11 de janeiro de 2012

Posted by Samuel Balbino | File under : , , , , ,




Como prometido, agora estarei comentando alguns versículos muito utilizados por aqueles que defendem que crianças já nascem salvas. O primeiro da lista certamente é este:

“Então lhe traziam algumas crianças para que as tocasse; mas os discípulos o repreenderam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus” (Marcos 10.13,14).

Com base neste versículo alguns tem argumentado que Cristo está afirmando que o Reino de Deus é para todas as crianças, e vão além, dizem que sendo assim estas já nascem salvas. Todavia, chegaram a essa conclusão precipitadamente e não atentaram para o real sentido dessa fala de Jesus.

Primeiramente precisamos entender que aqui temos uma repreensão. Jesus estava repreendendo os discípulos. E por que os repreendia? Porque enquanto alguns estavam trazendo crianças para serem abençoadas, eles estavam impedindo que isso acontecesse. Ou seja, os discípulos estavam discriminando as crianças. Tal atitude mostra que naquela ocasião eles acreditavam que o ministério de Cristo era direcionado unicamente aos adultos. Então, Jesus os adverte que as crianças também são participantes do Reino, e não só os adultos. Este é o sentido da repreensão. Elas também devem vir a ele para serem abençoadas e salvas.

Obviamente Jesus não estava aqui querendo ensinar quantas crianças são eleitas para a salvação ou que todas já nascem salvas. O cerne das palavras dele é que o Reino de Deus veio para o homem, sem distinção de sexo ou idade. As crianças também fazem parte do número dos eleitos, e nada as impede de que recebam a graça salvífica em sua meninice. Eis o motivo pelo qual não devemos negar aos pequeninos a pregação do evangelho (não os impedir de vir a Cristo).

Novamente volto a objetar que se Jesus está afirmando que crianças nascem salvas, logo temos um novo conceito de salvação. Pois se crianças nascem salvas, estamos dizendo que o homem já nasce salvo – Todo ser humano um dia já foi criança.  Este novo conceito de salvação implica em dizer que na verdade todos nós nascemos salvos, apenas perdemos a salvação quando crescemos e então necessitamos sermos salvos novamente. Temos aí o novo conceito da Re-Salvação! O que não tem base bíblica, pois de acordo com o apóstolo S. Paulo a nossa condição antes de sermos chamados não era nada boa (Efésios 2.12), isto sem contar o fato de que todos já nascemos pecadores (Salmo 51.5), e se nascemos pecadores, logo, somos dignos unicamente da ira de Deus.

Já ouvi alguém dizer: Deus não pode exigir tanto de uma criança, ela é inocente! Mas é claro que pode! Veja:

“Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se o que faz é puro e reto” (Provérbios 20.9).

Fica claríssimo, então, que todos irão responder um dia perante Deus.
Ainda no texto de Marcos, precisamos salientar que Jesus estava se dirigindo aquelas crianças que estavam sendo trazidas até ele, em nenhum momento ele fala sobre crianças que já tinham morrido, logo querer contemplar essa idéia no texto é no mínimo desonestidade.
Podemos também objetar que a expressão “de tais” não quer dizer que o Reino de Deus é de todas as crianças sem exceção, mas de crianças como aquelas que Cristo estava abençoando naquele dado momento. Se dermos uma olhadinha no grego original dessa passagem veremos que se trata do adjetivo pronominal demonstrativo “ton toiouton”. Este adjetivo quando é precedido por um artigo, como nesse caso, significa “desse tipo”, ou “tais quais estas”. Assim sendo, Jesus está dizendo: “Crianças desse tipo” ou “Crianças tais quais estas”. Ocorre o mesmo em todas as passagens paralelas, o que apenas confirma que ele estava se referindo à crianças como aquelas que ele abençoou, e não a todas as crianças como um grupo universalmente indistinto.

O próximo versículo utilizado pelo conceito equivocado de que crianças nascem salvas se encontra no mesmo capítulo, é o versículo seguinte da narrativa:

“Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele” (Marcos 10.15).

Aqui argumentam alguns que já que é uma condição para se receber o reino ser como criança, logo todas elas já estão no reino. Dizem isto usando a inocência como pretexto: Devemos ser inocentes e puros como crianças. Uma idéia um tanto quanto utópica eu diria. Pois quem é que sendo adulto pode voltar a ser inocente igual um recém-nascido, que nem ao menos sabe ainda falar? Sem contar que conforme o tempo vai passando toda criança vai perdendo um pouco de sua inocência – Isto é até necessário. É um argumento bastante insustentável esse.

A verdade é que Cristo está nos dizendo que devemos ser como crianças, isto é, DEPENDENTES. Quanto mais criança for o ser humano, mas dependente será do adulto. Uma criança não pode se alimentar sozinha, ela precisa ser alimentada, posteriormente conforme for crescendo, precisa ser ensinada e necessita da supervisão. Uma criança tem que ser cuidada, protegida. E outra coisa importante, uma criança confia cegamente em seus pais. Se um pai colocar o filho em um lugar um pouco alto e pedir para que ele se jogue, porque estará de braços abertos para o segurar, a criança não pensará duas vezes, ela se lança – Disso tenho experiência própria. Jesus está ensinando que o Reino de Deus é para aqueles que são eternamente dependentes e obstinadamente confiantes. Em outra passagem ele mesmo ensinou que devemos confiar plenamente na provisão de Deus em relação a nós (Mateus 6.25-34). Deus sabe tudo o que precisamos, em todas as áreas (física e espiritual). Tal qual uma criança depende de seus pais, assim aquele que é chamado à salvação: deve ser totalmente dependente de Deus.

Assim, podemos constatar quão preciosa é esta lição vinda do nosso mestre e nada tem a ver com o argumento esdrúxulo de que todas as crianças nascem salvas.

No próximo post vermos outros versículos.


Ecclesia reformata, et sempre reformanda!


2 comentários:

Fogo para Missões disse...

Graça e paz!

Você acredita realmente no poder do Deus da oração? Então que tal um #TempodeOração por missões?

#TempodeOração é o projeto que tem por objetivo mobilizar o máximo de irmãos em clamor incessante por missões, e começou no ano passado, de forma simples, aqui mesmo em nosso lar e que em pouco tempo chegou na internet através da tag #TempodeOração no twitter @FogoparaMissoes. Desde então muitos irmãos entraram neste tempo de clamor, inclusive compartilhando em suas igrejas, tornando este clamor ainda maior.

Este ano o SENHOR nos chamou para caminhar um pouco mais, através do Calendário de Oração, na verdade um roteiro de oração para nosso tempo de consagração, e aqui está a grande novidade, você e seus leitores poderão juntar-se a nós, por um avivamento missionário no Brasil e no mundo. Em nosso BlogFpM você pode saber mais sobre o projeto e também copiar o selo do projeto e divulgar entre seus leitores.

Crêmos que, se transformarmos todas as nossas canções e palavras em oração, em atitude, neste tempo a terra verá a manifestação dos filhos de Deus, pela qual tanto geme, mas é preciso fazer isso no dia que se chama hoje, precisamos viver o que pregamos para que o mundo creia que o Pai enviou a Jesus, seu único Filho, a responsabilidade é nossa é nosso o chamado!

Que o SENHOR te abençoe desde Sião, e que este seja uma ano missionário para sua vida! #TempodeOração, juntos, clamando incessantemente pelo avivamento missionário.

Passamos, a partir deste comentário, a seguir seu Blog através de nosso BlogFpM, e queremos te convidar a nos fazer uma visita e seguir-nos também no BlogFpM. Em Cristo, que nos salvou graciosamente na cruz, graça e paz!

Edinelson F. Lopes
Ministério Fogo para Missões
@FogoparaMissoesBlogFpMFaceBook

O Ministério Fogo para Missões tem o objetivo de servir igrejas locais na realização de missões, hoje estamos olhando e orando pela região do Vale do Ribeira, este é nosso chamado, qual é o seu? Não espere mais, clame ao SENHOR e seja a benção pela qual o mundo tanto geme! (Romanos 8:19)

Joaquim José Tinoco de Oliveira disse...

Estou AGUARDANDO A SUA CONCLUSÃO PARA ARGUMENTAR SEGUNDO ÚNICAMENTE ÀS ORIENTAÇÕES CONTIDAS NO ESCRITO SAGRADO