30 de junho de 2011

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"Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." (Filipenses 2:13)


Por A. W. Pink
Muitas pessoas dizem que o homem tem "livre arbítrio". Elas dizem que podemos escolher por nós mesmos acreditar ou não no Senhor Jesus. Nos dizem que temos em nós mesmos a capacidade para aceitar ou rejeitar a Cristo.
Porém a Bíblia não ensina isso. Rm 3:11 diz que ninguém deseja buscar a Deus. é verdade que a Bíblia diz que quem quiser pode vir a Cristo, mas isto não significa que os homens possuam a capacidade de vir.
De fato, a Bíblia diz claramente que ninguém tem a capacidade de vir a Cristo. (Veja, por exemplo, João 6:44, 65). Romanos 8:7 nos diz que a nossa natureza caída está em inimizade contra Deus. João 15:18 diz que o mundo odeia em forma natural a Deus. leia estes versículos por si mesmo e veja que isto é bíblico.
Fica claro então que a Bíblia diz que as nossas vontades não são realmente livres. Não somos livres para escolher se vamos receber a Cristo como nosso Salvador ou não. Em realidade, longe de sermos livres ou neutrais, a nossa vontade é escrava de outras coisas.
Mas, o que é a nossa vontade? A vontade é a capacidade de escolher entre uma coisa e outra, ou entre mais alternativas. Mas algo sempre influi na escolha, que nos faz decidir em prol de uma ou em contra de outra alternativa. Isto significa que a nossa vontade é como uma serva daquelas coisas que influem em sua decisão. Portanto, a nossa vontade não pode ser livre.
Quais são as coisas que influem em nossa vontade para que escolha entre uma coisa ou outra? Isso depende de que tipo de pessoas sejamos; ou seja, depende de nossa natureza e caráter. Em algumas pessoas esta influência pode ser a razão, e em outras poderia ser a consciência ou as emoções, ou poderia ser Satanás ou o Espírito Santo. Qualquer destas coisas que tenha mais influência sobre a pessoa é o que em verdade controla a sua vontade. Então, enquanto muitos dizem que é a vontade do homem o que o governa, a Bíblia ensina que é a sua natureza interna a que o controla. A Bíblia chama esta natureza interior "o coração". É o nosso coração (nossa natureza interior) o que influencia a nossa vontade.
Portanto, quando alguém realiza uma escolha, fará o que agrada a seu coração. Se um pecador tem que escolher entre uma vida de bondade e de santidade e uma vida de pecado e egoísmo, escolherá a vida de pecado. Por que? Porque isso é o que agrada a seu coração. Seu coração (seu "eu" interior) é pecaminoso. Lembre-se, a vontade do homem (sua capacidade de escolha) está controlada pelo seu coração pecaminoso.
A Bíblia ensina que os nossos corações são por natureza pecaminosos e que por natureza odiamos a Deus. Devido a isso, as nossas vontades inclinam-se naturalmente para a maldade, já que as nossas vontades são controladas pelos nossos corações pecaminosos. E já que nunca somos forçados a pecar em contra de nossa vontade, existe um sentido em que podemos dizer que as nossas vontades são "livres". Como pessoas somos livres de fazer o que nos dá prazer, mas porque somos pecadores, gostamos sempre é de pecar. Isto é semelhante a um homem que sustém um livro em sua mão e depois o deixa cair. O livro é agora livre, mas naturalmente cai no chão. O homem que o soltou não o tem forçado a cair no chão: aí caiu. Do mesmo modo, ninguém força o pecador a pecar; ele peca naturalmente porque a sua natureza pecaminosa controla a sua vontade.
Ele escolhe pecar livre e deliberadamente, mas sempre escolhe pecar porque a sua natureza é pecaminosa.
O pecado tem afetado cada parte da natureza do homem, ou seja: a sua mente, suas emoções e sua vontade. O homem é totalmente depravado e isso não é difícil de provar. Não temos que discutir acerca da natureza pecaminosa do homem, já que nenhuma pessoa pode guardar as normas que ela impõe a si mesma. Também não pode fazer as coisas boas que deseja realizar, nem muito menos as coisas que agradam a Deus (é por isso que a Escritura declara: "Não há um justo, nem um sequer" (Romanos 3:10). Isto mostra claramente que o homem não é livre, senão que está controlado pelo pecado e por Satanás. O pecado tem penetrado em cada parte de nossa natureza humana. Por natureza não queremos realizar a vontade de Deus, e também não desejamos amá-Lo. O pecado tem entrada em cada parte de nós, incluindo as nossas vontades. Nossas vontades não são livres.
De igual maneira como as outras partes de nosso ser, a vontade é governada pelo pecado e está em oposição a Deus. Sendo assim, não é correto dizer que o homem é capaz de escolher amar e obedecer a Deus, porque em realidade a vontade não deseja obedecer a Deus em absoluto. Também não é correto dizer que os homens têm que fazer "a sua parte" na salvação de si mesmos. Um homem morto não pode fazer nada para salvar a si mesmo, e a Bíblia nos diz que os homens estão mortos a causa de sua desobediência e pecado. Somente Deus pode mudar a nossa natureza pecaminosa de modo que cheguemos a amá-Lo e obedecê-Lo.
(Veja os seguintes versículos para confirmar esta verdade: Romanos 8:7-8; 1 Coríntios 2:14; João 6:44, 65; João 3:1-9; Efésios 4:17-19; Efésios 2:1-10; João 8:34, 44; Gênesis 6:5; Eclesiastes 9:3; Jeremias 17:9; Marcos 7:21-23; Isaias 53:6 y 64:6; Jó 14:4; Jeremias 13:23, etc.).
Temos aprendido que Deus tem o controle de todas as coisas. Deus o Pai escolheu salvar a certas pessoas de seus pecados. Jesus Cristo morreu para salvá-los e o Espírito Santo lhes dá vida espiritual. Na salvação de seu povo e em seu controle de todas as coisas, Deus opera de acordo com Seu propósito determinado. Nenhuma pessoa pode escolher se será salva ou não, porque a sua vontade é por natureza má e não deseja o que é bom. Ou seja, se Deus deixara liberados a todos nós aos desejos de nossa própria natureza, então nenhum seria salvo, mas todos perdidos. Só Deus pode realizar que uma pessoa deseje ser salva de seus pecados.
Muitas pessoas desejam escapar das conseqüências de seus pecados, mas ninguém por natureza quer deixar o pecado, nem ser salvo de seu controle e domínio. É por isso que a Bíblia ensina que o arrependimento e a fé são dons que Deus concede só aos seus escolhidos. (Veja por exemplo: 2 Timóteo 2:24-26; Atos 5:31 y Atos 13:48; Filipenses 1:29 y 2:13-14; Tiago 1:18; 1 Coríntios 3:5; Romanos 12:3; Atos 16:14).

Fonte: Deus é Soberano,cap. 8 -  Trad. Daniela Raffo - Iglesia Bautista de la Gracia, 2007

29 de junho de 2011

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Escócia - 1560
Cap. VIII

O mesmo eterno Deus e Pai, que somente pela graça nos escolheu em seu Filho, Jesus Cristo, antes que fossem lançados os fundamentos do mundo, designouo para ser nosso chefe, nosso irmão, nosso pastor e o grande bispo de nossas almas. Mas, visto que a inimizade entre a justiça de Deus e os nossos pecados era tal que nenhuma carne por si mesma poderia ter chegado a Deus, foi preciso que o Filho de Deus descesse até nós e assumisse o corpo de nosso corpo, a carne de nossa carne e o osso de nossos ossos, para que se tornasse o perfeito Mediador entre Deus e o homem, dando a todos os que crêem em Deus o poder de se tornarem filhos de Deus, como ele mesmo diz: “Subo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus”. Por meio desta santíssima fraternidade, tudo o que perdemos em Adão nos é de novo restituído, e por isso não tememos chamar a Deus nosso Pai, não tanto por nos ter ele criado - o que temos em comum com os próprios réprobos –  como por nos ter dado o seu Filho unigênito para ser nosso irmão, e por nos ter concedido graça para reconhecê-lo e abraçá-lo como nosso único Mediador, como ficou dito acima. 

Além disso, era preciso que o Messias e Redentor fosse verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porque ele seria capaz de suportar o castigo devido a nossas transgressões e apresentar-se ante o juízo de seu Pai, como em nosso lugar, para sofrer por nossa transgressão e desobediência, e, pela morte, vencer o autor da morte. Mas, porque a Divindade, só, não podia sofrer a morte, nem a humanidade podia vencê-la, ele uniu as duas numa só pessoa, a fim de que a fraqueza de uma pudesse sofrer e sujeitar-se à morte que nós merecíamos - e o poder infinito e invencível da outra, isto é, da Divindade, pudesse triunfar e preparar-nos a vida, a liberdade e a vitória perpétua. Assim confessamos e cremos sem nenhuma dúvida.

Fonte: Livro das Confissões Presbiterianas - 2006, IPUSA

26 de junho de 2011

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Por Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Há muitos que preferem falar do evangelho como uma "oferta" e não como um chamado. É no mínimo interessante que a Escritura nunca use a palavra oferta para descrever o evangelho. Não temos nenhuma objeção à palavra oferta como tal. Em seu sentido antigo ela significa somente que no evangelho há um "anúncio de Cristo". O Catecismo Maior de Westminster, por exemplo, define uma oferta de Cristo como "testificando que todo o que crer nele será salvo."
Em seu sentido moderno, contudo, a palavra oferta sugere e é usada para ensinar que Deus ama todos os homens e deseja salvar todos eles, que ele faz um esforço para salvar todos eles no evangelho, e que, quer um pecador seja salvo ou não, depende da vontade do pecador. Esses ensinamentos são contrários à Escritura.

A Escritura não ensina que Deus ama todos os homens (Sl. 11:5; João 13:1; Rm. 9:13), nem ensina que Deus está tentando salvar todos eles (Is. 6:9-11; Rm. 9:18; 2Co. 2:14-16). Certamente ela não ensina que na salvação dos pecadores Deus pode ser frustrado por causa da indisposição deles, ou que ele espera, de mãos atadas, que eles aceitem sua salvação (Sl. 115:3; João 6:44; Rm. 9:16; Ef. 2:8,9). Por essas razões preferimos não falar do evangelho como uma "oferta."

Um chamado é diferente de uma oferta. Ele nos lembra da soberania de Deus. Ele, como Rei, intima os pecadores a crer e obedecer ao evangelho. O termo até mesmo indica que ele de fato traz alguns à salvação por seu chamado soberano. Quando lembramos que é Deus quem chama, não é difícil entender isso. Ele é aquele que "chama à existência as coisas que não existem" (Rm. 4:17).

Esse chamado é ouvido na pregação do evangelho. Ele é feito eficaz pela operação interior do Espírito Santo, de forma que alguns não somente ouvem, mas também obedecem ao chamado. Pela obra do Espírito é Deus em Cristo quem chama, não o pregador. O pregador é somente um instrumento.
Essa é a razão dos ímpios serem condenados por desobediência quando recusam dar ouvidos ao chamado. Por sua incredulidade eles não rejeitam um mero homem, mas o próprio Deus vivo, que fala através do seu Filho unigênito. Isso é muito sério!

Essa é razão também pela qual o pregador não deve trazer nada senão as Escrituras. Aqueles que ouvem devem ouvir a Palavra de Deus, não as noções, filosofias, comentários políticos, etc., do pregador. O pregador deve ser cuidadoso para não obscurecer o chamado soberano de Deus ao adicionar alguns tipos desnecessários de táticas de imploração e "venda", deixando a impressão de que Deus depende da vontade do pecador.

Deve ficar claro na pregação do evangelho que Deus soberanamente demanda fé e arrependimento dos pecadores – que ele, o Todo-poderoso, o Juiz do céu e da terra, requer obediência e punirá a desobediência. Por tal pregação os pecadores são salvos, e Deus é glorificado.

Fonte (original): Doctrine According to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 191-192

Publicado no site "Covenant Protestant Reformed Church" - www.cprf.co.uk

9 de junho de 2011

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Por Rousas John Rushdoony

Ao longo dos anos, tenho sido freqüentemente questionado o que me fez ser um calvinista, e agora a equipe da Chalcedon pediu que eu escrevesse uma resposta a essa pergunta. Em parte, respondi essa pergunta no apêndice ao meu livro By What Standard? há muitos anos. Basicamente, a resposta é essa: eu sou um calvinista porque Deus me fez assim em sua misericórdia e poder predestinador.

Assim, num sentido, nasci um calvinista. E eu fui batizado como uma criança do pacto. Minha herança armênia reforçou esse fato. Desde os meus primeiros anos, minhas memórias eram da chegada de amigos e parentes vindos do velho país. Várias reuniões com eles seguiam-se, à medida que outros se encontravam com eles para perguntar sobre os seus amados. Alguns seriam informados que seus amados foram vistos flutuando mortos num rio, ou presos por forças turcas e curdas. Isso e mais me disse que este mundo é uma batalha entre duas forças. Fomos ordenados à vitória, nossa Fé nos assegura, mas existe um preço.

A Bíblia nesse contexto era um livro militar, as ordens do nosso Rei para nós, o seu povo. Tão logo pude ler, li a Bíblia continuamente. Não me ocorreu duvidar de algo que ela dissesse. Não entendia tudo o que lia, mas entendia o suficiente para saber que a palavra do Rei deve ser crida e obedecida.

Anos mais tarde, como um estudante graduado, foi questionado por outro se eu realmente tomava os Símbolos de Westminster literalmente, de forma que li os mesmos novamente. Isso me fez mais ciente do que é um crente Reformado, e mais clara em minha compreensão a linha de divisão.

No momento, sem dúvida, muito do que se passava por Fé Reformada ou Calvinismo era vago e cheio de concessões. Muito dele era simplesmente um fundamentalismo mais “dignificado”. Aqui é onde o dr. Cornelius Van Til foi tão importante. Ele esclareceu, restaurou e desenvolveu a Fé Reformada. Ele arrumou e modelou minha fé e direção. Não posso exagerar sua influência, nem a força que ele me deu em meu desenvolvimento e direção. Foi o Senhor quem fez de mim um Reformado, em sua graça e misericórdia soberana, em seu poder e graça predestinador. Na juventude, seu poder direcionador deixou claro pra mim que um crente é um agente, e assim ganhei uma vocação.

Ser um crente Reformado é muito fácil: Você vai com o fluxo da história, vai com Deus contra o homem. Ser um incrédulo é o que é difícil, dolorosamente difícil. Conheço incrédulos bem o suficiente para saber quão verdade isso é. A vida então não tem significado, e somos esvaziados de qualquer verdade ou propósito. Não existe nenhuma vitória na história, e a vida é destituída de propósito.

A Fé Reformada me diz que não existem fatos sem significado, nenhuma fatualidade bruta, para usar o termo de Van Til, na criação de Deus. Eu vivo num cosmos de significado universal e bendito. É verdade que ele é no presente um campo de batalha entre dois poderes diferentes, mas a vitória do nosso Senhor está assegurada.

Meu lugar nessa batalha e nessa vitória é tudo pela graça – um privilégio. Isso tem me trazido a minha porção de problemas, mas minha vida tem sido uma riqueza quando comparada a de muitos parentes e ancestrais que morreram pela Fé.

A Chalcedon[1] foi fundada para promover nossa vitória em Cristo. Surpreende-me que teólogos e pastores proeminentes vejam na verdade minha fé nessa plenitude da vitória como errada. Tenho pena da falta de fé deles, e oro para que mudem.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

8 de junho de 2011

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Uma das questões que mais levantam debates é o dízimo. Em 99,9% dos ministérios modernos dizimar é uma obrigação, chega até a ser uma coisa imposta pelos líderes. No pentecostalismo, em particular nas seitas neo-pentecostais, criou-se a lenda de que quem não dizima vem um demônio devorador e acaba com as finanças do crente. Usa-se até o termo “sonegar dízimo” para os irmãos “inadimplentes”.
Durante meus anos no pentecostalismo vivi debaixo de muita opressão por medo desse tal devorador. Finalmente na graça de Deus eu pude contemplar a verdade e sair dessa escravidão maldita que os homens impõem. Houve dias em que cheguei a me desesperar e perguntar a Deus onde eu estava errando, pois as coisas não iam nada bem e eu continuava dizimando e sacrificando, mesmo assim não via resultado algum. Há “pastores” que fazem um verdadeiro terrorismo com o dízimo, nem conseguem esconder a ganância por trás de tantas exigências.
Como não é nenhuma novidade esses falsos pastores se utilizam de textos bíblicos para amedrontarem o povo de Deus, e como a grande maioria dos cristãos são analfabetos da Bíblia (sabem ler, mas não compreendem), logo caem nas suas artimanhas e se submetem a um jugo opressivo e constrangedor.
Analisemos rapidamente a questão.
Já era um costume o pagamento de dízimos a deuses e reis no oriente antigo. Por vezes os reinos conquistadores também exigiam dos seus conquistados um imposto de 10%. Dessa forma, dizimar era algo tanto civil quanto religioso. Abraão foi o primeiro na Bíblia a ofertar um dízimo. Ele o fez quando voltou de uma guerra e entregou a Melquisedeque:
“E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo” (Gênesis 14.20).
Esse ato de Abraão foi feito como uma forma de gratidão a Deus pela vitória recebida, foi algo voluntário. Melquisedeque não estipulou que Abraão fizesse isso, partiu dele próprio. Depois é Jacó quem nos fornece outro exemplo quando ele erige um altar ao Senhor e faz a promessa de lhe ofertar o dízimo:
“então esta pedra que tenho posto como coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gênesis 28.22).
Novamente vemos um ato voluntário aqui. Não vemos em nenhum capítulo anterior a esse evento Deus estipulado ou exigindo algo de Jacó. Isso serve para comprovar que dar o dízimo antes de vir a Lei de Moisés era algo voluntário, não exigido por Deus, mas um ato de gratidão e que partia da própria pessoa. É algo honorável e certamente digno de respeito por parte de quem o faz.
Com a advento da Lei Mosaica o dízimo passa a ser uma prescrição. Isso era feito em função do sacerdócio levítico, o dízimo servia para sustentar os levitas e manter o tabernáculo e posteriormente o templo em plena atividade.
“Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao senhor; santos são ao Senhor” (Levítico 27.32).
“Eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, o serviço da tenda da revelação” (Números 18.21).
Como os levitas se dedicavam apenas ao serviço religioso era dele que vinha o seu sustento. Isso foi algo determinado por Deus. Assim sendo, o dízimo deixava ser algo voluntário para ser uma exigência cujo propósito era manter aqueles que prestavam o serviço sagrado.
Com a introdução do povo na terra prometida foi prescrito que não somente os levitas, mas que os próprios ofertantes (dizimistas) deviam participar do dízimo na hora de oferecê-lo:
“mas quando passardes o Jordão, e habitardes na terra que o senhor vosso Deus vos faz herdar, ele vos dará repouso de todos os vossos inimigos em redor, e morareis seguros. Então haverá um lugar que o Senhor vosso Deus escolherá para ali fazer habitar o seu nome; a esse lugar trareis tudo o que eu vos ordeno: os vossos holocaustos e sacrifícios, os vossos dízimos, a oferta alçada da vossa mão, e tudo o que de melhor oferecerdes ao Senhor em cumprimento dos votos que fizerdes. E vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus, vós, vossos filhos e vossas filhas, vossos servos e vossas servas, bem como o levita que está dentro das vossas portas, pois convosco não tem parte nem herança” (Deuteronômio 12.10-12).
“Dentro das tuas portas não poderás comer o dízimo do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, nem os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas, nem qualquer das tuas ofertas votivas, nem as tuas ofertas voluntárias, nem a oferta alçada da tua mão; mas os comerás perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher, tu, teu filho, tua filha, o teu servo, a tua serva, e bem assim e levita que está dentre das tuas portas; e perante o Senhor teu Deus te alegrarás em tudo em que puseres a mão” (Deuteronômio 12.17,18).
Entretanto, a cada três anos os dízimos deviam ser entregues somente aos levitas e aos necessitados tais como estrangeiros, órfãos e viúvas:
“Ao fim de cada terceiro ano levarás todos os dízimos da tua colheita do mesmo ano, e os depositarás dentro das tuas portas. Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), o peregrino, o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda obra que as tuas mãos fizerem” (Deuteronômio 14.28,29).
O dízimo também representa as primícias, isto é, o melhor. Neste ângulo podemos dizer que Abel foi o primeiro a dizimar:
“Abel também trouxe das primícias das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta” (Gênesis 4.4).
O rei Ezequias conclamou o povo a trazer os dízimos ao templo:
“Além disso, ordenou ao povo que morava em Jerusalém que desse a porção pertencente aos sacerdotes e aos levitas, para que eles se dedicassem à lei do Senhor.  Logo que esta ordem se divulgou, os filhos de Israel trouxeram em abundância as primícias de trigo, mosto, azeite, mel e todo produto do campo; também trouxeram em abundância o dízimo de tudo”(2º Crônicas 31.5,6).
Diante da desobediência do povo de Israel em trazer os dízimos após o exílio da Babilônia, o Senhor os repreende através do profeta Malaquias:
“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança” (Malaquias 3.8-10).
Será mesmo que isso se aplica a nós hoje? Será que estamos sujeitos a essa maldição que é descrita no versículo acima? Os pregadores da teologia da prosperidade adoram esse texto para fazer suas promessas mirabolantes: “Veja, se você dizimar pode fazer prova com Deus, ele vai abrir as janelas do céu na sua vida. Agora se você sonegar o dízimo, ai você vai ser amaldiçoado, vai vir um demônio devorador e acabar com suas finanças...!” Eu cansei de ouvir isso na seita Universal (IURD).
É interessante como eles se esquecem que vivemos hoje em uma nova dispensação. Não é impressão minha, a verdade é que nesses lugares onde o evangelho é fonte de lucro, a Lei é fundamental; sem ela não é possível manipular as pessoas. Precisamos entender que o dízimo descrito em Malaquias era exigido dos judeus durante o vigor da Lei de Moisés. Assim com esse dízimo haviam outras prescrições que também não estavam sendo obedecidas por eles:
“Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes” (Malaquias 3.7).
Compreendendo e estudando o contexto da Lei vamos perceber que ela contém promessa de benção para quem a cumpre e maldição pra quem desobedece pelo menos um dos seus quesitos.
“Se, porém, não ouvires a voz do Senhor teu Deus, se não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que eu hoje te ordeno, virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão: Maldito serás na cidade, e maldito serás no campo. Maldito o teu cesto, e a tua amassadeira. Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto do teu solo, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas. Maldito serás ao entrares, e maldito serás ao saíres” (Deuteronômio 28.15-19).
Diversas maldições são descritas para os transgressores da Lei. Na dispensação da Graça sabemos que não há mais maldição alguma contra nós:
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gálatas 3.13).
Toda a maldição que sobrevinha quando a Lei não era obedecida foi lançada sobre JESUS na Cruz, não estamos mais sujeitos a nenhuma delas. Temos que levar em conta as palavras do apóstolo quando estamos nos referindo ao antigo testamento. Não tem sentido sermos resgatados por Cristo e ao mesmo tempo ainda estamos sujeitos à maldições impostas pela Lei.
Na graça estamos isentos de cumprir as ordenanças que a Lei exigia (entre elas o dízimo), pois todas foram canceladas por Cristo na Cruz:
“E tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós, e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente na Cruz” (Colossenses 2.14).
O que está acontecendo é que esses “malandros” renegam toda a Lei e querem ficar apenas com o dízimo, nesse ponto os judeus messiânicos têm toda a razão, ou você acredita que a Lei continua em vigor e a cumpre ou não. O que não pode é ficar escolhendo qual prescrição da Lei é que vai ser obedecida hoje. Ela foi feita para ser cumprida completamente, e quem desobedece a um só quesito é passível de punição.
Não existe no novo testamento qualquer mandamento apostólico sobre o dízimo. As únicas bases estão no velho pacto. Então, astutamente, os espertalhões da era moderna se utilizam dessas bases para IMPOR a cobrança de dízimos à igreja sem considerar o contexto no qual elas foram feitas aos antigos.
Agora respondendo objetivamente a pergunta proposta: Sou obrigado a dizimar? A resposta é não. Não encontramos nenhuma ordenança de JESUS através dos apóstolos prescrevendo uma cobrança de dízimos à Igreja. Isso não significa que seja pecado ofertar dízimos, desde que isso não seja imposto como tem sido feito, porque assim estaríamos voltando ao dízimo mosaico, e não existem levitas na igreja para serem mantidos. O que pode ser feito é um propósito pessoal partindo da individualidade de cada um na Igreja. Quem quiser e se dispor a dizimar, faça se assim sentir no coração. Em nenhum momento a liderança do ministério tem autoridade para prometer bênçãos em troca de dízimos ou maldição na ausência destes.
O dízimo espontâneo (como gosto de chamar) vem do coração do próprio ofertante, é baseado nos atos de Abraão e Jacó, que voluntariamente decidiram dizimar ao Senhor. É um ato de gratidão e comprometimento com a manutenção da obra de Deus, isso não significa que quem não dizima também não esteja comprometido, a questão é que quem se propõe a dizimar faz um pouco mais pelo trabalho da Igreja.
Alguns alegam que sem os dízimos não é possível sustentar os pastores e suas famílias. Na verdade, como já disse, não vemos prescrição de dízimos no período apostólico, mas fica evidente que eram as contribuições da Igreja que mantinham tanto os ministros, através de salários, (2ª Coríntios 11.8), quanto às pessoas mais necessitadas tais quais viúvas e pobres (Atos 2.44/2ª Coríntios 9.1-15/Gálatas 2.10/1ª Timóteo 5.16).
A ganância chegou a níveis tão absurdos hoje que se chegou até a criar um sistema de “Dízimo Consignado”. Isso é resultado da má compreensão do contexto bíblico e da falta de atenção de boa parte da Igreja a essas questões. Creio que qualquer ministério pode se sustentar baseando-se na liberalidade de seus membros (desde quê sejam instruídos dessa forma) e não seria necessário fazer um terrorismo financeiro com o povo de Deus, levando milhares de pessoas a uma escravidão oportunista e de barganha.

Ir. Samuel