5 de janeiro de 2012

Posted by Samuel Balbino | File under : , , , , ,




Por Samuel Balbino

Mal se iniciou o ano e lá vou eu novamente tomando rumos polêmicos no debate teológico.

Ontem fiquei até tarde com os irmãos Alex, Adilson e Bruno no facebook discutindo sobre o tema da salvação infantil, isto é, se crianças e bebês são salvos automaticamente quando morrem ou não. Entendo que este não é assunto fácil de ser abordado. Ainda mais para um calvinista radical como eu. O Calvinismo sempre foi encarado como vilão nesses impasses, e debates que envolvem a salvação ou condenação de alguém são sempre o mesmo que pisar em solo minado.

Já faz algum tempo que estudei esse assunto e defini minha opinião fundamentada sobre a coerência bíblica, ao mesmo tempo em que me esvaziei de todo emocionalismo que hoje impede que grande parte dos estudantes da Bíblia contemplem a soberania absoluta de Deus, e fui preenchido pela total submissão aos decretos e desígnios Divinos.

Alguns irmãos quando se colocam a meditar sobre as verdades sagradas procuram “amenizar” o máximo possível os efeitos da liberdade de Deus no trato com suas criaturas. Isto é claramente efeito da filosofia humanista que infelizmente infectou boa parte da cristandade. Quando um cristão nega, por exemplo, a predestinação ou a eleição, está afirmando o pensamento humanista, ainda que adaptado ao contexto “evangélico”. A Declaração humanista de 1952 diz:

“Os humanistas rejeitam a ideia de que deus tenha intervindo miraculosamente na história, se revelado a uns poucos eleitos ou que possa salvar ou redimir os pecadores. Eles acreditam que os homens e mulheres são livres e responsáveis por seu próprio destino e que não podem olhar em direção a um ser transcendental para obter a salvação”.

Veja que não existe muita diferença entre o que pregam esses tais humanistas e muitos evangélicos hoje. Excluindo-se o fato de que estes são teístas e aqueles ateus, pouca diferença encontramos na cosmovisão de ambos. Aliás a frase que eu sublinhei é facilmente aceita por todos os arminianos como uma grande verdade, mas notem que foi extraída de uma declaração que se opõe até mesmo ao ensino da Bíbia nas escolas. Cristãos e ateus partilhando do mesmo ideal? Isso está certo?

Cada vez mais vejo pastores e pregadores protegerem o bem-estar do homem e mandarem Deus para as “cucúias”. Criaram uma espécie de deus mais agradável, light, mais próximo do homem (teísmo aberto). Um deus que lança fora toda a sua autoridade e soberania por um simples caco de barro. O homem deseja um deus que lhe seja mais favorável, que satisfaça todas as suas condições e não viole nada daquilo que ele considere como justo. Que pena que este não é o verdadeiro Deus! (risos).

Agora abordemos o caso da salvação infantil.

Vou partir do princípio de que Deus elegeu desde a eternidade aqueles que serão salvos e de que todo o gênero humano se encontra escravizado pelo pecado, totalmente impossibilitado de alcançar o favor de Deus. Posteriormente falarei no âmbito arminiano.

A Bíblia deixa claro que todo ser humano nasce desviado de Deus e depravado.

“Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham proferindo mentiras” (Salmo 58.3).

Diante desse fato podemos facilmente concluir que todos sem exceção nascem pecadores.

“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5, NVI).

Desta forma estamos em perfeita harmonia com o que nos ensina o apóstolo S. Paulo quando escreve a Igreja dos romanos, dizendo:

“Como está escrito: Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém quem entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3.10-12, NVI).

Se é correto afirmar que todo e qualquer homem já nasce pecador, é também perfeitamente correto afirmar que todo e qualquer homem por si só está perdido e condenado à destruição. A primeira objeção que se pode levantar é: Crianças não nascem pecando para poderem ser condenadas. E a minha resposta é que ninguém só se torna pecador a partir do momento em que realiza sua primeira desobediência a Deus, antes todos já nascem pecadores em potencial.

“O homem não se torna um pecador quando peca, mas ele só peca porque já nasceu pecador”.

Estamos falando da herança maldita de Adão. Eu acredito na depravação total e no pecado original. Isso está perfeitamente claro nas Escrituras. Ao dizer que uma criança não pode ser condenada pelo simples fato de ser criança estamos negando essas duas importantes verdades. Talvez agora alguém diga: Como pode o pecado de Adão ter nos afetado ou sermos nós condenados por ele? A resposta é muito fácil. Deus criou Adão como o “cabeça” ou representante de toda a criação (Gênesis 3.17). Ao cair, toda a criação sofreu as consequências junto com ele, vemos isso claramente na mudança comportamental dos animais, no surgimento de plantas nocivas a nós e demais seres vivos e principalmente na culpa herdada que todos trazemos conosco. Por esta culpa somos todos (sem exceção) passíveis da condenação:

“...porque o julgamento veio, na verdade, de uma só ofensa para a condenação (...) por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para a condenação” (Romanos 5.16,18).

É fundamental que todos os homens sejam culpáveis perante Deus, de outra forma o que haveria neles que os fizessem necessitar a salvação? Quero provar com isso que todos independente de serem crianças ou adultos estão profundamente perdidos e necessitam de um salvador. Alguém teria a ousadia de discordar?

No próximo post eu continuo.

Ecclesia reformata, et semper reformanda!


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