28 de abril de 2011

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"Ninguém pode vir a mim" (João 6.44)

O homem natural é incapaz de “vir a Cristo”. Citemos João 6:44, ” Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer.” A razão pela qual “duro é esse discurso”, até mesmo para milhares que professam ser cristãos, é que eles fracassam completamente em compreender o terrível estrago que a queda provocou; e, o que é pior, eles mesmos não se dão contam da “chaga” que existe nos seus próprios corações (1 Rs. 8:38). Certamente se o Espírito já os tivesse despertado do sono da morte espiritual, e lhes dado ver alguma coisa do pavoroso estado em que estão por natureza, e feito sentir que suas “mentes carnais” são “inimizade contra Deus” (Rm. 8:7), então eles não mais discordariam dessa solene palavra de Cristo. Mas aquele que está espiritualmente morto não pode ver nem sentir espiritualmente.

Onde reside a total incapacidade do homem natural? Ela não está na falta das faculdades necessárias. Isso tem de ser bastante enfatizado, do contrário o homem caído deixaria de ser uma criatura responsável. Mesmo que os efeitos da queda tenham sido terríveis, eles não privaram o homem de nenhuma das faculdades que Deus originalmente lhe concedeu. É verdade que o pecado tirou do homem a capacidade de utilizar essas faculdades corretamente, ou seja, empregá-las para a glória do Criador. Entretanto, o homem caído possui ainda a mesma natureza, corpo, alma e espírito, que tinha antes da Queda. Nenhuma parte do ser do homem foi aniquilada, ainda que cada uma tenha sido contaminada e corrompida pelo pecado. De fato, o homem morreu espiritualmente, mas a morte não é a extinção do ser (aniquilação) — morte espiritual é a alienação de Deus (Ef. 4:18). Aquele que é espiritualmente morto está bem vivo e ativo no serviço de Satanás.

A incapacidade do homem caído (não regenerado) de vir a Cristo não reside em nenhum defeito físico ou mental. Ele tem o mesmo pé para levá-lo tanto a um local onde o Evangelho é pregado, como para caminhar até um bar. Ele possui os mesmos olhos que podem lhe servir para ler tanto as Escrituras Sagradas como os jornais. Ele tem os mesmos lábios e voz para clamar a Deus os quais usa agora em conversas fiadas e em canções ridículas. Assim, também, possui as mesmas faculdades mentais para ponderar sobre as coisas de Deus e sobre a eternidade, as quais ele utiliza tão diligentemente nos seus negócios. É por causa disso que o homem é “indesculpável”. É o mau uso das faculdades que o Criador lhe concedeu que aumenta a sua culpa. Que cada servo de Deus veja que essas coisas pesam constantemente sobre os seus ouvintes não convertidos.

1) A incapacidade do homem está na sua natureza corrompida.
Nós temos de ir bem mais a fundo se quisermos encontrar a fonte da incapacidade do homem. Devido à queda de Adão, e por causa do nosso próprio pecado, a nossa natureza se tornou tão corrompida e depravada que é impossível para qualquer homem “vir a Cristo”, amá-lO e serví-lO, estimá-lO mais que tudo neste mundo e submeter-se a Ele, até que o Espírito de Deus o regenere e implante nele uma nova natureza. A fonte amarga não pode jorrar água doce, nem a árvore má produzir bons frutos. Deixe-me tentar explicar isso melhor através de uma ilustração. É da natureza de um abutre alimentar-se de carniça; no entanto, ele tem os mesmos órgãos e membros que lhe permitiriam comer grãos, como fazem as galinhas, mas ele não possui nem a disposição nem o apetite para tal alimento. É da natureza da porca o chafurdar na lama; e apesar dela possuir pernas como a ovelha para levá-la à campina, lhe falta entretanto o desejo por pastos verdejantes. Assim acontece com o homem não-regenerado. Ele tem as mesmas faculdades físicas e mentais que o homem regenerado possui para empregar no serviço e nas coisas de Deus, mas não tem amor por elas.
“Adão… gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem” (Gn. 5:3). Que terrível contraste há aqui com o que lemos dois versículos antes: “… Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez”.“Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? (Jó 14:4) No intervalo entre esses dois versos, o homem caiu, e um pai caído pode gerar somente um filho caído, transmitindo-lhe a sua própria depravação. . Por isso nós encontramos o salmista de Israel declarando, “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl. 51:5). No entanto, apesar de por natureza Davi ser um monte de iniquidade e pecado (como também somos nós), mas tarde a graça fez dele o homem segundo o coração de Deus. Desde que idade essa corrupção da natureza aparece nas crianças? “Até a criança se dá a conhecer pelas suas obras” (Pv. 20:11). A corrupção do seu coração logo se manifesta: orgulho, vontade própria, vaidade, mentira, aversão ao que é bom, são frutos amargos que cedo brotam no novo, mas corrupto, ramo.

2) A incapacidade do homem está na completa escuridão em que se encontra o seu intelecto.
Essa importante faculdade da alma foi destituída da sua glória original, e coberta de confusão. Tanto a mente como a consciência estão corrompidas: “Não há quem entenda”(Rm. 3:11). O apóstolo solenemente lembra os santos, “Pois outrora éreis trevas” (Ef. 5:8), não somente estavam “em trevas”, mas eram as própria “trevas”. O pecado fechou as janelas da alma e a escuridão se estende por todo o lugar: ela é a região das trevas e da sombra da morte, onde a luz é como a escuridão. Lá reina o príncipe das trevas, onde não se pratica nada além das obras das trevas. Nós nascemos espiritualmente cegos, e não podemos ter essa visão restaurada sem um milagre da graça. Esse é o seu caso quem quer que você seja, se ainda não nasceu de novo” (Thomas Boston, 1680). “São filhos sábios para o mal, e não sabem fazer o bem” (Jr. 4:22).

“O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”(Rm. 8:7). Existe no homem não regenerado uma oposição e aversão pelas coisas espirituais. Deus revelou a Sua vontade aos pecadores no tocante ao caminho da salvação, contudo eles não trilharão esse caminho. Eles sabem que somente Cristo é capaz de salvá-los, no entanto eles recusam se separar das coisas que obstruem o seu caminho até a Ele. Eles ouvem que é o pecado que mata a alma, no entanto o afagam em seu peito. Eles não dão ouvidos às ameaças de Deus. Os homens acreditam que o fogo há de consumir-lhes, e estão em grande tormento para evitá-lo; contudo, mostram com suas ações que consideram as chamas eternas como se fossem um mero espantalho. O mandamento divino é “santo, justo e bom”, mas o homem o odeia, e só o observa enquanto a sua respeitabilidade é promovida entre os homens.

3) A incapacidade do homem está na corrupção dos seus sentimentos.
“O homem, no estado em que se encontra, antes de receber a graça de Deus, ama tudo e qualquer coisa que não seja espiritual. Se você quiser uma prova disso, olhe ao seu redor. Não há necessidade de nenhum monumento à depravação dos sentimentos humanos. Olhe por toda parte. Não há uma rua, uma casa, e não somente isso, nenhum coração, que não possua uma triste evidência dessa terrível verdade. Por que no Dia do Senhor o homem não é encontrado congregando-se na casa de Deus? Por que não nos achamos mais freqüentemente lendo nossas Bíblias? O que acontece para a oração ser um dever quase que totalmente negligenciado? Por que Jesus Cristo é tão pouco amado? Por que até mesmo os seus seguidores professos são tão frios em seus sentimentos para com Ele? De onde procedem essas coisas? Seguramente, caros irmãos, nós não podemos creditá-las a outra fonte que não a corrupção e a perversão dos sentimentos. Nós amamos o que deveríamos odiar, e odiamos o que deveríamos amar. Não é outra coisa senão a natureza humana caída que nos faz amar esta vida mais do que a vida por vir. É um efeito da Queda o fato do homem amar o pecado mais que a justiça, e os caminhos do mundo mais que os caminhos de Deus”. (Sermão de C.H. Spurgeon em Jo. 6:44).

Os sentimentos do homem não regenerado são totalmente depravados e desordenados. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Jr. 17:9). O Senhor Jesus afirmou solenemente que os sentimentos do homem caído (não regenerado) são a fonte de toda abominação: “Porque de dentro do coração do homem, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, a malícia, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Mc. 7:21,22). Os sentimentos do homem natural estão miseravelmente deformados, ele é um monstro espiritual. O seu coração se encontra onde deveriam estar os seus pés, seguro ao chão; seus calcanhares estão levantados contra os Céus, para onde deveria estar posto o seu coração (At. 9:5). Sua face está voltada para o inferno; por isso Deus o chama para converter-se. Ele se alegra com o que deveria entristecê-lo, e se entristece com o que deveria alegrá-lo; se gloria com a vergonha, e se envergonha da sua glória; abomina o que deveria desejar, e deseja o que deveria abominar (Pv. 2:13-15) (extraído do Boston’s Fourfold State).

4) Sua incapacidade está na total perversão da sua vontade.
“O homem pode ser salvo se ele quiser”, diz o arminiano. Nós lhe respondemos, “Meu caro senhor, nós todos cremos nisso; mas essa é que é a dificuldade — se ele quiser.” Nós afirmamos que nenhum homem deseja vir a Cristo por sua própria vontade; não, não somos nós que o dizemos, mas Cristo mesmo declara: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo. 5:40); e enquanto esse “não quereis vir” estiver registrado nas Escrituras nós não podemos ser levados a crer em nenhuma doutrina do livre arbítrio. “É estranho como as pessoas, quando falam sobre livre arbítrio, falam de coisas das quais nada compreendem. Um diz “Ora, eu creio que o homem pode ser salvo ser ele quiser”. Mas essa não é toda a questão. O problema é: é o homem naturalmente disposto a se submeter aos termos do Evangelho de Cristo? Afirmamos, com autoridade bíblica, que a vontade humana é tão desesperadamente dada ao engano, tão depravada, e tão inclinada para tudo que é mau, e tão avessa a tudo aquilo que é bom, que sem a poderosa, sobrenatural e irresistível influência do Espírito Santo, nenhum homem nunca será constrangido a buscar a Cristo.” (C.H. Spurgeon).

“Há uma corda de três pontas contra o céu e a santidade, que não é fácil de ser rompida; um homem cego, uma vontade pervertida, e um sentimento desordenado. A mente, inchada pela vaidade, diz que o homem não deve se humilhar; a vontade, inimiga da vontade de Deus, diz: ele não quer; as emoções corrompidas levantando-se contra o Senhor, em defesa da vontade corrompida diz: ele não irá. Assim a pobre criatura permanece irredutível contra Deus, até o dia do Seu poder, quando é feito nova criatura” (Thomas Boston).

Pode ser que alguns leitores sejam inclinados a dizer: “ensinamentos como estes desencorajam pecadores e os levam ao desespero”. Nossa resposta é: Primeiro, eles estão de acordo com a Palavra de Deus! Segundo, esperamos que Ele se agrade em usar essas verdades para levar alguns a desesperarem-se de qualquer ajuda que possam encontrar neles mesmos. Terceiro, esse ensino manifesta a absoluta necessidade da obra do Espírito Santo nessas criaturas depravadas e espiritualmente impotentes, se algum dia vierem salvificamente a Cristo. Então, até que isso seja claramente entendido, o Seu auxílio nunca será realmente buscado.

A. W. Pink
Tradução: Monergismo - www.monergismo.com.br

27 de abril de 2011

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 "Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniqüidade para iniqüidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para santificação" (Romanos 6.19).


Para o apóstolo Paulo fazer esta declaração ele devia conhecer muito bem o conteúdo do que estava dizendo. “Falo como homem”.  Ele devia saber com certeza como a nossa natureza se comporta. Paulo era um ser humano, e como qualquer outro, também enfrentava tentações. Não podemos conceber que ele se diferenciasse de nós a esse respeito. Por esta razão ele faz questão de frisar bem a sua humanidade. Em outras palavras, era como se o apóstolo estivesse dizendo: “Olhem, eu também sou humano, já fui muito tentado igual a todos vocês, então eu sei como nossa carne é fraca”.

Na minha opinião a luta do crente contra a sua carne é a mais simples de todas, porém a que mais exige força de vontade. Digo isso porque todas as nossas grandes batalhas já foram vencidas por Cristo na Cruz. O que cabe a nós é esta mínima parte, a qual o Senhor nos têm dotado de armas para podermos lutar, e equipados com elas e a nossa força de vontade seremos imbatíveis nesta guerra (Efésios 6.10-18).

Na parte seguinte o apóstolo se utiliza de uma comparação para nos ajudar em nosso combate diário. Ele traz à memória o comportamento do homem regenerado antes da conversão para poder exemplificar como deve ser o seu agir hoje na presença de Deus. Assim como nos entregávamos ao pecado antes, de modo que não tínhamos nenhum interesse ou ação em favor de Deus, agora precisamos nos entregar a santidade de tal modo que isso nos leve a perder o interesse e disposição por toda aparência do pecado.

Textos para meditar:
Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6.14).

“Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus” ( 1ª Tessaloniceses 4.3-5).

“Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos” (Colossenses 3.5-9).

Ir. Samuel

26 de abril de 2011

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Eu queria que alguém finalmente fizesse uma Bíblia honesta.
Alguns de vocês têm letras vermelhas em suas Bíblias. Pensemos sobre isso; eu também as tenho na minha. Supõem-se que elas indicam quando Jesus está falando no texto. E é por causa disso que estou procurando uma Bíblia honesta, uma verdadeira Bíblia com letra vermelha – uma cópia da Palavra de Deus que tenha letras vermelhas desde “No princípio” (Gn 1.1), do começo de Gênesis, até o “Amém”, (Ap 22.21) do final de Apocalipse.

Nosso irmão Pedro conhecia o som das cordas vocais de Jesus. Ele provavelmente poderia ter até imitado alguns dos maneirismos de Jesus, e feito uma imitação quase perfeita do sotaque de Jesus enquanto cozinhava seu peixe ao redor do fogo com os outros discípulos.
Todavia, esse mesmo Pedro, aquele que conhecia Jesus face a face, refere-se à Bíblia que agora você tem em suas mãos como uma palavra “ainda mais firme” até mesmo do que aquelas palavras proferidas pelos homens que ouviram a voz de Deus no monte. O motivo é que a Palavra que você têm em suas mãos foi escrita por homens inspirados pelo Espírito Santo (2 Pedro 1.16-21).

Isso significa que quando Pedro fala – juntamente com todos os apóstolos e profetas – ele está falando as palavras do Espírito. E onde o Espírito está falando, Jesus está falando.

O Espírito, que é o Espírito de Jesus, nos dá essas palavras em nossas Bíblias. Isso significa que toda palavra da Escritura é verdadeira e proveitosa, e está chegando até você com a mesma autoridade como se Jesus de Nazaré fosse atravessar essas paredes e falar as palavras da Bíblia para você face a face.

Essa é a autoridade da Escritura. Esse é o seu poder. E é isso o que significa acreditar verdadeiramente na Bíblia – isto é, amar e obedecer ao nosso Cristo.

 Russell D. Moore


[1] – “Mais segura” ou “mais certa” em algumas versões. [N. do T.]

Fonte: Southern Seminary Magazine, Vol. 78 (2010), No. 4.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – abril/2011
Adapt. Pr. Samuel
Publicado originalmente no site monergismo - http://monergismo.com/

25 de abril de 2011

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Por John Piper
O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus anjos. (Apocalipse 3:5).
O fim do ano está próximo. Finais nos fazem ponderar sobre persistência. Nós conseguimos chegar ao fim de mais um ano (quase). Conseguiremos chegar a outro? Mais importante: Iremos perseverar, como Jesus diz, até o fim e então seremos salvos (Marcos 13:13)? Perseverança é uma promessa e um presente precioso. Não sem lutas. Mas nós lutamos como vitoriosos. Assim eu gostaria de te encorajar aqui no final do ano a combater o bom combate novamente, e ter profunda confiança que Deus não vai apagar seu nome do livro da vida.
A preciosa verdade bíblica que os santos irão perseverar na fé até o fim e serão salvos sofre implacável oposição, geração após geração. Apesar disso a verdade prevalece, descansada firmemente na soberana fidelidade de Deus para completar a salvação de seu eleito. Ele planejou-a [a salvação] na eternidade, comprou-a com a morte de Cristo na cruz, e está colocando-a em prática através do Espírito Santo.
Romanos 8:30 diz, "[Aqueles] aos que justificou, a estes ele também glorificou." Em outras palavras, entre o evento da justificação pela fé no começo da nossa vida cristã, e o evento da glorificação e ressurreição de nossos corpos (Filipenses 3:21), não haverão desistências, resgates ou expulsões. "Aqueles aos que justificou, ele também glorificou" - todos eles. Deus guardará e também santificará aqueles que ele justificou e assegurará que eles mantenham-se na fé e perseverem até o fim e sejam salvos.
1 João 2:19 descreve como deveríamos entender as aparentes desistências: "Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos." Em outras palavras, a falha em perseverar não é um sinal que você pode ser verdadeiramente nascido de novo e justificado e então se perder. Antes a falha na perseverança é um sinal que você nunca foi verdadeiramente parte do povo regenerado de Deus. Este é o ponto explícito de 1 João 2:19.
Apesar disso, existem textos que têem persuadido alguns a rejeitarem esse ensinamento. O texto que estou considerando aqui é Apocalipse 3:5 onde o Senhor Jesus diz, "O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus anjos."
Alguns dizem que esse é um texto indiscutível contra a doutrina da perseverança dos santos. Eles assumem que quando Apocalipse 3:5 diz que Deus não irá apagar o nome de um indivíduo do livro da vida, isso implica que ele apague outros do livro da vida, e que essas são as pessoas que foram uma vez justificados e então mais tarde foram condenadas. Mas seria isso uma suposição verdadeira?
A promessa "Eu não apagarei seu nome do livro da vida", não necessariamente implica que alguns têem seus nomes apagados. Ela somente diz ao que está no livro e vence na fé: Eu nunca irei eliminar seu nome. Em outras palavras, ser apagado é um prospecto temeroso que Eu não permitirei que aconteça. Eu vou mantê-lo seguro no livro. Essa é uma promessa feita àqueles que perseveram e vencem. Ela não diz que aqueles que falharam na luta e se desviaram de Cristo estavam escritos no livro e foram apagados.
De fato, existem dois outros versos em Apocalipse que parecem ensinar que ter seu nome escrito no livro da vida significa que você vai perseverar e vencer. Considere Apocalipse 13:8. "E todos os que habitam sobre a terra irão adorá-la [a besta], todo aquele cujo nome não foi escrito desde a fundação do mundo no livro da vida do Cordeiro que foi morto." Esse verso implica que aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro "desde a fundação do mundo" definitivamente não irão adorar a besta. Em outras palavras, ter nosso nome no livro da vida desde a fundação do mundo parece significar que Deus vai guarda-lo de cair e vai conceder que você permaneça fiel a Deus. Estar no livro significa que você não irá apostatar.
Semelhantemente considere Apocalipse 17:8, "A besta que viste era e já não é; todavia está para subir do abismo, e vai-se para a perdição; e os que habitam sobre a terra e cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo se admirarão, quando virem a besta que era e já não é, e que tornará a vir." De novo, ter o nome de alguém escrito no livro da vida desde a fundação do mundo aparenta proteger esse alguém de "admirar-se" da besta. Aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo irão se maravilhar. Se seu nome está escrito lá, você não se maravilhará da besta.
O ensino aqui é que ter o nome de alguém escrito no livro da vida é eficaz. Ou seja, isso tem um efeito que define as ações dessa pessoa. Ter seu nome escrito no livro da vida do Cordeiro desde a fundação do mundo garante que você não irá adorar ou maravilhar-se da besta. João não diz, "Se você adorar a besta, seu nome é apagado." Ele diz, "Se seu nome está escrito, você não irá adorar a besta."
Isso se completa com Apocalipse 3:5, "O que vencer... Eu não riscarei o seu nome do livro da vida." A vitória requerida em 3:5 é garantida em 13:8 e 17:8. Isso não é uma contradição tanto quanto quando Paulo diz, "Desenvolvei vossa salvação... Porque Deus é o que efetua em vos tanto o querer como o realizar, segundo sua boa vontade" (Filipenses 2:12-13). Não é uma coisa sem sentido declarar a condição: se você vencer, Deus não apagará seu nome (3:5); e declarar a garantia: se seu nome está escrito, você vencerá (13:8 e 17:8). Os "inscritos" de Deus realmente querem vencer, e realmente irão. Um lado realça nossa responsabilidade; o outro realça a soberania de Deus.
O impacto prático dessa verdade não é que façamos pouco caso da fé, do amor e da santidade. Há necessidade de vigilância (Hebreus 3:12) e esforço (Lucas 13:24) e busca (Hebreus 12:14) na vida cristã. Antes, o impacto é que descansemos na garantia que não fomos deixados à nossa própria sorte nessa "luta da fé". O Deus que te chamou é fiel para "vos confirmar também até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios 1:8). "Fiel é o que vos chama, o qual também o fará [santos]" (1 Tessalonicenses 5:24). Ele irá completar a salvação que começou (Filipenses 1:6). Nós somos guardados pelo poder de Deus (1 Pedro 1:5). Devemos lutar, porque só aqueles que perseverarem serão salvos (Marcos 13:13). E lutas nós desejamos, porque Deus nos aperfeiçoa em todo o bem, para cumprir sua vontade (Hebreus 13:21).
(Esse artigo foi originalmente escrito em 1997 e publicado em Taste and See)

Tradução, Rodrigo Silva
Adapt. Pr. Samuel

22 de abril de 2011

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Na tradição católica hoje é considerada a sexta da paixão. Não é possível saber se realmente foi nessa sexta que Cristo foi crucificado, é uma data mais simbólica do que verídica, a mesma coisa acontece com o Natal.
No entanto é bom considerarmos e refletirmos sobre o termo “paixão de Cristo”. Para muitas pessoas essa expressão significa “o amor de Cristo”, porque temos em nossas mentes que “paixão” tem aquela conotação de “amor” de quando estamos apaixonados por alguém. Paixão na verdade quer dizer “sofrimento”, esse sentido não é tão conhecido hoje em dia, mas é o significado por trás da palavra. Quando se diz que está “apaixonado” significa que se está sofrendo por alguém, uma forma romântica de se expressar o amor. Cristo, dessa forma, sofreu por amor, sua paixão, seu sofrimento revela o seu amor para com o seu povo (Mateus 1.21).
Também podemos adentrar o assunto da páscoa, que para os católicos é celebrada nessa época. Para nós protestantes isto é válido? A páscoa é uma festa judaica instituída por Deus para celebrar a saída de Israel do Egito. O mandamento é que nenhum gentio poderia participar dela.
“Disse mais o Senhor a Moisés e a Arão: Esta é a ordenança da páscoa; nenhum, estrangeiro comerá dela” (Êxodo 12.43).
Logo vemos que nós não precisamos e nem devemos celebrar essa cerimônia, é algo próprio e específico para os judeus. Existe um simbolismo dessa páscoa judaica com a morte de Jesus, o cordeiro da páscoa judaica tipifica Jesus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). Assim sendo, Ele é a “nossa páscoa”. Então, podemos dizer que vivemos a festa pascal todos os dias, 24 horas.
“Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado. Pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (1ª Coríntios 5.7,8).
Nossa celebração consiste num viver santo e devotado, honrando o sacrifício que JESUS consumou na cruz, não numa festa religiosa celebrada uma vez por ano. Celebramos nossa páscoa (Cristo) todos os dias, andando em sua vontade, não com os pães físicos sem fermento, nem com os fermentos simbólicos que são a malícia e a corrupção, mas com a sinceridade e a verdade de Deus em nosso viver diário.

Pr. Samuel

20 de abril de 2011

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“...regozijem-se todas as árvores do bosque, na presença do SENHOR, porque vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, consoante a sua fidelidade” (Salmo 96.12,13).
Uma das coisas que aprendi depois que me tornei um cristão reformado foi abraçar e me prostrar diante da justiça de Deus. Para muitas pessoas não é fácil digerir a idéia de justiça, porque às vezes, o conceito que temos dela é muito particular, ou seja, o que eu acho que seja justo tem que obrigatoriamente ser justo. Mas quando vamos a Deus este pensamento não deve de modo algum existir. A doutrina cristã, sadia, correta, ortodoxa e fiel, coloca Deus como o centro da realidade humana, reconhecendo que ele é livre para agir em favor de sua criação da maneira que melhor o aprouver. E por Deus ser livre em seu direito, ele também exerce a sua justiça com total liberdade de ação.
Não estranhem o que direi a seguir, a verdade é que muitos cristãos não gostam de admitir que Deus é livre em seu direito. Me parece que eles se sentem diminuídos ou violados enquanto seres moralmente criados e dotados de volição. Por este motivo, é que ensinamentos como o livre-arbítrio são tão “fáceis” de serem aceitos na cristandade. O paladar sempre se atrai pelo que é mais “doce”! Estou falando da liberdade de Deus e ao mesmo tempo do livre-arbítrio do homem, espero não estar fazendo confusão com a mente de vocês. Mas é engraçado como esses dois papéis que citei estão com os atores errados, porque quando se fala em livre-arbítrio do homem, coloca-se muito poder e muita autoridade nele; quando, porém, se fala sobre Deus, dizem que ele respeita as vontades e decisões do homem, dizem que Deus faz o que o homem decreta, que Deus é tão educado que se limita a apenas observar as escolhas e decisões que o ser humano toma. Será que somente eu enxergo isso como uma inversão de valores?
Eu acredito hoje em um Deus que está livre para exercer a sua justiça do melhor modo que achar. Esta idéia não me assusta e nem me cerceia, eu confio nos desígnios de Deus. Por mais que possam me parecer injustos, os propósitos e desígnios divinos nunca estão passíveis de erros ou de caprichos. Nós, humanos, é que não somos capazes de compreender em profundidade os pensamentos do Divino, temos que nos conformar em olhá-los superficialmente, e mesmo assim, ainda nos parece uma tarefa não muito fácil.
Não é possível discorrer sobre esse assunto sem colocar em questão o famoso livre-arbítrio humano. Aliás, eu não posso compreender as demonstrações de soberania divina, tanto no antigo quanto no novo pacto, admitindo a idéia de que, realmente, o homem tenha livre-arbítrio. Pelo menos se ele o tem, com certeza absoluta, ele foi violado algumas vezes, e se Deus concedeu por que o violou? Entre um Deus livre e um homem livre, eu prefiro a primeira opção.
Quando falamos em justiça de Deus logo nos lembramos da cruz. E não poderíamos de forma alguma tratar sobre este tema sem nos referirmos primeiramente à morte vicária do Senhor. O apóstolo Paulo nos diz que em JESUS, Deus fez justiça (2ª Co. 5.21). Esta justiça está em Deus condenar o culpado, e ao mesmo tempo perdoar com misericórdia o pecador. Punindo em Cristo as nossas iniqüidades e lançando sobre nós as virtudes e méritos dele, para que fossemos redimidos, foi realizada assim a justiça divina. Mas Deus continua exercendo a sua justiça todos os dias sobre a face da terra. O que muitos questionam é: Deus é sempre justo em tudo o que faz? Deus tem o direito de interferir até o ponto de causar sofrimento? Deus está por trás das injustiças sociais que vemos pelo mundo?
Na minha visão reformada, eu gosto de imaginar Deus como alguém que está montando um grande (muito grande) quebra-cabeça. Não um quebra- cabeça qualquer, daqueles que você compra na loja de brinquedos e vai tentando montar, sem saber como vai ficar todas as peças. O quebra-cabeça de Deus ele mesmo “desenhou”, foi ele próprio quem “recortou” cada peça e agora está montando uma por uma. Ele já sabe como tudo vai ficar no final, ele fez o desenho antecipadamente. Algumas dessas peças para nós não fazem o menor sentido algumas vezes, mas isso não significa que elas não tenham uma razão de ser, o quebra-cabeça só é bem compreendido quando está totalmente montado, até lá, muitas lacunas ficam em evidência. Acredito que todos agora devem estar esperando que eu responda bem objetivamente as questões que propus agora a pouco, prefiro citar um texto que gosto muito de ler, e que é a grande base do meu pensamento aqui nesse artigo.
 “No Céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Salmo 115.3).
Estas palavras não deixam dúvidas de que Deus é livre. A liberdade de Deus não deve nos assustar, pelo contrário; ela deve nos transmitir segurança. Qual pai não quer ver o bem de seus filhos? Somos filhos de Deus, e como tais, gozamos do privilégio que é ter o seu zelo sobre nós. Isso não significa que às vezes não precisemos passar por momentos de tribulação, nos quais, Deus, em seu infinito conhecimento, permite por razões compreensíveis temporariamente apenas a ele.
E diante das injustiças sociais? Onde está Deus? Ele nunca está indiferente as coisas que acontecem no mundo. Mas ele também é livre e soberano para permiti-las. Se existem no mundo pessoas ricas e pessoas pobres, isto é um desígnio de Deus.
“o pobre e o rico se encontraram; a um e ao outro fez o SENHOR” (Provérbios 22.2).
Nas catástrofes que assolam a terra, a mão de Deus está agindo por trás de todas elas.
“Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não vacile em tempo algum. Tomaste o abismo por vestuário e a cobriste; as águas ficaram acima das montanhas” (Salmo 104.7).
Nas decisões diplomáticas das nações.
“Pois do SENHOR é o reino, é ele quem governa as nações” (Salmo 22.28).
 Até mesmo em coisas simples e aparentemente inúteis.
“E quanto a vós outros, até os cabelos da cabeça estão contados” (Mateus 10.30).
É maravilhoso quando paramos e contemplamos a grandeza e soberania de Deus.
O que é mais difícil para nós é conseguir conciliar a idéia de um Deus que é amor e ao mesmo tempo severo quando exerce juízo. Isso acontece por que ao logo dos tempos, influenciados talvez pela cultura grega e seus filósofos e depois pela renascença, a sociedade tem desenvolvido um pensamento completamente antropocêntrico, isto é, onde o homem deve ser o centro do universo. Tudo deve girar em torno de nós. Infelizmente essa idéia maligna adentrou à Igreja, e alguns passaram a imaginar que Deus não tem o direito de fazer o que bem entender porque o homem merece “respeito”. Pensar assim é anular a soberania de Deus, é tocar em sua glória. Quem somos nós para dizer o que ele pode ou não pode fazer?
“Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou dirá a tua obra: Por que me fizeste?” (Isaías 45.9).
Têm pessoas que me acham estranho por pensar dessa forma, mas ora, não assim que a Bíblia nos ensina a ver Deus? Então o que quer dizer esse texto supra? Eu não posso acreditar nesse deus fajuto que está sendo ensinado em muitos lugares por ai. Um deus que se submete às decisões do homem, um deus que parece ter medo da sua criação. Por mais que digam que estou levando as coisas ao extremo, não é a verdade. O deus que estão pregando em muitos ministérios é que não passa de uma péssima caricatura do Deus verdadeiro. O Deus da Bíblia não tem seus planos frustrados! Agora talvez alguém diga: “Auto lá! Nós também não cremos que nenhum plano de Deus possa ser frustrado!” Eu pergunto: É um plano de Deus que o homem seja salvo? Então por que vocês dizem que ele pode recusar-se a ser salvo usando seu livre arbítrio, isto não é frustrar o plano de Deus?
Os espíritas também não crêem na predestinação e nem na soberania de Deus, explicam as injustiças no mundo como uma forma de pessoas pagarem por seus erros de vidas passadas. Para eles Deus também não tem o direito de agir como quiser. Será que você não tem pensado da mesma forma? Será que diante de uma situação muito difícil você não tem pensado: Deus não tinha o direito de fazer isso!? Não podemos saber qual é o real motivo dos eventos que muitas vezes nos surpreendem, mas podemos ter certeza que eles têm uma função especial nos desígnios de Deus para nós. Ainda que Deus nos lançasse agora mesmo no inferno sem nenhum motivo aparente, ainda sim ele continuaria sendo um Deus de amor, misericórdia e justíssimo! Isso pode parecer apavorante para alguns, Eu, porém, dou glória a Deus!
Veja o exemplo de Eli. Este homem de Deus foi avisado antecipadamente de algo terrível que viria sobre ele, Deus o revelou através de uma criança que os pecados de seus filhos não seriam perdoados de forma alguma, e que ele não teria descendência que continuasse seu nome sobre a terra, sua linhagem seria apagada para sempre. Isso naquela época era algo terrível para um homem, principalmente um sacerdote. Imagine como ficaríamos com uma notícia dessas. “Senhor, castigue meus filhos, mas tenha misericórdia do teu servo, me permita ter uma descendência”. Mas não foi isso que Eli fez, ao invés ele disse:
“Então disse Eli: Ele é o Senhor, faça o que bem parecer aos seus olhos” (1º Samuel 3.18).
Ah se os crentes de hoje amassem dessa forma a soberania do nosso Deus! Apesar de todo mal profetizado sobre sua vida, Eli ainda temia e glorificava a Deus. “Ele é o Senhor”! Quer dizer, ele está acima e mim, ele é justo, tudo o que ele faz tem sentido e razão, quem sou eu pra questionar a justiça e liberdade dele?

Que Senhor aja como lhe parecer melhor e que possamos em toda a situação dizer: Senhor, tu és justo em todos os teus caminhos!

Pr. Samuel