18 de fevereiro de 2018

TEXTOS PREDILETOS - ÊXODO 1.15-21



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O rei do Egito ordenou às parteiras dos hebreus, que se chamavam Sifrá e Puá: "Quando vocês ajudarem as hebreias a dar à luz, verifiquem se é menino. Se for, matem-no; se for menina, deixem-na viver".Todavia, as parteiras temeram a Deus e não obedeceram às ordens do rei do Egito; deixaram viver os meninos.Então o rei do Egito convocou as parteiras e lhes perguntou: "Por que vocês fizeram isso? Por que deixaram viver os meninos? "Responderam as parteiras do faraó: "As mulheres hebreias não são como as egípcias. São cheias de vigor e dão à luz antes de chegarem as parteiras".Deus foi bondoso com as parteiras; e o povo ia se tornando ainda mais numeroso, cada vez mais forte.Visto que as parteiras temeram a Deus, ele concedeu-lhes que tivessem suas próprias famílias. (Êxodo 1.15-21) NVI.

Retomo a série sobre textos prediletos com uma passagem muito intrigante do primeiro capítulo do livro de Êxodo. Esse livro narra a saída dos hebreus do cativeiro do Egito para a terra prometida liderados por Moisés.  A palavra êxodo significa "saída", fazendo jus ao tema predominante ao longo do livro.

É interessante notar que alguns personagens tornam-se mais famosos que outros. Quando ouvimos sobre o Êxodo é quase certo lembrarmos de figuras como Moisés, Josué ou Miriã. Mas há duas pessoas que nunca são mencionadas. Em todo meu tempo de cristão, pouco ouvi falar diretamente delas. São nomes que receberam pouco destaque, porém desempenharam um papel fundamental na história do povo judeu, e por consequência, da Igreja também. Talvez os nomes delas tenham contribuído para o quase anonimato no qual elas "vivem", mesmo estando nas páginas da história bíblica. Estou falando de duas parteiras hebreias, Sifrá e Puá.

O contexto começa com o crescimento do povo judeu nas terras de Faraó. Depois de José ter se tornado o segundo homem mais poderoso do Egito, perdoado seus irmãos, demonstrado favor para com eles e de tê-los feito trazer seu pai Jacó e todo o seu povo de Canaã, as coisas começaram a mudar. Aquela geração foi morrendo e seus descendentes proliferando. O texto nos diz que o povo hebreu era tão fértil que passou a superar os egípcios em número. Além disso, um Faraó que não conhecia a história de José e a sua intervenção milagrosa no passado, chegou ao poder; e diante do crescimento israelita, sentiu medo. O Egito então escravizou os judeus submetendo-os a trabalhos forçados e desumanos, numa tentativa de ir gradativamente eliminando a "superpopulação". Deus, graciosamente, demonstra seu favor sobre eles e visando cumprir seus propósitos, abençoa seu povo de tal forma que quanto mais eles eram maltratados mais cresciam e se multiplicavam. Foi então que o rei tomou uma decisão. Chamou aquelas que talvez fossem as principais parteiras do império e lhes deu a ordem de matar a todos os bebês meninos assim que nascessem. A estratégia era impedir que no futuro houvesse mais homens que mulheres, uma vez que a sociedade naquela época era principalmente patriarcal, e os homens, vendo o crescimento alarmante do seu povo, não pensariam duas vezes em articular um exército e promover uma "revolta dos escravos".

Agora pense por um segundo na decisão difícil que aquelas duas mulheres tinham em suas mãos. De um lado a ordem da maior autoridade do mundo antigo exigindo que elas agissem de forma cruel e desumana. Do outro, sua fé e devoção ao Deus de seus antepassados e os conceitos do que é moralmente reto e justo diante dele. Entretanto, elas nos deixaram uma lição lindíssima. O texto diz que...

Todavia, as parteiras temeram a Deus e não obedeceram às ordens do rei...

Sabemos que, mesmo hoje, desobedecer a uma autoridade acarretará em sérios problemas. Naquela época isso era o mesmo que assinar uma sentença de morte. Sifrá e Puá não estavam preocupadas com isso. A vida não é mais importante do que fazer a vontade de Deus. Aprendemos o seguinte com elas:

1) Obedecer a Deus está acima do estado e das Leis: Quando as leis que regem nossa sociedade afrontam algum preceito bíblico, não devemos pensar duas vezes em transgredi-las. É mais importante obedecer a Deus do que aos homens (Atos 5.29).

2) A vida deve ser preservada: Precisamos ser contrários a qualquer ideologia que injustamente tente interromper a vida humana. O aborto, por exemplo, é um crime que infelizmente tem sido cada vez mais bem visto em nossos dias. Entretanto, continuamos afirmando que a vida é dom de Deus e começa na concepção, por isso jamais poderemos aderir a tal pensamento; pelo contrário, sempre nos posicionaremos contra.

3) Obedecer a Deus pode significar correr risco ou perigo.: A fé pode nos livrar da espada ou nos levar para ela. Algumas vezes precisaremos nos expor até mesmo ao risco de vida por professar nossa fé e afirmarmos os valores prescritos na Palavra de Deus. O nosso país garante liberdade de culto, mas isso não significa que não sofremos perseguição. Existe um tipo de perseguição velada, disfarçada pela capa do "politicamente correto" e precisamos estar atentos, pois seremos confrontados em diversas situações: na família, na faculdade, no trabalho, entre amigos. De vez em quando iremos entristecer alguns ou decepcionar outros por não partilhar da mesma mentalidade deles. Assim como fizeram Sifrá e Puá, a vontade de Deus sempre virá em primeiro plano, mesmo que isso signifique para nós perder nessa vida, porque sabemos que ganharemos muito mais no porvir.


Pb. Samuel








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