem o diabo, nem o pecado, absolutamente ninguém, uma vez salvo, sempre salvo! Outra coisa a ressaltar é que dizer que nós é que mantemos a nossa salvação, isso uma grande heresia, nem um dos apóstolos ensinaram tal coisa. A salvação é uma obra exclusiva de Deus, sem qualquer participação nossa, é pela graça (Efésios 2.5).
Certa vez debatendo com o meu cunhado, ele disse: “Ai de mim se não fizer por onde manter minha salvação! Eu não jejue não, e não me santifique não pra ver se eu não vou para o inferno!” Quando ele acabou de fazer essa afirmação, eu retruquei: Pra que você precisa de Jesus então? Repare que esse pensamento torna a vida do cristão insegura, a salvação que ele recebeu não é eterna, e ele nunca tem certeza que subirá aos céus, pois se ele pecar, automaticamente, sua alma já está novamente condenada à destruição eterna. Sem contar que isso também sugere que são as obras que sustentam a salvação, nesse ponto nem quero fazer comentários.
Outra coisa, eu não vejo na Bíblia os apóstolos fazendo apelos para as pessoas aceitarem Jesus, por que? Porque eles não faziam isso. Essa é uma prática sem precedentes bíblicos. Jesus não pode ser oferecido como “cafezinho”: Por favor, aceita? Isso é zombar de Deus. Somos nós que precisamos ser aceitos por ele. Paulo fala em CONFESSAR Jesus, quer dizer, reconhecê-lo como Senhor e crer que ele ressuscitou dentre os mortos. Há pastores que chegam ao cúmulo de dizerem: Vamos lá, dê uma chance a Jesus! Para mim é dizer uma grande asneira.
 
Pr. Samuel - Continua na próxima postagem

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