22 de maio de 2011

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5.DE QUE A PREDESTINAÇÃO NÃO TEM BASE BÍBLICA
Ora afirmar tal coisa é no mínimo grosseria. A doutrina da predestinação é bíblica e clara em toda a Escritura. Os “arminianos” é que criaram um malabarismo hermenêutico para distorcer a verdade em favor do que eles crêem.  Grandes homens de Deus do passado entenderam a predestinação em seus estudos da palavra, e chegaram a ela por pura inspiração do Espírito Santo. Foi a apostasia que incutiu na mente de boa parte do povo de Deus esta aversão a soberania Divina e a sua eleição e predestinação.
Argumenta-se que a predestinação não possui base bíblica tentando comprometer o sentido dos textos que falam de predestinação. Eu diria que é um esforço inútil, pois o sentindo de todos eles estão ali, basta um pouco de cuidado e zelo para chegarmos ao correto entendimento. O que acontece é que muitas vezes se vai ao texto com idéias preconcebidas, e fica difícil de expor para quem antes mesmo de ouvir já diz que não crê.
O verbo predestinar é bem explícito quando lemos, o que muitos tentam distorcer é o sentido em que ele usado. Quando Paulo diz:
“...nos predestinou para ele, para a adoção de filhos...” (Efésios 1.5).
O que podemos entender? Que fomos predestinados a pertencer a Deus, e esse processe ocorre através da adoção. Já li pessoas dizendo que esse versículo se aplica a todos os seres humanos sobre a face da terra, que todos indiscriminadamente foram predestinados a serem aceitos por Deus. Eu realmente não consigo enxergar esse sentido no texto, me perdoem os “pelagianos” pela minha incapacidade. E fica mais difícil de ver essa possibilidade se aliarmos a outros versículos muito interessantes também. Por exemplo, quando João escreve:
“Ora, ele não disse isto de si mesmo; mas, sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus estava para morrer pela nação e não somente pela nação, mas para reunir em só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos.” (João 11.51,52).
Não há como fugir do que está escrito. Jesus morreu por um povo específico. Pelos predestinados, pelos eleitos, os filhos de Deus que andam dispersos. Se fosse por toda humanidade, não teria sentido algum o que está escrito acima.
Ainda podemos recorrer ao historiador Lucas, que escreveu os Atos dos Apóstolos e em certo momento ele diz:
“Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (Atos 18.9,10).
O que esse texto está afirmando? Que Paulo não deveria hesitar pregar, que ele falasse sem medo, pois havia muitos eleitos de Deus que iriam ouvi-lo ali. Isso mostra que Deus conhece os seus muito bem. A ordem “fala e não te cales” tem como razão “pois tenho muito povo nesta cidade”. Enquanto que a promessa “porquanto eu estou contigo” tem como resultado “e ninguém ousará fazer-te mal”.
Se todas as pessoas do mundo fossem predestinadas por Deus para a salvação como acreditam alguns inimigos da Fé Reformado, então todas as pessoas seriam salvas, nesse ponto o universalismo é o único coerente. Dizem, porém, que Deus destinou todos para a salvação, mas apenas os que decidirem é que serão efetivamente salvos. Aqui entramos em choque com a capacidade de Deus, ele é não é capaz de realizar plenamente algo que determinou; o que contradiz veementemente as palavras de Jesus quando diz:
“E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum eu perca de todos os que me deu...” (João 6.39).
“Todos os que me deu” parece muito impróprio para quem, segundo os arminianos, veio salvar toda a humanidade. Por outro lado, também afirmamos que o plano de salvar o homem pode ser frustrado, já que Jesus tem perdido muitos ao longo dos anos (muitos que decidem não mais segui-lo e se vão), estamos afirmando que ele não é capaz de realizar a vontade do Pai.

Ir. Samuel
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16 de maio de 2011

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4.DE QUE A PREDESTINAÇÃO REVELA UMA ACEPÇÃO DE PESSOAS.
Geralmente os inimigos da Fé Reformada recorrem ao jargão “Deus não faz acepção de pessoas”. É muito interessante analisar essa frase quando ela aparece nas Escrituras.
“Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas...” (Atos 10.34).
Talvez agora alguns devam estar eufóricos querendo saber como vou me livrar desse desafio. Para eles esse texto mostra que não existe predestinação, uma vez que Deus não faz acepção de pessoas, e predestinar uns e outros não deve ser considerado um tipo de acepção.
Eu fiz questão de colocar reticências para mostrar que o versículo continua, pois uma prática muito comum no “arminianismo” é isolar versículos e fingir que seu contexto não existe, eles sabem que estou dizendo a verdade. O contexto está antes e depois do texto em questão. Pergunto eu: Qual o contexto dessa fala de Pedro? Só iremos saber se começarmos a ler a partir do primeiro verso do capítulo em estudo. Lemos que havia um centurião chamado Cornélio e que ele era um “gentio” temente a Deus. Foi lhe dada uma visão onde um anjo do Senhor lhe disse que ele deveria mandar chamar Simão Pedro a sua residência. Obviamente eles não se conheciam. Nesse mesmo tempo, Pedro recebe outra visão onde ele via um lençol cheio de animais impuros e impróprios para consumo segundo a Lei Mosaica (por exemplo, o porco). Não obstante isso, uma voz diz a Pedro que se alimentasse daqueles animais, coisa que ele relutou, pois eram considerados imundos. Após isso chegam os servos do centurião procurando Pedro, e ele se dispõe e vai com eles. Só depois desses fatos o apóstolo entende o significado da visão:
“Vós bem sabeis que É PROIBIDO A UM JUDEU AJUNTAR-SE OU MESMO APROXIMAR-SE DE ALGUÉM DE OUTRA RAÇA...” (Atos 10.28).
É fundamental que entendamos isso. Fiz questão de afirmar logo no início que Cornélio era um “gentio”, ou seja, um não-judeu, alguém que não descende fisicamente de Abraão – Assim como nós. E o texto também deixa bem claro o tratamento que os “gentios” recebiam dos judeus, era proibido até aproximar-se, tão impuros que éramos considerados. Essa realidade ainda não mudou; um judeu ortodoxo simplesmente não entra na casa de um “gentio” no sábado, nem pode ser tocado por qualquer um de nós. A questão toda gira em torno desse “preconceito” dos judeus com os gentios.
“...mas Deus me mostrou que a nenhum homem considerasse comum ou impuro, por isso, uma vez chamado, vim sem vacilar” (Atos 10.28,29).
Se Pedro não tivesse recebido a visão dos animais, ele não teria ido pregar para os gentios. Foi necessário esse fenômeno para que o apóstolo pudesse entender que a salvação não é somente para os JUDEUS, e que Deus não é somente dos JUDEUS, mas dos GENTIOS também. Quando ele diz “nenhum homem” ele tinha em mente “outras raças” de pessoas, pois os judeus as consideravam impuras.
Dito isto, podemos compreender melhor o que Pedro estava dizendo quando afirmou:
Reconheço por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas...”
O restante do versículo diz:
“...pelo contrário, EM QUALQUER NAÇÃO, aquele que o teme e faz o que é justo o é aceitável”. (Atos 10.34,35).
Deus não é RACISTA, é o que Pedro está dizendo. Em nenhum momento o apóstolo estava negando que houvesse predestinação e eleição. Apenas na mente dos “pelagianos” essa possibilidade é cogitada. O próprio Pedro sabia da eleição quando disse:
“Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, PARA QUANTOS O SENHOR, NOSSO DEUS, CHAMAR.” (Atos 2.39).
Há eleitos de Deus em todas as nações do mundo, em todas as raças e etnias, eis a razão de pregarmos para todas as pessoas. Só demorou um pouco para a idéia ser plenamente recebida.
Por outro lado não podemos negar que existe uma distinção entre os escolhidos e os reprovados. Quando Jesus diz:
“É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (João 17.9).
Temos ou não uma distinção ai? Temos! Jesus só intercedeu por aqueles que pertencem a ele, e estes estão em todas as nações e raças. E pelo restante? Por que ficaram de fora? Porque não pertencem a ele. Então, quando vemos essa expressão na Bíblia (Deus não faz acepção de pessoas), temos que ter em mente o que de fato esta sendo dito.

Ir. Samuel
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15 de maio de 2011

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3.DE QUE A PREDESTINAÇÃO INDUZ AO PECADO.
Outra afirmação equivocada acerca da doutrina da predestinação é de que ela incita as pessoas à libertinagem. Esse pensamento é muito usado para atacar a verdade cristalina da palavra de Deus tentando a desmerecer. É absolutamente ridículo que alguém que tenha ciência da sua predestinação e eleição se entregue a uma vida de libertinagem e pecado. Os que usam tal argumento parecem não acreditar em coisinha chamada “regeneração”. Se é correto pregarmos sobre salvação, também é correto falarmos sobre regeneração, novo nascimento, arrependimento. Paulo nos diz que em Cristo somos nova criatura. Fomos gerados de uma semente incorruptível. Isto significa que aqueles que foram chamados, justificados e glorificados, não podem viver mais uma vida dissoluta como antes. Por quê? Porque agora eles têm um novo pensamento, o Espírito Santo os convenceu de seus pecados, os colocou diante do “espelho espiritual” e os fez contemplar as suas imundícies, de modo que a conduta deles antes da salvação hoje apenas os envergonha.
Se existe uma pessoa que usa a doutrina da predestinação como desculpa para viver no pecado, ela esta evidenciando que não nasceu de novo, e se não nasceu de novo, não houve regeneração, e se não houve regeneração, não houve salvação, e se não houve salvação, ela permanece morta em seus delitos e pecados. Não sei porque há tanta dificuldade dos irmãos “arminianos” em compreender isso.
Ainda existe a possibilidade de pecarmos, disso não temos dúvidas. Vivemos uma verdadeira guerra contra nós mesmos todos os dias. O argumento que usam é:
“Se eu já estou salvo mesmo, não devo me preocupar, vou viver do modo que quero e no fim de tudo ainda estarei salvo”.
Os “arminianos” escondem por trás da sua lógica humana uma profunda vontade de continuar no pecado, se assim não fosse, evitariam usar um argumento tão imbecil quanto este. Eles sabem, mais do que nós, que a Bíblia nunca ofereceu suporte para tal idéia, nem Calvino ou qualquer outro mestre da palavra jamais sugeriu essa possibilidade. O que posso pensar é que inconscientemente eles desejam que fosse possível viver no pecado e mesmo assim depois ir para o paraíso. Mas para jogar uma pá de terra sobre seus mórbidos pensamentos, preferem dizer que estão guerreando arduamente contra as hostes de satanás, e que o estímulo dessa batalha é a salvação; ou você a perde ou continua com ela. Talvez isso torne as coisas mais interessantes para eles que sempre querem ter seus esforços e sacrifícios reconhecidos, o famigerado orgulho borbulhando em seus corações, e a maligna sensação de que fizeram por onde merecer.
Eu creio na predestinação, e ao contrário do que dizem os seguidores de “Pelágio”, essa doutrina despertou em mim um senso de gratidão tão extremo a Deus, que me policio violentamente para não cair nas ciladas do pecado. Não tenho medo de ir para o inferno, tai um lugar para onde NUNCA irei, nem busco santificação para angariar “créditos” com o Senhor, faço porque o amo e sou grato a ele por ter sido escolhido e salvo, mesmo sem ter nenhum mérito. Os que são regenerados de fato e verdade, não precisam estar debaixo de uma ameaça constante para perseverarem em sua piedade.

Ir. Samuel 

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6 de maio de 2011

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 A predestinação é uma das principais doutrinas reformadas. Diria até que é o núcleo tormentoso  e a questão que mais causa polêmica e agitação entre os que se esmeram em estudar as sagradas letras. Não é de agora que esse ensino é seguido de debates e questionamentos. Desde que Agostinho (354 – 430 d. C.) começou a defendê-lo, idéias contrárias foram se manifestando através de opositores. Pelágio, um monge britânico, surgiu por volta de 400 d. C. atacou o posicionamento agostinhano afirmando uma espécie de “monergismo humano”. Mais tarde isso serviu de base para Arminiun formular seu sistema tão amplamente crido no meio cristão, o arminianismo. É evidente que a verdade só pode estar de um lado da história. Como a predestinação é sempre vista como a vilã nas questões teológicas, fica aqui algumas observações sobre a mesma.

1.DE QUE A PREDESTINAÇÃO ANULA A LIBERDADE DO HOMEM.
O grande conflito está em admitir ou não que o homem tem livre arbítrio. Se ele o possui, logo a predestinação não pode ser verdade, pois assim Deus estaria “violando” um direito ou um atributo fundamental do ser humano. Os defensores do livre arbítrio afirmam que a predestinação anula a liberdade do homem e que não tem sentido a pregação do evangelho uma vez que há pessoas que já estão predestinadas à salvação, ou seja, que já serão salvas de qualquer maneira. Por outro lado dizem que é fundamental que o homem seja “livre” para assim poder decidir por Si mesmo se quer ou não, se aceita ou não a salvação oferecida por Deus.
Nas 18 premissas, Pelágio colocou a sua posição sobre a liberdade do homem e suas consequências. Em certo momento diz o seguinte:
O mal é um ato que nós podemos evitar.”
A grande maioria das pessoas olhando para tal afirmação imediatamente concordará com o que esta sendo dito. Talvez boa parte dos crentes se pergunte se há algo de errado com esse pensamento. Na verdade ele está absolutamente equivocado porque simplesmente exclui Deus e sua ação. Para Pelágio o homem poderia fazer o que é certo desde que ele quisesse sem a necessidade de Deus intervir em nenhum momento. Daí quando hoje vemos pessoas ensinando que precisamos “aceitar” JESUS ou fazendo apelos para que se dê uma chance a Deus, elas estão reafirmando esse ensino. O protestantismo histórico atacou veementemente essa possibilidade enaltecendo a soberania de Deus. Aliás, este é um ponto crucial, quando admitimos a plena liberdade do homem automaticamente excluímos a soberania de Deus. Quando excluímos a soberania de Deus, a usurpamos ao homem.
Foi esse conflito que alguns decidiram “maneirar” na visão pelagiana diminuindo o impacto que essas idéias têm no que tangem a ação de Deus. Os chamados “semi-pelagianos” passaram a afirmar que o homem não está totalmente independente da intervenção de Deus, mas que ele coopera com Deus para a concretização da salvação. Esta é a visão da Igreja Católica Romana, influenciada por Tomaz de Aquino (1225 – 1274). Pelágio pareceu muito radical. Todavia, isso em nada diminui a gravidade da questão. Ainda sim o homem continua detentor de um poder que ele não pode possuir.
A predestinação é absolutamente imprópria no contexto do livre arbítrio. A vontade do homem sendo plenamente livre não necessita da preordenção de Deus para o que quer que seja, pois é o próprio homem que determina o que vai acontecer como consequência das suas ações e escolhas. Vejamos o que podemos usar como definição de livre arbítrio.
Poder da vontade humana pelo qual um homem pode se dedicar às coisas que o conduzem à salvação eterna, ou afastar-se das mesmas". (Erasmo de Roterdã - De libero arbitrio Diatribe sive collatio).
Novamente muitos não devem ver mal algum nas palavras do célebre pensador humanista. O que não devem saber é que Martinho Lutero atacou ferozmente essa colocação acima em seu livro “De Servo Arbitrio”, justamente por entender que ela não pode ter fundamentação bíblica alguma. O conceito de liberdade tão amplamente discutido a séculos é exatamente este: poderá o homem realmente ter condições de escolher o bem ou mal tão naturalmente? Isso esbarra num grande conflito, pois se já somos capazes de escolher o bem, de escolher o certo, de fazer o que agrada a Deus, logo não haveria necessidade da vinda de Cristo e sua morte expiatória, pois todos os que livremente quisessem poderiam abandonar o erro e praticar a piedade logo sentissem desejo no coração de fazê-lo. Assim vejo todo o sofrimento de JESUS sendo um mero desperdício de tempo. Quando, porém, entendemos que ele veio para nos libertar de uma escravidão maligna, onde estávamos completamente subjugados pelo pecado, aí se torna coerente o plano de salvação.
Então, podemos dizer que a predestinação não anula a liberdade do homem, porque este simplesmente não é livre. O homem não possui livre arbítrio, ele se encontra “escravizado” pelo pecado, a menos que admitamos que isso seja falso. Sendo falso que o homem está escravizado pelo pecado que nele habita, logo, o que há de errado nele que o faço necessitar a salvação? Isto não concorda com as palavras de JESUS quando diz:
“...todo o que comete pecado é escravo do pecado” (João 8.34).
Percebemos então que cometer pecado não é um ato que demonstra “liberdade de um indivíduo”; pelo contrário, mostra a sua real condição de escravo. Se cometer pecado não deve ser visto como escravidão, estaremos desconsiderando esta afirmação feita por Cristo. Os arminianos dizem que mesmo pecando ainda somos livres, o conceito de liberdade que eles têm é diferente do de JESUS, para Cristo, pecar é sinônimo de se ser escravo, para eles, entretanto, uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra.
Ainda podemos nos utilizar das palavras do apóstolo Paulo:
”Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23).
Em João lemos que quem peca é escravo do pecado, agora Paulo nos diz que todos os seres humanos, independente de nação, raça ou cor, pecaram; se pecaram, logo também, todos são igualmente escravos do pecado. Daí podemos concluir que a doutrina da “Depravação Total”, aprovada nos Cânones de Dort, é verdadeira, pois ela nos diz que:
... todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer ação que o salve, inclinados para o mal, mortos em pecados e escravos do pecado. Sem a graça do Espírito Santo regenerador nem desejam nem tampouco podem retornar a Deus, corrigir suas naturezas corrompidas ou ao menos estar dispostos para esta correção” (Cânones de Dort, Cap. III.III).
A verdadeira liberdade não consiste em ser capaz de poder pecar, mas sim de ser capaz de obedecer a Deus e a sua vontade.

2.DE QUE A PREDESTINAÇÃO TORNA DEUS INJUSTO.
Talvez este seja o argumento que mais se usa contra a predestinação, e o propósito dele é lançar dúvidas quanto ao caráter de Deus, mais precisamente a sua justiça. Se pudesse ser provado que a predestinação torna Deus um ser injusto em seu trato com as criaturas, isso inviabilizaria qualquer crença nele, colocando em xeque toda esperança do cristianismo como o conhecemos.
Eu já escrevi em outra oportunidade que o grande problema está em nós querermos aplicar a Deus o nosso conceito de justiça. Aquilo que parece ser justo aos nossos olhos deve, obrigatoriamente, também ser aos olhos de Deus. Aí mora um grande equívoco: o querer trazer Deus para a nossa dimensão finita; querer estar no mesmo nível dele. Isso não é algo seguro de se pensar, nem preciso lembrar que o último que quis ser igual a Deus hoje está em abismo de trevas. Ao longo de toda a Escritura podemos ver várias declarações onde nos fica claro que jamais estaremos em plenas condições de compreendermos o modo de agir de Deus, e de como ele governa suas criaturas.
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55.8,9).
Creio que o texto supra é bastante claro no que diz. Este é um daqueles versículos que foram incluídos nas Escrituras justamente para nos mostrar a soberania de Deus, para que nos conformemos diante da nossa incapacidade, limitação e alienação quanto aos arcanos do Eterno. Sei que há pessoas que prefeririam invadir (se possível) a mente de Deus e extrair os “porquês”, as razões de ele permitir e executar certas situações, elas não ficam satisfeitas em saber que os caminhos de Deus são sempre melhores e mais altos que os nossos, que os pensamentos de Deus são inalcançáveis e que não nos compete perscrutá-los. Talvez elas não acreditem tanto assim no que está escrito e queiram confirmar a verdade in loco, o que será uma grande perda de tempo.  Sinto pena desses “pseudos” cristãos que duvidam de Deus.
Dizem alguns: Não posso crer em um Deus que escolhe uns para salvar e deixa os outros para se perderem! Que tipo de Deus é esse? Respondo: Por que não? Seria muito se eu dissesse que Deus é um Deus de contrastes?
“Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu MATO e faço VIVER; EU FIRO e EU SARO, e não há quem possa livrar alguém das minhas mãos” (Deuteronômio 32.39).
O que dizer desse texto também:
“O Senhor é que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O Senhor empobrece e enriquece, abaixa e também exalta.” (1º Samuel 2.6,7).
Alguém ousa dizer que Deus não tem o direito de fazer as coisas descritas nos versos acima? A pergunta correta que deve ser feita é:
“Quem é o homem para que dele te lembres, e o filho do homem, que o estimes?” (Salmo 8.4).
Não devemos questionar o que Deus pode ou não pode fazer, e sim quem somos nós para o questionarmos em seus caminhos. Se aprouve a ele salvar alguns, quem somos nós para dizer que ele está errado? Qual é a nossa moral ou credencial para contendermos com ele? Se agora mesmo Deus quisesse lançar a todos nós no inferno e sem nenhuma chance de defesa, ainda sim ele continuaria sendo um Deus JUSTÍSSIMO, MISERICORDIOSÍSSIMO e BOM. Isto soa mal a você? Será que lá no seu íntimo você não nutre o pensamento de que Deus te deve alguma coisa? Precisamos avaliar essa questão interior. É nisso que muitos estão incorrendo, porém não se dão conta, ou até mesmo ignoram.
Foi exatamente quando tratava desse assunto que Paulo escreveu aos crentes de Roma, antecipando a pergunta que borbulhava nas mentes deles:
“Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” (Romanos 9.14,15).
Vemos, então, que para o apóstolo a questão está mais que explicada. Não nos compete indagar ou exigir de Deus uma resposta de acordo com a nossa lógica. Precisamos eliminar a idéia de que todo o universo deve girar em torno de nós. Deus é plenamente soberano no que faz e ponto final.

Ir. Samuel

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5 de maio de 2011

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4 de maio de 2011

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Deus decreta todas as coisas harmoniosamente e em ordem excelente; um decreto se harmoniza com outro, e a relação entre todos os decretos faz a mais excelente ordem. Assim, Deus decreta a chuva no deserto por decretar as mais ardentes orações de seu povo; ou então, ele decreta as orações de seu povo por decretar a chuva.

Eu admito: dizer Deus decreta algo “porque,” é uma maneira imprópria de falar, mas não mais imprópria do que todas as nossas formas de falar a respeito de Deus. Deus decreta o último evento por causa do primeiro, não mais do que ele decreta o primeiro por causa do último.


Mas é isto o que nós queremos dizer: quando Deus decreta dar as bênçãos de chuva, ele decreta as orações de seu povo; e quando ele decreta as orações de seu povo, ele muito comumente decreta a chuva; e, através disto, há uma harmonia entre estes dois decretos, da chuva e da oração do povo de Deus.


Assim também,


•    quando ele decreta diligência e esforço, ele decreta riqueza e prosperidade;

•    quando ele decreta prudência, ele frequentemente decreta sucesso;
•    quando ele decreta empenho, ele frequentemente decreta a obtenção do reino dos céus;
•    quando ele decreta a pregação do evangelho, então ele decreta o trazer de almas para Cristo;
•    quando ele decreta boas faculdades naturais, diligência e boas vantagens, então ele decreta aprendizado;
•    quando ele decreta verão, então ele decreta o crescimento das plantas.

Assim, quando ele decreta conformidade com seu Filho, ele decreta chamado; e quando ele decreta chamado, ele decreta justificação; e quando ele decreta justificação, ele decreta glória eterna.


Assim, todos os decretos de Deus são harmoniosos; e isso é tudo o que pode ser dito a favor ou contra os decretos absolutos ou condicionais. Mas digo uma coisa: é impróprio fazer de um decreto a condição de outro, muito mais do que fazer do outro a condição do primeiro; mas há harmonia entre ambos.

Coletânea Jonathan Edwards - A Harmonia de Todos os Decretos de Deus
Publicado originamente em Voltemos ao EvangelhoLink