30 de junho de 2011

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"Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." (Filipenses 2:13)


Por A. W. Pink
Muitas pessoas dizem que o homem tem "livre arbítrio". Elas dizem que podemos escolher por nós mesmos acreditar ou não no Senhor Jesus. Nos dizem que temos em nós mesmos a capacidade para aceitar ou rejeitar a Cristo.
Porém a Bíblia não ensina isso. Rm 3:11 diz que ninguém deseja buscar a Deus. é verdade que a Bíblia diz que quem quiser pode vir a Cristo, mas isto não significa que os homens possuam a capacidade de vir.
De fato, a Bíblia diz claramente que ninguém tem a capacidade de vir a Cristo. (Veja, por exemplo, João 6:44, 65). Romanos 8:7 nos diz que a nossa natureza caída está em inimizade contra Deus. João 15:18 diz que o mundo odeia em forma natural a Deus. leia estes versículos por si mesmo e veja que isto é bíblico.
Fica claro então que a Bíblia diz que as nossas vontades não são realmente livres. Não somos livres para escolher se vamos receber a Cristo como nosso Salvador ou não. Em realidade, longe de sermos livres ou neutrais, a nossa vontade é escrava de outras coisas.
Mas, o que é a nossa vontade? A vontade é a capacidade de escolher entre uma coisa e outra, ou entre mais alternativas. Mas algo sempre influi na escolha, que nos faz decidir em prol de uma ou em contra de outra alternativa. Isto significa que a nossa vontade é como uma serva daquelas coisas que influem em sua decisão. Portanto, a nossa vontade não pode ser livre.
Quais são as coisas que influem em nossa vontade para que escolha entre uma coisa ou outra? Isso depende de que tipo de pessoas sejamos; ou seja, depende de nossa natureza e caráter. Em algumas pessoas esta influência pode ser a razão, e em outras poderia ser a consciência ou as emoções, ou poderia ser Satanás ou o Espírito Santo. Qualquer destas coisas que tenha mais influência sobre a pessoa é o que em verdade controla a sua vontade. Então, enquanto muitos dizem que é a vontade do homem o que o governa, a Bíblia ensina que é a sua natureza interna a que o controla. A Bíblia chama esta natureza interior "o coração". É o nosso coração (nossa natureza interior) o que influencia a nossa vontade.
Portanto, quando alguém realiza uma escolha, fará o que agrada a seu coração. Se um pecador tem que escolher entre uma vida de bondade e de santidade e uma vida de pecado e egoísmo, escolherá a vida de pecado. Por que? Porque isso é o que agrada a seu coração. Seu coração (seu "eu" interior) é pecaminoso. Lembre-se, a vontade do homem (sua capacidade de escolha) está controlada pelo seu coração pecaminoso.
A Bíblia ensina que os nossos corações são por natureza pecaminosos e que por natureza odiamos a Deus. Devido a isso, as nossas vontades inclinam-se naturalmente para a maldade, já que as nossas vontades são controladas pelos nossos corações pecaminosos. E já que nunca somos forçados a pecar em contra de nossa vontade, existe um sentido em que podemos dizer que as nossas vontades são "livres". Como pessoas somos livres de fazer o que nos dá prazer, mas porque somos pecadores, gostamos sempre é de pecar. Isto é semelhante a um homem que sustém um livro em sua mão e depois o deixa cair. O livro é agora livre, mas naturalmente cai no chão. O homem que o soltou não o tem forçado a cair no chão: aí caiu. Do mesmo modo, ninguém força o pecador a pecar; ele peca naturalmente porque a sua natureza pecaminosa controla a sua vontade.
Ele escolhe pecar livre e deliberadamente, mas sempre escolhe pecar porque a sua natureza é pecaminosa.
O pecado tem afetado cada parte da natureza do homem, ou seja: a sua mente, suas emoções e sua vontade. O homem é totalmente depravado e isso não é difícil de provar. Não temos que discutir acerca da natureza pecaminosa do homem, já que nenhuma pessoa pode guardar as normas que ela impõe a si mesma. Também não pode fazer as coisas boas que deseja realizar, nem muito menos as coisas que agradam a Deus (é por isso que a Escritura declara: "Não há um justo, nem um sequer" (Romanos 3:10). Isto mostra claramente que o homem não é livre, senão que está controlado pelo pecado e por Satanás. O pecado tem penetrado em cada parte de nossa natureza humana. Por natureza não queremos realizar a vontade de Deus, e também não desejamos amá-Lo. O pecado tem entrada em cada parte de nós, incluindo as nossas vontades. Nossas vontades não são livres.
De igual maneira como as outras partes de nosso ser, a vontade é governada pelo pecado e está em oposição a Deus. Sendo assim, não é correto dizer que o homem é capaz de escolher amar e obedecer a Deus, porque em realidade a vontade não deseja obedecer a Deus em absoluto. Também não é correto dizer que os homens têm que fazer "a sua parte" na salvação de si mesmos. Um homem morto não pode fazer nada para salvar a si mesmo, e a Bíblia nos diz que os homens estão mortos a causa de sua desobediência e pecado. Somente Deus pode mudar a nossa natureza pecaminosa de modo que cheguemos a amá-Lo e obedecê-Lo.
(Veja os seguintes versículos para confirmar esta verdade: Romanos 8:7-8; 1 Coríntios 2:14; João 6:44, 65; João 3:1-9; Efésios 4:17-19; Efésios 2:1-10; João 8:34, 44; Gênesis 6:5; Eclesiastes 9:3; Jeremias 17:9; Marcos 7:21-23; Isaias 53:6 y 64:6; Jó 14:4; Jeremias 13:23, etc.).
Temos aprendido que Deus tem o controle de todas as coisas. Deus o Pai escolheu salvar a certas pessoas de seus pecados. Jesus Cristo morreu para salvá-los e o Espírito Santo lhes dá vida espiritual. Na salvação de seu povo e em seu controle de todas as coisas, Deus opera de acordo com Seu propósito determinado. Nenhuma pessoa pode escolher se será salva ou não, porque a sua vontade é por natureza má e não deseja o que é bom. Ou seja, se Deus deixara liberados a todos nós aos desejos de nossa própria natureza, então nenhum seria salvo, mas todos perdidos. Só Deus pode realizar que uma pessoa deseje ser salva de seus pecados.
Muitas pessoas desejam escapar das conseqüências de seus pecados, mas ninguém por natureza quer deixar o pecado, nem ser salvo de seu controle e domínio. É por isso que a Bíblia ensina que o arrependimento e a fé são dons que Deus concede só aos seus escolhidos. (Veja por exemplo: 2 Timóteo 2:24-26; Atos 5:31 y Atos 13:48; Filipenses 1:29 y 2:13-14; Tiago 1:18; 1 Coríntios 3:5; Romanos 12:3; Atos 16:14).

Fonte: Deus é Soberano,cap. 8 -  Trad. Daniela Raffo - Iglesia Bautista de la Gracia, 2007

29 de junho de 2011

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Escócia - 1560
Cap. VIII

O mesmo eterno Deus e Pai, que somente pela graça nos escolheu em seu Filho, Jesus Cristo, antes que fossem lançados os fundamentos do mundo, designouo para ser nosso chefe, nosso irmão, nosso pastor e o grande bispo de nossas almas. Mas, visto que a inimizade entre a justiça de Deus e os nossos pecados era tal que nenhuma carne por si mesma poderia ter chegado a Deus, foi preciso que o Filho de Deus descesse até nós e assumisse o corpo de nosso corpo, a carne de nossa carne e o osso de nossos ossos, para que se tornasse o perfeito Mediador entre Deus e o homem, dando a todos os que crêem em Deus o poder de se tornarem filhos de Deus, como ele mesmo diz: “Subo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus”. Por meio desta santíssima fraternidade, tudo o que perdemos em Adão nos é de novo restituído, e por isso não tememos chamar a Deus nosso Pai, não tanto por nos ter ele criado - o que temos em comum com os próprios réprobos –  como por nos ter dado o seu Filho unigênito para ser nosso irmão, e por nos ter concedido graça para reconhecê-lo e abraçá-lo como nosso único Mediador, como ficou dito acima. 

Além disso, era preciso que o Messias e Redentor fosse verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porque ele seria capaz de suportar o castigo devido a nossas transgressões e apresentar-se ante o juízo de seu Pai, como em nosso lugar, para sofrer por nossa transgressão e desobediência, e, pela morte, vencer o autor da morte. Mas, porque a Divindade, só, não podia sofrer a morte, nem a humanidade podia vencê-la, ele uniu as duas numa só pessoa, a fim de que a fraqueza de uma pudesse sofrer e sujeitar-se à morte que nós merecíamos - e o poder infinito e invencível da outra, isto é, da Divindade, pudesse triunfar e preparar-nos a vida, a liberdade e a vitória perpétua. Assim confessamos e cremos sem nenhuma dúvida.

Fonte: Livro das Confissões Presbiterianas - 2006, IPUSA

26 de junho de 2011

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Por Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Há muitos que preferem falar do evangelho como uma "oferta" e não como um chamado. É no mínimo interessante que a Escritura nunca use a palavra oferta para descrever o evangelho. Não temos nenhuma objeção à palavra oferta como tal. Em seu sentido antigo ela significa somente que no evangelho há um "anúncio de Cristo". O Catecismo Maior de Westminster, por exemplo, define uma oferta de Cristo como "testificando que todo o que crer nele será salvo."
Em seu sentido moderno, contudo, a palavra oferta sugere e é usada para ensinar que Deus ama todos os homens e deseja salvar todos eles, que ele faz um esforço para salvar todos eles no evangelho, e que, quer um pecador seja salvo ou não, depende da vontade do pecador. Esses ensinamentos são contrários à Escritura.

A Escritura não ensina que Deus ama todos os homens (Sl. 11:5; João 13:1; Rm. 9:13), nem ensina que Deus está tentando salvar todos eles (Is. 6:9-11; Rm. 9:18; 2Co. 2:14-16). Certamente ela não ensina que na salvação dos pecadores Deus pode ser frustrado por causa da indisposição deles, ou que ele espera, de mãos atadas, que eles aceitem sua salvação (Sl. 115:3; João 6:44; Rm. 9:16; Ef. 2:8,9). Por essas razões preferimos não falar do evangelho como uma "oferta."

Um chamado é diferente de uma oferta. Ele nos lembra da soberania de Deus. Ele, como Rei, intima os pecadores a crer e obedecer ao evangelho. O termo até mesmo indica que ele de fato traz alguns à salvação por seu chamado soberano. Quando lembramos que é Deus quem chama, não é difícil entender isso. Ele é aquele que "chama à existência as coisas que não existem" (Rm. 4:17).

Esse chamado é ouvido na pregação do evangelho. Ele é feito eficaz pela operação interior do Espírito Santo, de forma que alguns não somente ouvem, mas também obedecem ao chamado. Pela obra do Espírito é Deus em Cristo quem chama, não o pregador. O pregador é somente um instrumento.
Essa é a razão dos ímpios serem condenados por desobediência quando recusam dar ouvidos ao chamado. Por sua incredulidade eles não rejeitam um mero homem, mas o próprio Deus vivo, que fala através do seu Filho unigênito. Isso é muito sério!

Essa é razão também pela qual o pregador não deve trazer nada senão as Escrituras. Aqueles que ouvem devem ouvir a Palavra de Deus, não as noções, filosofias, comentários políticos, etc., do pregador. O pregador deve ser cuidadoso para não obscurecer o chamado soberano de Deus ao adicionar alguns tipos desnecessários de táticas de imploração e "venda", deixando a impressão de que Deus depende da vontade do pecador.

Deve ficar claro na pregação do evangelho que Deus soberanamente demanda fé e arrependimento dos pecadores – que ele, o Todo-poderoso, o Juiz do céu e da terra, requer obediência e punirá a desobediência. Por tal pregação os pecadores são salvos, e Deus é glorificado.

Fonte (original): Doctrine According to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 191-192

Publicado no site "Covenant Protestant Reformed Church" - www.cprf.co.uk

9 de junho de 2011

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Por Rousas John Rushdoony

Ao longo dos anos, tenho sido freqüentemente questionado o que me fez ser um calvinista, e agora a equipe da Chalcedon pediu que eu escrevesse uma resposta a essa pergunta. Em parte, respondi essa pergunta no apêndice ao meu livro By What Standard? há muitos anos. Basicamente, a resposta é essa: eu sou um calvinista porque Deus me fez assim em sua misericórdia e poder predestinador.

Assim, num sentido, nasci um calvinista. E eu fui batizado como uma criança do pacto. Minha herança armênia reforçou esse fato. Desde os meus primeiros anos, minhas memórias eram da chegada de amigos e parentes vindos do velho país. Várias reuniões com eles seguiam-se, à medida que outros se encontravam com eles para perguntar sobre os seus amados. Alguns seriam informados que seus amados foram vistos flutuando mortos num rio, ou presos por forças turcas e curdas. Isso e mais me disse que este mundo é uma batalha entre duas forças. Fomos ordenados à vitória, nossa Fé nos assegura, mas existe um preço.

A Bíblia nesse contexto era um livro militar, as ordens do nosso Rei para nós, o seu povo. Tão logo pude ler, li a Bíblia continuamente. Não me ocorreu duvidar de algo que ela dissesse. Não entendia tudo o que lia, mas entendia o suficiente para saber que a palavra do Rei deve ser crida e obedecida.

Anos mais tarde, como um estudante graduado, foi questionado por outro se eu realmente tomava os Símbolos de Westminster literalmente, de forma que li os mesmos novamente. Isso me fez mais ciente do que é um crente Reformado, e mais clara em minha compreensão a linha de divisão.

No momento, sem dúvida, muito do que se passava por Fé Reformada ou Calvinismo era vago e cheio de concessões. Muito dele era simplesmente um fundamentalismo mais “dignificado”. Aqui é onde o dr. Cornelius Van Til foi tão importante. Ele esclareceu, restaurou e desenvolveu a Fé Reformada. Ele arrumou e modelou minha fé e direção. Não posso exagerar sua influência, nem a força que ele me deu em meu desenvolvimento e direção. Foi o Senhor quem fez de mim um Reformado, em sua graça e misericórdia soberana, em seu poder e graça predestinador. Na juventude, seu poder direcionador deixou claro pra mim que um crente é um agente, e assim ganhei uma vocação.

Ser um crente Reformado é muito fácil: Você vai com o fluxo da história, vai com Deus contra o homem. Ser um incrédulo é o que é difícil, dolorosamente difícil. Conheço incrédulos bem o suficiente para saber quão verdade isso é. A vida então não tem significado, e somos esvaziados de qualquer verdade ou propósito. Não existe nenhuma vitória na história, e a vida é destituída de propósito.

A Fé Reformada me diz que não existem fatos sem significado, nenhuma fatualidade bruta, para usar o termo de Van Til, na criação de Deus. Eu vivo num cosmos de significado universal e bendito. É verdade que ele é no presente um campo de batalha entre dois poderes diferentes, mas a vitória do nosso Senhor está assegurada.

Meu lugar nessa batalha e nessa vitória é tudo pela graça – um privilégio. Isso tem me trazido a minha porção de problemas, mas minha vida tem sido uma riqueza quando comparada a de muitos parentes e ancestrais que morreram pela Fé.

A Chalcedon[1] foi fundada para promover nossa vitória em Cristo. Surpreende-me que teólogos e pastores proeminentes vejam na verdade minha fé nessa plenitude da vitória como errada. Tenho pena da falta de fé deles, e oro para que mudem.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

7 de junho de 2011

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Por Clóvis Gonçalves
“Suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus. Um espírito de prostituição está no coração deles; não reconhecem o Senhor”. (Oséias 5:4)
As duras palavras ditas por Deus através do profeta era dirigida aos religiosos, ao povo em geral e à família real, sem deixar ninguém de fora:
“Ouçam isto, sacerdotes! Atenção, israelitas! Escute, ó família real! Esta sentença é contra vocês” (Oséias 5:1).
As terríveis consequências da Queda não desviam de nenhum filho de Adão.
“Todos pecaram e separados estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).
 Mas o texto nos mostra que o problema com o pecado não é apenas sua extensão, atingindo a todos os homens, mas também a profundidade em que penetra em cada ser humano, afetando todas as suas faculdades.
As obras impedem de voltar para Deus (Isaías 59:2)
O proceder do homem natural é corrompido de tal forma que ele só faz pecar e pecar. Nem mesmo uma reforma exterior ele pode apresentar de forma consistente, pois...
“...suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus” (Oséias 5:4a).
A prática do pecado se torna um hábito tão natural que o homem quase nunca percebe que sua natureza está dominada pelo pecado. Não raro as pessoas consideram seus pecados como sendo falhas desculpáveis, e as vezes os defendem como uma virtude. Na verdade, estão tão acostumados aos seus pecados quanto se acostumaram à cor da pele.
“Será que o etíope pode mudar a sua pele? Ou o leopardo as suas pintas? Assim também vocês são incapazes de fazer o bem, vocês que estão acostumados a praticar o mal” (Jeremias 13:23).
Contrariando os profetas citados, os homens acreditam que é tudo uma questão de escolha, que basta ao homem preferir o bem que é capaz de fazê-lo. Chamam a essa capacidade de livre-arbítrio. Porém, a Escritura não oferece nenhum respaldo a essa filosofia humanista, quando diz que...
“...todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3:12).
Isto é corroborado pela observação e a experiência de cada um, que não consegue encontrar um só homem na história que tenha superado sua inclinação para o mal e vivido sem pecar. E quando olhamos para nós, temos que confessar que o...
“...não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7:19).
O coração é dominado pelo pecado (Marcos 7:21-23)
Num nível mais profundo, o pecado domina o coração das pessoas,
“um espírito de prostituição está no coração deles” (Oséias 5:4b).
No Gênesis o diagnóstico divino sobre o coração humano era de que
“toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5)
Tal condição não exclui nem as crianças, pois
“a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice” (Gênesis 8:21).
As palavras de Salomão sobre o ímpio de que
“há no seu coração perversidade, todo o tempo maquina mal” (Provérbios 6:14).
Não se aplica apenas a Hitler e a quem esquarteja namoradas, mas também a pais de famílias honestos, pois
“enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jr 17:9).
Não é o homem que determina como seu coração deve ser, mas o coração é que determina como o homem é.
“porque, como imaginou no seu coração, assim é ele” (Pv 23:7).
Um homem sempre procederá de acordo com a natureza de seu coração. Se este for endurecido e mau, então tal pessoa resistirá ao Espírito e procederá de forma contrária à lei de Deus. Por isso que as pessoas dos dias de Oséias não podiam voltar para Deus, pois seus corações estavam dominados por um espírito de prostituição e dominavam o comportamento deles. E é por isso que o homem moderno não pode converter-se a Deus, pois a natureza de seu coração é má e o incapacita para o bem.
O pecado cega o entendimento (1ª Coríntios 2:14)
O pecado afeta também a mente do homem, cegando-o para as coisas de Deus. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14). Ao invés de se voltar para Deus “o povo que não tem entendimento corre para a sua perdição” (Os 4:14), ainda mais que “por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes” (Rm 1:28). Outro profeta descreve a cegueira do povo como sendo pior que a dos animais, pois “o boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is 1:3).
Como “tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tito 1:5), não são capazes de compreender a mensagem do evangelho. Precisam, antes, ter “iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos” (Efésios 1:18), do contrário sua mente irá das trevas presente para as trevas exteriores, sem conhecer a luz do Senhor.
Conclusão
O livre-arbítrio como capacidade do homem se voltar para Deus é uma mentira de Satanás, que assim perverte o evangelho, levando homens a torná-lo persuasivo a defuntos. Pois os pecadores não experimentam outra realidade senão o pecar, tornando a rebelião a Deus um hábito que não podem mudar. Além disso, seu coração que determina suas ações é fonte de toda sorte de males, sendo enganoso e perverso, portanto desinclinado às coisas de Deus. E sua mente é corrompida de tal forma pelo pecado que o evangelho lhe parece loucura indigna de crédito, só aceitando naturalmente se a mensagem for modificada de tal maneira que não se pareça em nada com o evangelho da glória de Deus. Diante disso, eles até “voltam, mas não para o Altíssimo” (Os 7:16). Igrejas lotam, mas corações continuam vazios de Deus, ocupados somente com a prostituição espiritual “porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus” (Os 4:12).
Soli Deo Gloria.
Postado Originalmente em 5calvinistas.blogspot.com