16 de janeiro de 2012

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Retomando a série sobre a salvação infantil e ainda refutando alguns versículos muito utilizados para provar que todas as crianças quando morrem estão automaticamente salvas, hoje vemos analisar mais um texto mal compreendido.

“Respondeu ele: Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia: Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? Todavia, agora que é morta, por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim” (2º Samuel 12.22,23).

O argumento com base nesse versículo é de que a criança, fruto do adultério entre Davi e Bate-Seba, ao morrer estava salva, uma vez que o próprio Davi admite que irá se encontrar com ela. O que teoricamente sugere que o infante esteja no céu, uma vez que se o Rei Davi é considerado como alguém salvo, obviamente a criança com a qual ele afirma que há de se reencontrar após a morte também o seja.

Felizmente os que usam de tal argumento demonstram uma total ignorância no que diz respeito à exegese Bíblica. Simplesmente ignoram o contexto histórico e escriturístico da passagem, e querem forçar o texto a dizer o que ele não diz – Prática muito comum àqueles que desesperadamente buscam subterfúgios para respaldar uma teologia que supervalorize o homem.

Segundo nossos opositores a expressão “Eu irei para ela” implica em dizer que a criança estava agora no céu, e que Davi reconhece isso quando diz que um dia também irá para o mesmo lugar, pois se considerava uma pessoa salva.

A isto facilmente respondo que simplesmente essa interpretação está incorreta, pois o conceito de salvação no sentido espiritual não aparece no Antigo Testamente, salvo de forma profética e poética apontando exatamente para o tempo neotestamentário, isto é, com o surgimento do Messias.

Os judeus não tinham uma “soteriologia” que abrangesse o futuro espiritual. Acreditavam sem dúvida na ressurreição, que se realizaria algum dia, porém outras escolas rabínicas contemplavam somente a vida aqui e agora (dessas escolas descende a seita dos Saduceus do tempo de Jesus). De modo geral todos criam que ao morrer todos os seres humanos iam para o Sheol, um lugar tenebroso e sombrio (Gn 37.35; Jó 3.17-19; 7.9; Sl 88.5; 143.3; Pv.1.12; Ec 9.10; Is 5.14; 38.18; Hc 2.5). No Sheol não havia memória, sentimentos, lembranças, nem coisa alguma que remeta ao mundo dos vivos.

Assim sendo, Davi não estava afirmando que reencontraria a criança nos céus, e sim que também se uniria a ela no além através da morte. Esta linguagem é muito comum em outras passagens.

“Expirou Abraão; morreu em ditosa velhice, avançado em anos; e foi reunido ao seu povo” (Gênesis 25.8).

“Chegando-se, pois, o tempo da morte de Israel, chamou a José, seu filho, e disse-lhe: Se agora tenho achado graça em teus olhos, rogo-te que ponhas a tua mão debaixo da minha coxa, e usa comigo de beneficência e verdade; rogo-te que não me enterres no Egito, Mas que eu jaza com os meus pais; por isso me levarás do Egito e me enterrarás na sepultura deles. E ele disse: Farei conforme a tua palavra” (Gênesis 47.29-30).

“...Eu vou pelo caminho de todos os mortais...” (1º Reis 2.2).


A idéia de se “reencontrar” com os que se foram é meramente uma forma de dizer que também se experimentará a morte. Mais uma vez os defensores do bem-estar humano se equivocam terrivelmente.

Ecclesia reformata, et semper  Reformanda!



11 de janeiro de 2012

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Como prometido, agora estarei comentando alguns versículos muito utilizados por aqueles que defendem que crianças já nascem salvas. O primeiro da lista certamente é este:

“Então lhe traziam algumas crianças para que as tocasse; mas os discípulos o repreenderam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus” (Marcos 10.13,14).

Com base neste versículo alguns tem argumentado que Cristo está afirmando que o Reino de Deus é para todas as crianças, e vão além, dizem que sendo assim estas já nascem salvas. Todavia, chegaram a essa conclusão precipitadamente e não atentaram para o real sentido dessa fala de Jesus.

Primeiramente precisamos entender que aqui temos uma repreensão. Jesus estava repreendendo os discípulos. E por que os repreendia? Porque enquanto alguns estavam trazendo crianças para serem abençoadas, eles estavam impedindo que isso acontecesse. Ou seja, os discípulos estavam discriminando as crianças. Tal atitude mostra que naquela ocasião eles acreditavam que o ministério de Cristo era direcionado unicamente aos adultos. Então, Jesus os adverte que as crianças também são participantes do Reino, e não só os adultos. Este é o sentido da repreensão. Elas também devem vir a ele para serem abençoadas e salvas.

Obviamente Jesus não estava aqui querendo ensinar quantas crianças são eleitas para a salvação ou que todas já nascem salvas. O cerne das palavras dele é que o Reino de Deus veio para o homem, sem distinção de sexo ou idade. As crianças também fazem parte do número dos eleitos, e nada as impede de que recebam a graça salvífica em sua meninice. Eis o motivo pelo qual não devemos negar aos pequeninos a pregação do evangelho (não os impedir de vir a Cristo).

Novamente volto a objetar que se Jesus está afirmando que crianças nascem salvas, logo temos um novo conceito de salvação. Pois se crianças nascem salvas, estamos dizendo que o homem já nasce salvo – Todo ser humano um dia já foi criança.  Este novo conceito de salvação implica em dizer que na verdade todos nós nascemos salvos, apenas perdemos a salvação quando crescemos e então necessitamos sermos salvos novamente. Temos aí o novo conceito da Re-Salvação! O que não tem base bíblica, pois de acordo com o apóstolo S. Paulo a nossa condição antes de sermos chamados não era nada boa (Efésios 2.12), isto sem contar o fato de que todos já nascemos pecadores (Salmo 51.5), e se nascemos pecadores, logo, somos dignos unicamente da ira de Deus.

Já ouvi alguém dizer: Deus não pode exigir tanto de uma criança, ela é inocente! Mas é claro que pode! Veja:

“Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se o que faz é puro e reto” (Provérbios 20.9).

Fica claríssimo, então, que todos irão responder um dia perante Deus.
Ainda no texto de Marcos, precisamos salientar que Jesus estava se dirigindo aquelas crianças que estavam sendo trazidas até ele, em nenhum momento ele fala sobre crianças que já tinham morrido, logo querer contemplar essa idéia no texto é no mínimo desonestidade.
Podemos também objetar que a expressão “de tais” não quer dizer que o Reino de Deus é de todas as crianças sem exceção, mas de crianças como aquelas que Cristo estava abençoando naquele dado momento. Se dermos uma olhadinha no grego original dessa passagem veremos que se trata do adjetivo pronominal demonstrativo “ton toiouton”. Este adjetivo quando é precedido por um artigo, como nesse caso, significa “desse tipo”, ou “tais quais estas”. Assim sendo, Jesus está dizendo: “Crianças desse tipo” ou “Crianças tais quais estas”. Ocorre o mesmo em todas as passagens paralelas, o que apenas confirma que ele estava se referindo à crianças como aquelas que ele abençoou, e não a todas as crianças como um grupo universalmente indistinto.

O próximo versículo utilizado pelo conceito equivocado de que crianças nascem salvas se encontra no mesmo capítulo, é o versículo seguinte da narrativa:

“Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele” (Marcos 10.15).

Aqui argumentam alguns que já que é uma condição para se receber o reino ser como criança, logo todas elas já estão no reino. Dizem isto usando a inocência como pretexto: Devemos ser inocentes e puros como crianças. Uma idéia um tanto quanto utópica eu diria. Pois quem é que sendo adulto pode voltar a ser inocente igual um recém-nascido, que nem ao menos sabe ainda falar? Sem contar que conforme o tempo vai passando toda criança vai perdendo um pouco de sua inocência – Isto é até necessário. É um argumento bastante insustentável esse.

A verdade é que Cristo está nos dizendo que devemos ser como crianças, isto é, DEPENDENTES. Quanto mais criança for o ser humano, mas dependente será do adulto. Uma criança não pode se alimentar sozinha, ela precisa ser alimentada, posteriormente conforme for crescendo, precisa ser ensinada e necessita da supervisão. Uma criança tem que ser cuidada, protegida. E outra coisa importante, uma criança confia cegamente em seus pais. Se um pai colocar o filho em um lugar um pouco alto e pedir para que ele se jogue, porque estará de braços abertos para o segurar, a criança não pensará duas vezes, ela se lança – Disso tenho experiência própria. Jesus está ensinando que o Reino de Deus é para aqueles que são eternamente dependentes e obstinadamente confiantes. Em outra passagem ele mesmo ensinou que devemos confiar plenamente na provisão de Deus em relação a nós (Mateus 6.25-34). Deus sabe tudo o que precisamos, em todas as áreas (física e espiritual). Tal qual uma criança depende de seus pais, assim aquele que é chamado à salvação: deve ser totalmente dependente de Deus.

Assim, podemos constatar quão preciosa é esta lição vinda do nosso mestre e nada tem a ver com o argumento esdrúxulo de que todas as crianças nascem salvas.

No próximo post vermos outros versículos.


Ecclesia reformata, et sempre reformanda!


10 de janeiro de 2012



A questão da salvação infantil deve ser discernida com muita cautela e sinceridade. Não podemos cair no erro de diminuir ou adaptar o julgamento de Deus sobre a culpa humana, muito menos nos baseando no sentimentalismo. Independentemente do que sentimos em relação à justiça do Eterno frente à nossa culpa, ela ainda continuará lá e dignamente merecedora de punição.

OS ELEITOS E SUA TEÓRICA SALVAÇÃO NA INFÂNCIA.


Certa vez um irmão argumentou comigo que se o calvinismo estivesse correto então nós poderíamos sair por aí pecado, afinal já nascemos salvos mesmo. Isto revela que certas pessoas quando se atrevem a criticar a Sã Doutrina nem ao menos procuram conhecê-la, para só então tentar criar algum argumento sólido (ainda que isso seja impossível, pois nada podemos contra a verdade). Eu retruquei a esse irmão, como já fiz a vários outros que utilizaram do mesmo argumento, que ele estava bastante equivocado quanto à fé reformada. Ser um eleito não significa nascer salvo; pelo contrário, a eleição contempla pessoas perdidas, mas que foram predestinadas a alcançarem a salvação (Efésios 1.4,5 / 1ª Tess. 5.9 / 2ª Tess. 2.13).

Ninguém nasce salvo, nem mesmo aqueles que foram eleitos desde a eternidade. No entanto, há os que tentam argumentar que se por acaso um eleito vier a falecer antes de chegar à idade adulta, ele estará salvo. Eu fico admirado em como alguns dos meus colegas ainda admitem que possa existir tal possibilidade. E para embananar ainda mais o problema ficam criando teorias baseadas em suposições que revelam a triste verdade de que ainda estão, em algum grau, contaminados pela praga da ideologia humanista.

A Bíblia é muito clara quando afirma que a salvação é para aqueles que crêem (João 3.14-16), para aqueles que foram chamados (Atos 2.39/ Romanos 8.28-30 / Hebreus 9.15), para aqueles que recebem a Fé (Atos 26.18 / Efésios 2.8). Um recém-nascido não tem condição alguma de participar desse processo. Mas se uma criança não pode participar, como ela poderá ser salva? A resposta é: Quando ela atingir uma idade (não necessariamente a adulta) suficiente onde seja capaz de discernir a verdade do evangelho e então responder a ele. Então alguns dizem: Mas e se ela sendo uma eleita morrer antes? Esta possibilidade simplesmente não existe! Nenhum eleito morre antes de ouvir e crer no evangelho. O próprio Cristo disse:

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (João 10.27).

Pouco antes ele mesmo havia destacado a importância dos eleitos o ouvirem:

“Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (João 10.16).

Em sua oração momentos antes de ser preso, Cristo orou unicamente pelos que haveriam de crer nele:

“Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles” (João 17.20).

O ouvir e crer é fundamental na salvação. De modo que todo eleito um dia passará por este processo. Por que parece mais difícil acreditar que Deus em sua divina providencia guarde os seus desde a infância destes preservando-lhes até que cheguem em idade onde lhes seja possível compreender que necessitam dele? Isto está em perfeita em harmonia com que o apóstolo S. Pedro diz quando escreve:

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2ª Pedro 3.9).


Evidentemente que o apóstolo está se dirigindo aos eleitos, aos chamados e não a toda humanidade. Ainda assim, Até onde eu sei bebês não podem se arrepender de coisa alguma. Logo, somente quando atingirem a idade certa é que experimentarão a salvação.

Havia prometido responder alguns versículos hoje, mas para não deixar o post extenso demais, comprometo-me em cumprir a minha promessa no próximo.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!

9 de janeiro de 2012





Finalmente posso dar continuidade à série sobre a salvação infantil. Após um domingo sem escrever devido às atividades na congregação local onde ministro. 
 
Hoje quero fazer uma espécie de resumo do que tenho discorrido ao longo dos três primeiros posts da referida série, para podermos nos situar bem a respeito do que ainda está por vir.
 
A MÁ INFLUÊNCIA DO PENSAMENTO HUMANISTA NA TEOLOGIA CRISTÃ.
 
Eu tenho dito que esse mal tem obstruído a mente de boa parte do povo Deus fazendo com que ele não reconheça a absoluta soberania de Divina no trato com suas criaturas. Isto significa que sempre que as verdades bíblicas vão contra o bem-estar do homem, logo são consideradas como equívocos ou erros de interpretação. Assim sendo, a norma aceita é de que Deus não faz nada que contrarie aquilo que o ser humano entende como sendo justo. Ele não agiria de acordo com o beneplácito da sua vontade, mas se auto-restringiria para favorecer a pessoa humana. O pensamento humanista visa de todas as formas preservar o homem como o centro e a razão de todas as coisas, nada pode “ferir” ou contrariar essa regra. Vemos claramente essa idéia dentro do cristianismo quando alguns alegam que Deus respeita as decisões do homem ou não poderia exercer a sua justiça caso este seja muito criança para poder ser tratado com tamanho rigor.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA DOUTRINA DA DEPRAVAÇÃO TOTAL.
 
O meu primeiro argumento tem sido de que a depravação total é bastante clara ao afirmar que todo ser humano está destituído de qualquer comunhão com Deus. Não vemos na bíblia qualquer distinção entre adultos ou crianças nesse quesito. Vemos, contudo, sendo expressamente afirmado pelos autores divinamente inspirados que o ser humano já nasce pecador, depravado, desviado e incapaz de produzir qualquer bem em relação a Deus. Mas não é suficiente apenas dizer que todos já nascem perdidos, se não que também nascem, por consequência disto, condenados.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA SALVAÇÃO UNICAMENTE ATRAVÉS DA MORTE SUBSTITUITIVA DE CRISTO E MEDIANTE A FÉ.
 
Não existe outro meio do homem obter a salvação que não seja através de Cristo. É necessário que o ser humano tenha a sua vida expurgada em Jesus. E de que forma isso ocorre? Quando da sua morte Cristo recebeu em si a punição que era devida a nós. E como recebemos isso? Mediante a fé. Ninguém pode crer na obra salvífica a menos que tenha recebido a Fé que vem de Deus. Esta Fé o habilita a acreditar e confessar o Senhorio de Cristo sobre si, recebendo imediatamente o selo do Espírito como a confirmação e garantia de que foi resgatado para Deus.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA FALSA TEORIA DA RE-SALVAÇÃO.
 
Tenho dito que afirmar que crianças já nascem salvas (como é o caso dos metodistas e outras denominações) implica num novo conceito para a salvação no Novo Testamente. Uma vez que todo ser humano já nasce salvo (pois ninguém nasce adulto e sim criança), ao crescer ele perde essa condição, já que tomando conhecimento do bem e do mal passa a pecar e, portanto, necessita ser salvo novamente, isto é, ser reconduzido ao estado no qual nasceu. Não existe base bíblica alguma para isso.
 
Após esse breve resumo quero dizer que estou abordando o assunto à luz da ótica Calvinista, que contempla a eleição e predestinação de indivíduos, mas deixando bem claro que não estou querendo inviabilizar a pregação do evangelho como fazem os hipercalvinistas. O propósito dessa série é mostrar mais uma vez que a soberania de Deus é absoluta na salvação do homem, e de que nós devemos amá-la do jeito que ela é, e não tentar amenizá-la ou diminuí-la em virtude do sentimento humano.
 
CRIANÇAS SÃO CULPÁVEIS OU NÃO?
 
De certo modo quero voltar a um dos primeiros argumentos, pois alguns têm me questionado acerca da culpabilidade de uma criança. Ainda que claramente já tenha respondido a isso no primeiro post, baseado em textos como:
 
“Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham proferindo mentiras” (Salmo 58.3).
 
“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5, NVI).
 
“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram” (Romanos 5.12).


Quero agora trazer um comentário interessante feito por Calvino e que de forma muito simples esclarece toda a questão. Ele diz que devido o pecado original...

“...as próprias crianças, enquanto trazem consigo sua condenação desde o ventre materno, são tidas como culposas não por falta alheia, mas pela falta de si próprias. Ora, embora ainda não tenham trazido à tona os frutos de sua iniqüidade, no entanto têm encerrada dentro de si a semente. Com efeito, sua natureza toda é uma como que sementeira de pecado. Por isso, não pode ela deixar de ser odiosa e abominável a Deus. Do quê se segue que, com propriedade, esse estado é considerado como pecado diante de Deus, pois não haveria incriminação sem a culpabilidade” (Institutas Livro II, Cap. 1.2).

Vemos de forma bem coerente que a inocência de uma criança não a isenta da culpa herdade de Adão, e por ela mesma segue-se que é perfeitamente condenável perante Deus, pois ainda que não tenha praticado coisa alguma, contudo sua natureza não poderá produzir futuramente senão pecado e rebeldia.

No próximo post estaremos analisando alguns versículos utilizados por aqueles que ensinam que as crianças nascem salvas ou o são automaticamente após a morte.


Ecclsia reformata, et sempre reformanda!


7 de janeiro de 2012

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Estou expondo ao longo dessa série de posts razões pelas quais não podemos concordar com o ensino de que as crianças já nascem salvas. Alguém disse que isso não é relevante, que temos que nos preocupar mais em pregarmos o evangelho.  Ora este pensamento não é saudável. Não podemos dissociar a questão em debate do evangelho. Estamos falando de salvação e falar de salvação é falar sobre o evangelho. Aqui está em pauta a predestinação e eleição, bem como a soberania de Deus. Portanto, não é um debate inútil ou irrelevante. Todos precisamos ter perfeita consciência da condição dos infantes e de como isso está perfeitamente relacionado com o evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê! (Romanos 1.16).
 
As crianças nascem salvas – Dizem alguns. Podemos facilmente levantar uma objeção contra isso questionando mediante o que elas foram salvas? O apóstolo S. Paulo nos diz:
 
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2.8).
 
A salvação é concretizada mediante a concessão do dom da Fé, é o que Paulo está afirmando. O homem ao ser exposto às verdades do evangelho recebe então o elemento necessário para poder acreditar nelas, isto vem de Deus (monergismo). Ao crer, e só acontece por antes ter recebido capacidade para tanto, está então consumado o processo de salvação onde o eleito agora recebe o selo do espírito que é o comprovante ou a garantia de que ele foi feito uma nova criatura cujo destino é a glória (Efésios 1.13,14). Nada disso é possível a uma criança que parte desse mundo em tenra idade. Mas o que podemos dizer? Que isto a favorece de modo que já parte com sua salvação assegurada? Obviamente que não. Todo esse processo descrito até agora está relacionado à Fé, esta que é a única condição para se poder crer. Além da Fé estamos também falando em exposição do evangelho. Não vejo hoje pregadores expondo o evangelho para bebês de, por exemplo, seis meses de vida, e ainda que isso aconteça, temos na Bíblia garantias de que Deus enviaria o dom da Fé para uma criança que nem ao menos sabe se expressar uma vez que a confissão é requisitada? Conferir Romanos 10.8-10.
 
Acredito que alguém agora deve se utilizar do que acabei de escrever para usar contra meu próprio argumento. A saber: Se Deus não enviaria o dom da fé para uma criança crer pelo fato dela não ser capaz ainda de se expressar, como, pois, a condenaria sem levar em consideração este mesmo motivo (capacidade cognitiva)? E a resposta vem a seguir: Esta é a razão pela qual precisamente qualquer criança que morre antes de chegar a uma idade na qual ela tenha condições suficientes de entender e confessar a Jesus, está perdida! A impossibilidade de professar a fé em Cristo em nada altera a condição espiritual de uma criança ou a melhora de forma a ser merecedora da salvação, ela continua tão caída e distante de Deus que o seu único destino possível é a condenação eterna.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!

6 de janeiro de 2012

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Eu mostrei no outro post que a doutrina da depravação total e do pecado original não autorizam a afirmação de que crianças nascem salvas ou que sejam salvas automaticamente quando morrem, pois todos os seres humanos nascem na mesma condição de pecadores e como tal, passíveis da ira e condenação de Deus. No entanto alguns discordam disso, como por exemplo, na Pastoral dos Bispos Metodistas sobre o Batismo, na página 16, diz:


“...as crianças são membros do Reino de Deus e, além disto, são padrão para o ingresso no Reino de Deus. A criança já entrou na nossa frente no Reino.”

Isto pode mesmo ser verdade? De acordo com o metodismo as crianças já nascem dentro do Reino de Deus, isto é, na salvação. Elas estão num patamar maior do que os adultos até o ponto de entrarem na frente deles. Todas as crianças estão predestinadas à salvação e mesmo já salvas quando morrem.

Precisamos nos questionar nos seguintes termos:

1)O homem nasce pecador?

2)O pecado o torna digno da condenação?

3)Existe apenas um “remédio” para a condenação?

O homem nasce pecador?

Sim, e já demonstrei claramente no post anterior com as sábias palavras de Davi:

“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5, NVI).

O pecado torna o homem digno da condenação?

Tanto quanto a água está para a sede. A justiça divina só é satisfeita quando o culpado recebe por seu erro. Sendo todo o gênero humano culpável perante Deus, nada mais justo de que todos estejam na ardente expectativa do horror divino.

Existe apenas um remédio para a condenação?

Seremos sinceros? Existe mais de uma maneira do ser humano alcançar a salvação? A Bíblia diz que não.

“...porque abaixo dos céus não existe nenhum outro nome, dado entre os homens [não importa se adultos ou crianças] pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12).

Não há salvação fora de Cristo. Isto significa que fora da morte substituitiva de Jesus nenhum ser humano pode ser salvo. Deus determinou que ele levaria o pecado de muitos, que ocuparia o lugar deles na hora da condenação,  e de que estes, por sua vez, experimentariam um novo nascimento, uma regeneração do estado anterior no qual se encontravam: 

“Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2ª Coríntios 5.17).

Um recém-nascido não pode participar desse processo caso morra em sua meninice. Talvez alguns digam: Veja! Isto prova que eles (os recém-nascidos) já nascem salvos! E eu digo: Pelo contrário! Mostra que eles estão horrivelmente perdidos e a menos que sejam regenerados em sua natureza, não poderão ser salvos.
Para que uma criança pudesse nascer salva ela já teria que nascer regenerada e uma nova criatura (sentido espiritual). O que soa muito estranho, pois a salvação não seria salvação, mas re-salvação. O homem já nasce salvo, ele apenas perde a salvação quando cresce e daí precisa ser salvo novamente. A Bíblia não afirma isso.

Me perdoem, o tempo não me é suficiente para escrever mais, porém amanhã continuaremos.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!



5 de janeiro de 2012

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Por Samuel Balbino

Mal se iniciou o ano e lá vou eu novamente tomando rumos polêmicos no debate teológico.

Ontem fiquei até tarde com os irmãos Alex, Adilson e Bruno no facebook discutindo sobre o tema da salvação infantil, isto é, se crianças e bebês são salvos automaticamente quando morrem ou não. Entendo que este não é assunto fácil de ser abordado. Ainda mais para um calvinista radical como eu. O Calvinismo sempre foi encarado como vilão nesses impasses, e debates que envolvem a salvação ou condenação de alguém são sempre o mesmo que pisar em solo minado.

Já faz algum tempo que estudei esse assunto e defini minha opinião fundamentada sobre a coerência bíblica, ao mesmo tempo em que me esvaziei de todo emocionalismo que hoje impede que grande parte dos estudantes da Bíblia contemplem a soberania absoluta de Deus, e fui preenchido pela total submissão aos decretos e desígnios Divinos.

Alguns irmãos quando se colocam a meditar sobre as verdades sagradas procuram “amenizar” o máximo possível os efeitos da liberdade de Deus no trato com suas criaturas. Isto é claramente efeito da filosofia humanista que infelizmente infectou boa parte da cristandade. Quando um cristão nega, por exemplo, a predestinação ou a eleição, está afirmando o pensamento humanista, ainda que adaptado ao contexto “evangélico”. A Declaração humanista de 1952 diz:

“Os humanistas rejeitam a ideia de que deus tenha intervindo miraculosamente na história, se revelado a uns poucos eleitos ou que possa salvar ou redimir os pecadores. Eles acreditam que os homens e mulheres são livres e responsáveis por seu próprio destino e que não podem olhar em direção a um ser transcendental para obter a salvação”.

Veja que não existe muita diferença entre o que pregam esses tais humanistas e muitos evangélicos hoje. Excluindo-se o fato de que estes são teístas e aqueles ateus, pouca diferença encontramos na cosmovisão de ambos. Aliás a frase que eu sublinhei é facilmente aceita por todos os arminianos como uma grande verdade, mas notem que foi extraída de uma declaração que se opõe até mesmo ao ensino da Bíbia nas escolas. Cristãos e ateus partilhando do mesmo ideal? Isso está certo?

Cada vez mais vejo pastores e pregadores protegerem o bem-estar do homem e mandarem Deus para as “cucúias”. Criaram uma espécie de deus mais agradável, light, mais próximo do homem (teísmo aberto). Um deus que lança fora toda a sua autoridade e soberania por um simples caco de barro. O homem deseja um deus que lhe seja mais favorável, que satisfaça todas as suas condições e não viole nada daquilo que ele considere como justo. Que pena que este não é o verdadeiro Deus! (risos).

Agora abordemos o caso da salvação infantil.

Vou partir do princípio de que Deus elegeu desde a eternidade aqueles que serão salvos e de que todo o gênero humano se encontra escravizado pelo pecado, totalmente impossibilitado de alcançar o favor de Deus. Posteriormente falarei no âmbito arminiano.

A Bíblia deixa claro que todo ser humano nasce desviado de Deus e depravado.

“Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham proferindo mentiras” (Salmo 58.3).

Diante desse fato podemos facilmente concluir que todos sem exceção nascem pecadores.

“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5, NVI).

Desta forma estamos em perfeita harmonia com o que nos ensina o apóstolo S. Paulo quando escreve a Igreja dos romanos, dizendo:

“Como está escrito: Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém quem entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3.10-12, NVI).

Se é correto afirmar que todo e qualquer homem já nasce pecador, é também perfeitamente correto afirmar que todo e qualquer homem por si só está perdido e condenado à destruição. A primeira objeção que se pode levantar é: Crianças não nascem pecando para poderem ser condenadas. E a minha resposta é que ninguém só se torna pecador a partir do momento em que realiza sua primeira desobediência a Deus, antes todos já nascem pecadores em potencial.

“O homem não se torna um pecador quando peca, mas ele só peca porque já nasceu pecador”.

Estamos falando da herança maldita de Adão. Eu acredito na depravação total e no pecado original. Isso está perfeitamente claro nas Escrituras. Ao dizer que uma criança não pode ser condenada pelo simples fato de ser criança estamos negando essas duas importantes verdades. Talvez agora alguém diga: Como pode o pecado de Adão ter nos afetado ou sermos nós condenados por ele? A resposta é muito fácil. Deus criou Adão como o “cabeça” ou representante de toda a criação (Gênesis 3.17). Ao cair, toda a criação sofreu as consequências junto com ele, vemos isso claramente na mudança comportamental dos animais, no surgimento de plantas nocivas a nós e demais seres vivos e principalmente na culpa herdada que todos trazemos conosco. Por esta culpa somos todos (sem exceção) passíveis da condenação:

“...porque o julgamento veio, na verdade, de uma só ofensa para a condenação (...) por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para a condenação” (Romanos 5.16,18).

É fundamental que todos os homens sejam culpáveis perante Deus, de outra forma o que haveria neles que os fizessem necessitar a salvação? Quero provar com isso que todos independente de serem crianças ou adultos estão profundamente perdidos e necessitam de um salvador. Alguém teria a ousadia de discordar?

No próximo post eu continuo.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!