30 de junho de 2014



Muito superficial é a tentativa, por parte da teoria Pelagiana, de explicar esse fenômeno2 terrível e universal como sendo a imitação de um mau exemplo e a influência de um ambiente mal. De acordo com essa visão, o pecado está sempre apenas no ato; nunca é uma corrupção da natureza humana. A natureza humana é inerentemente boa, isto é, sempre tem o poder de determinar se fará o bem ou o mal. Nesse sentido positivo, a vontade sempre é livre. Não existe nada como uma escravidão ao pecado. A natureza de Adão nunca se corrompeu pela transgressão do mandamento especial de Deus. Adão pode ter se tornado de certa forma fraco. Por causa do seu primeiro pecado, pode ter ficado mais difícil para ele retornar e guardar o caminho da obediência, mas sua natureza não se corrompeu. Toda criança que nasce é inerentemente boa e dotada com uma vontade que pode escolher livremente o bem ou o mal. A natureza, ou caráter moral, de um bebê recém-nascido é como um pedaço de folha branca, na qual alguém pode escrever o que quiser e a qual a própria criança, tão logo cresça, enche com a escrita do bem ou mal.

Se você pergunta como deve ser então explicado o fato da escrita ser invariavelmente má, e nenhum homem ser sem pecado, a resposta é que todas as coisas no mundo são contra aquele bebê no berço. Desde o primeiro momento que o bebê veio ao mundo, a folha branca de seu caráter moral começa a receber a escrita da linguagem do pecado. Quando mais tarde em sua vida passa a ter contato com o mundo de forma geral, ele se encontra com uma multidão de maus exemplos e influências malignas que o dispõe ao pecado. Assim, sucede que todos os homens se desviam e que ninguém é sem pecado. Para salvar a humanidade e construir um mundo melhor, devemos ter fé no homem, aplicarmo-nos à construção do nosso caráter, e criar um ambiente melhor para os homens em geral. Tal é o ensino da nossa era, o ensino da filosofia humanista.

Herman Hoeksema

Fonte: Reformed Dogmatics, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, vol. 1, pp. 388-389.


Tradução de Felipe Sabino de Araujo Neto


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