9 de janeiro de 2012





Finalmente posso dar continuidade à série sobre a salvação infantil. Após um domingo sem escrever devido às atividades na congregação local onde ministro. 
 
Hoje quero fazer uma espécie de resumo do que tenho discorrido ao longo dos três primeiros posts da referida série, para podermos nos situar bem a respeito do que ainda está por vir.
 
A MÁ INFLUÊNCIA DO PENSAMENTO HUMANISTA NA TEOLOGIA CRISTÃ.
 
Eu tenho dito que esse mal tem obstruído a mente de boa parte do povo Deus fazendo com que ele não reconheça a absoluta soberania de Divina no trato com suas criaturas. Isto significa que sempre que as verdades bíblicas vão contra o bem-estar do homem, logo são consideradas como equívocos ou erros de interpretação. Assim sendo, a norma aceita é de que Deus não faz nada que contrarie aquilo que o ser humano entende como sendo justo. Ele não agiria de acordo com o beneplácito da sua vontade, mas se auto-restringiria para favorecer a pessoa humana. O pensamento humanista visa de todas as formas preservar o homem como o centro e a razão de todas as coisas, nada pode “ferir” ou contrariar essa regra. Vemos claramente essa idéia dentro do cristianismo quando alguns alegam que Deus respeita as decisões do homem ou não poderia exercer a sua justiça caso este seja muito criança para poder ser tratado com tamanho rigor.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA DOUTRINA DA DEPRAVAÇÃO TOTAL.
 
O meu primeiro argumento tem sido de que a depravação total é bastante clara ao afirmar que todo ser humano está destituído de qualquer comunhão com Deus. Não vemos na bíblia qualquer distinção entre adultos ou crianças nesse quesito. Vemos, contudo, sendo expressamente afirmado pelos autores divinamente inspirados que o ser humano já nasce pecador, depravado, desviado e incapaz de produzir qualquer bem em relação a Deus. Mas não é suficiente apenas dizer que todos já nascem perdidos, se não que também nascem, por consequência disto, condenados.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA SALVAÇÃO UNICAMENTE ATRAVÉS DA MORTE SUBSTITUITIVA DE CRISTO E MEDIANTE A FÉ.
 
Não existe outro meio do homem obter a salvação que não seja através de Cristo. É necessário que o ser humano tenha a sua vida expurgada em Jesus. E de que forma isso ocorre? Quando da sua morte Cristo recebeu em si a punição que era devida a nós. E como recebemos isso? Mediante a fé. Ninguém pode crer na obra salvífica a menos que tenha recebido a Fé que vem de Deus. Esta Fé o habilita a acreditar e confessar o Senhorio de Cristo sobre si, recebendo imediatamente o selo do Espírito como a confirmação e garantia de que foi resgatado para Deus.
 
A OBJEÇÃO LEVANTADA PELA FALSA TEORIA DA RE-SALVAÇÃO.
 
Tenho dito que afirmar que crianças já nascem salvas (como é o caso dos metodistas e outras denominações) implica num novo conceito para a salvação no Novo Testamente. Uma vez que todo ser humano já nasce salvo (pois ninguém nasce adulto e sim criança), ao crescer ele perde essa condição, já que tomando conhecimento do bem e do mal passa a pecar e, portanto, necessita ser salvo novamente, isto é, ser reconduzido ao estado no qual nasceu. Não existe base bíblica alguma para isso.
 
Após esse breve resumo quero dizer que estou abordando o assunto à luz da ótica Calvinista, que contempla a eleição e predestinação de indivíduos, mas deixando bem claro que não estou querendo inviabilizar a pregação do evangelho como fazem os hipercalvinistas. O propósito dessa série é mostrar mais uma vez que a soberania de Deus é absoluta na salvação do homem, e de que nós devemos amá-la do jeito que ela é, e não tentar amenizá-la ou diminuí-la em virtude do sentimento humano.
 
CRIANÇAS SÃO CULPÁVEIS OU NÃO?
 
De certo modo quero voltar a um dos primeiros argumentos, pois alguns têm me questionado acerca da culpabilidade de uma criança. Ainda que claramente já tenha respondido a isso no primeiro post, baseado em textos como:
 
“Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham proferindo mentiras” (Salmo 58.3).
 
“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5, NVI).
 
“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram” (Romanos 5.12).


Quero agora trazer um comentário interessante feito por Calvino e que de forma muito simples esclarece toda a questão. Ele diz que devido o pecado original...

“...as próprias crianças, enquanto trazem consigo sua condenação desde o ventre materno, são tidas como culposas não por falta alheia, mas pela falta de si próprias. Ora, embora ainda não tenham trazido à tona os frutos de sua iniqüidade, no entanto têm encerrada dentro de si a semente. Com efeito, sua natureza toda é uma como que sementeira de pecado. Por isso, não pode ela deixar de ser odiosa e abominável a Deus. Do quê se segue que, com propriedade, esse estado é considerado como pecado diante de Deus, pois não haveria incriminação sem a culpabilidade” (Institutas Livro II, Cap. 1.2).

Vemos de forma bem coerente que a inocência de uma criança não a isenta da culpa herdade de Adão, e por ela mesma segue-se que é perfeitamente condenável perante Deus, pois ainda que não tenha praticado coisa alguma, contudo sua natureza não poderá produzir futuramente senão pecado e rebeldia.

No próximo post estaremos analisando alguns versículos utilizados por aqueles que ensinam que as crianças nascem salvas ou o são automaticamente após a morte.


Ecclsia reformata, et sempre reformanda!


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