26 de dezembro de 2010

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Alguns afirmam que a salvação se perde, que nós precisamos no esforçar para permanecer salvos. Ora a Bíblia não ensina nada disso, e ao contrário do que muitos pensam, ela não se contradiz. A Bíblia não é um livro confuso, os homens é que tentam confundi-la interpretando-a do seu modo, e não levando em conta o que já está patente e claro nela.
Acima de qualquer argumento nós cremos em um Deus de amor e poder. Isso significa que ele nos ama com amor infinito, e que tem todo o poder para nos preservar a ele mesmo, em integridade e idoneidade. Dizer o contrário disso é alegar que Deus não ama o suficiente, ou se ela ama, não é capaz de fazer muita coisa em prol desses que são alvo do seu amor. Eu creio que o amado leitor não pensa dessa forma, se não sua fé é inútil e vã.
A primeira coisa que precisamos saber é que a salvação não vem de nós, mas de Deus.
“Ao senhor pertence a salvação” (Jonas 2.9).
É um erro tremendo pensar que somos nós os responsáveis por estarmos salvos hoje, isso é uma obra exclusiva de Deus, não dependeu em nada de nossas obras ou atitudes.
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8).
Isso significa que a salvação não pode de modo algum render glória ao homem, exatamente ao contrário do que os irmãos arminianos fazem, uma vez que eles alegam: Eu aceitei Jesus! Eu decidi! Todo o mérito da salvação vem de Deus, foi ele quem determinou que seríamos salvos.
“...que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo JESUS, antes dos tempos eternos” (2ª Timóteo 1.9).
Então, se não tivemos participação alguma na aquisição, também não podemos ter na manutenção. Imagine que uma pessoa pobre, um operário cujo rendimento mal dá pra comprar uma bicicleta, ganhasse de um magnata um automóvel importado e de luxo. Será que esse simples operário poderia manter os custos de manutenção desse veículo, uma vez que somente um dos pneus consumiria mais da metade do salário dele por mês? Ora, mas ele ganhou esse carro! Sim, mas não pagou por ele. Nem poderia. E se o magnata não se comprometer de todos os meses pagar a manutenção, colocar combustível e comprar alguma peça em caso de defeito, esse carro nunca vai ser usufruído pelo operário, pois ele não pode arcar com todas essas despesas que ele exige. Com a salvação ocorre o mesmo, nós a recebemos graciosamente (Ef 2.8), e é o próprio JESUS quem nos assegura a sua manutenção. Paulo tinha plena certeza disso:
“...porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2ª Timóteo 1.12).
A promessa do nosso Deus é uma salvação eterna e garantida, nenhum se perderá dos que vem a JESUS.
“A vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (João 6.39).
Será que Deus não seria capaz de realizar essa vontade?

Pr. Samuel

24 de dezembro de 2010

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Ao findar mais um ano a humanidade se reveste de um sentimento de profunda espiritualidade. Alguns apenas nessa época se lembram de ser gentis, cordiais, humildes, e outros nem mesmo nesse período mudam as suas atitudes mesquinhas e rudes.  O cristão não deve esperar datas especiais para poder demonstrar boas virtudes, isso deve ser rotineiro a ele. Agora celebramos o nascimento de JESUS, ainda que não seja essa a data precisa, mas a intenção e a importância da qual ela se reveste deveria ser suficiente para nos levar a pensar um pouco sobre esse evento e como ele influencia a nossa vida.
Acreditamos em um Deus. Mas não um deus distante, frio, indiferente ao nosso sofrimento e às nossas necessidades. Cremos em um Deus que é a essência do amor, da misericórdia, do perdão, do altruísmo. A maior prova disso é o fato de comemorarmos o nascimento mais importante da história. Ali ele nos estava dizendo: Eu me importo com vocês! Eu criei vocês! Sois a obra prima de minhas mãos! O natal deve nos fazer meditar o quanto Deus se entregou e se doou por nós, simples mortais.
Como podemos conceber que o Deus criador dos céus e da terra, fundador do universo, aquele que nem mesmo os céus podem conter, nasceria de forma tão simples e humilde? Em uma noite fria a céu aberto, em meio a animais, tão pobre, tão pequeno, tão frágil. Ao mesmo tempo tão rico, tão infinito e tão poderoso. Deus quis nos mostrar esse contraste, ele queria que entendêssemos que poder não deve ser sinônimo de soberba nem de prepotência. Infelizmente vemos tantas pessoas que desprezam o seu próximo por causa da sua aparência, do seu poder aquisitivo, da sua pouca instrução, e o próprio Deus, que tinha motivos de sobra para nos desprezar, não nos tratou consoante nossas iniqüidades; antes, nos olhou com misericórdia, e se humilhou a tal ponto tornando-se um de nós. JESUS, o homem-Deus, nos ensinou que quem de fato ama, deve se colocar no lugar do outro. Ele fez isso, ele participou das nossas experiências, soube o que é nascer pobre, desprezado, sentiu-se triste, viu de perto as injustiças dos homens, viu como a malícia humana corrói o seu ego, viu como as vezes achamos que Deus nos abandona, ele sentiu todo o peso que podemos sentir. Por ter passado por tantas coisas, hoje ele tem todo o poder e autoridade, ele reina e o seu trono é eterno, mas ele teve que padecer para que pudesse entrar em sua glória.
Não precisamos sofrer tudo o que ele sofreu um dia. Precisamos apenas aprender a renunciar a nós mesmo para o bem do próximo. Quantas coisas ruins poderiam ser evitadas se nós pelo menos uma vez cedêssemos quando injuriados, caluniados, se apenas disséssemos: Pai perdoa-lhes, Eles não sabem o que fazem. JESUS nasceu para nos ensinar a cumprir a Lei de Deus, pois ela se cumpre no amor. Quem ama a Deus faz a sua vontade, e quem ama o próximo não faz nada que possa ofendê-lo, porque se coloca em seu lugar. Quando você passa por alguém que está sofrendo, como você a vê? Já tentou se imaginar se fosse você ali? É isso que falta no homem hoje, vê o seu semelhante como a si próprio.
Não vamos tornar o natal uma festa hipócrita, vamos aplicar a lição que Deus nos ensina através dele. É festa cristã, são boas novas de grande alegria. JESUS nasceu, Deus se fez um de nós, se colocou em nosso lugar. Façamos o mesmo com o nosso próximo. Não se prive de fazer o bem, não deixe que o ceticismo moderno o impeça de ver o grande milagre que aconteceu em Belém da Judéia. Não seja indiferente, afinal é Natal!

Ir. Samuel Balbino

23 de dezembro de 2010

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Quero hoje discorrer sobre o título pentecostal. Já pararam para pensar o quem tem a ver uma coisa com a outra? Certa vez fiz essa pergunta a uma irmã e ela disse que pentecostes foi o dia em que o Espírito Santo desceu. Eu provoquei e disse: Tem certeza que é só isso irmã? Ela respondeu que sim.
Pentecostes é uma festa judaica: Contareis para vós outros desde o dia imediato ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia imediato ao sétimo sábado, contareis cinqüenta dias; então, trareis nova oferta de manjares ao SENHOR. Das vossas moradas trareis dois pães para serem movidos; de duas dízimas de um efa de farinha serão; levedados se cozerão; são primícias ao SENHOR. Com o pão oferecereis sete cordeiros sem defeito de um ano, e um novilho, e dois carneiros; holocausto serão ao SENHOR, com a sua oferta de manjares e as suas libações, por oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR. Também oferecereis um bode, para oferta pelo pecado, e dois cordeiros de um ano, por oferta pacífica. Então, o sacerdote os moverá, com o pão das primícias, por oferta movida perante o SENHOR, com os dois cordeiros; santos serão ao SENHOR, para o uso do sacerdote. No mesmo dia, se proclamará que tereis santa convocação; nenhuma obra servil fareis; é estatuto perpétuo em todas as vossas moradas, pelas vossas gerações. Quando segardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixareis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Levítico 23.15-22). Pergunto eu: Isso tem alguma coisa a ver com o derramamento do Espírito Santo? Não! Pentecostes tem esse nome por causa do cálculo dos dias em que é celebrada, ou seja, 50 dias após a páscoa. Na verdade é um apelido, porque esse título surgiu nos tempos do Novo Testamento e é de inegável influencia grega (pentekostos). Na Lei ela é chamada apenas de “Festa da Sega” ou “Festa das Semanas”. Como os pentecostais iriam fazer se não tivesse sido criado esse apelido? A grande questão é que se trata apenas de uma festa judaica ligada a colheita agrícola. Pesquisando o assunto encontrei esse comentário interessante: “As festas religiosas de Israel estavam ligadas ao ciclo agrícola da nação. A festa dos Pães Asmos ocorria em em abril ou maio, como celebração da primeira colheita da cevada. Sete semanas depois, ocorria a Festa das Semanas, que celebrava a colheita de outras safras de cereais, tais como trigo. Finalmente, vinha a Festa dos Tabernáculos, que comemorava a colheita final e o fim da estação agrícola[i].” Alguns tentam argumentar que esse evento é um símbolo de que aqueles que se convertem seriam os frutos de uma grande colheita, mas esse é um pensamento particular deles, a Bíblia não dá suporte algum a tal afirmação. O mais evidente é que nenhum apóstolo faz qualquer menção a pentecostes como fazem os “pentecostais” hoje, chega quase a ser idolatria.
Os discípulos estavam reunidos em obediência ao mandado de JESUS e aguardando o cumprimento da promessa feita nos 40 dias que antecederam a ascensão (Atos 1.4), é claro que eles não sabiam muito bem do que se tratava, mas estavam esperando. Vale salientar que os discípulos ainda deviam estar amedrontados por parte dos judeus. E esse derramamento repentino (Atos 2.2) pego-os de surpresa, isso prova que eles não estavam nem buscando e nem pedindo, foi um ato soberano de Deus.

Pr. Samuel


[i] Comentário em A Bíblia de Estudo de Genebra, pág. 106 -  Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil.

18 de dezembro de 2010

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ACERCA DOS DONS – “A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”. (1ª Coríntios 12.1). Não parece um paradoxo o apóstolo Paulo ter escrito isso aos irmãos de Corinto e hoje, mais de dois mil anos depois, eu estar tratando ainda desse assunto? Infelizmente vamos encontrar muitos paradoxos como esse no cristianismo moderno. A teologia pentecostal (se é que podemos chamar assim) coloca muita ênfase no uso dos dons (charismata no grego, daí o nome carismático). Eu falei no post anterior sobre o batismo ou o “selo” com o Espírito Santo, e deixei bem claro que não existe ligação direta ou necessária deste com a concessão do dom de línguas. Agora quero abordar com mais detalhes a questão dos dons espirituais e o famigerado dom de línguas, ou como dizem “as línguas estranhas”!
Durante oito anos da minha vida eu vi pessoas falarem em línguas dizendo estarem sentindo a ação do Espírito de Deus. Cheguei a presenciar pessoas que ficavam como se estivesse em uma espécie de transe, pois ficavam totalmente fora de si, se tremiam, choravam, gritavam, batiam nos bancos, se tornavam quase incontroláveis. Eu via isso e achava que era normal, realmente acreditava que fosse algo de Deus, ainda que por vezes quisesse rir daquelas cenas. Hoje eu vejo que realmente tinha razão em querer rir, aquilo nada tem a ver com uma manifestação do Espírito Santo, são apenas pessoas induzidas a um estado frenético de histeria por uma sugestão bem aplicada por um pregador ou quem quer que seja.
A Bíblia fala de dons (Ef 4.7-11) e de manifestações do Espírito (1ª Co 12.7). O pentecostalismo enfatiza com grande avidez o dom de língua, de cura, de profecia e de revelação. Mas será que realmente esses dons continuam valendo para hoje? Talvez alguém diga: É claro! Eles são muitos úteis à Igreja! Não existe embasamento bíblico algum que evidencie a permanência dos dons extraordinários para os dias de hoje. O próprio Paulo nos diz que esses dons tinham um tempo limitado de atuação (1ª Coríntios 13.8). Isso quer dizer que o que temos visto hoje dentro das denominações pentecostais e carismáticas não passam de equívocos.
Sobre os dons em geral – Encontramos referências aos dons em (Romanos 12.6-8), depois (1ª Coríntios 12,13,14), finalmente em (Efésios 4.7-13). Lendo essas passagens podemos chegar às seguintes conclusões: a) Existem dons “miraculosos” ou extraordinários, e dons ordinários ou simplesmente não miraculosos. b) Os dons visam um fim proveitoso (1ªCo 12.7), o aperfeiçoamento dos santos em seu serviço, e por fim o crescimento espiritual da Igreja (Ef 4.12-15). c) Os dons miraculosos ou extraordinários tiveram uma função especial, serviram como sinais para incrédulos (1ª Co 14.22) e para credenciar aqueles que os possuía, ou seja, confirmavam a autoridade apostólica (2ª Co 12.12).
Os dons extraordinários cessaram – Os dons que os pentecostais tanto defendem não mais existem hoje, eles foram fundamentais no estabelecimento da Igreja, depois, com a sua consolidação, eles não são mais necessários.
Cura: JESUS curou muitas pessoas no seu ministério terreno, mas ele deixou bem claro qual era o propósito desses milagres, “Se, por ventura, não virdes sinais e prodígios, de modo nenhum crereis” (João 4.48). Eles autenticavam a sua autoridade e o identificavam como o Messias prometido à Israel. Com a Igreja aconteceu o mesmo, os sinais de cura apontavam para a credibilidade do ministério apostólico, com a conclusão das Escrituras não é mais necessária uma confirmação adicional para os dias atuais. O apóstolo Paulo que curou a tantas pessoas na sua velhice sofreu de uma doença na visão (Gálatas 4.15; 6.11) e Timóteo tinha “freqüentes enfermidades” (2ª Timóteo 5.23), será que Paulo perdeu a fé para ser curado? Será que Timóteo não poderia ter “determinado” a sua cura como fazem hoje? Por que Paulo não foi lá impor as mãos sobre ele para curá-lo, ao invés disso, recomendou-lhe que bebesse vinho (que era tido como um medicamento na época)? Isso não aconteceu porque a essa altura a Igreja já estava bem estabelecida e não era mais necessária a confirmação ministerial através dos milagres.
Profecia e revelação: Aqueles que dão crédito as essas novas profecias e revelações estão dizendo que a Bíblia não é suficiente. Tudo o que precisamos saber esta lá. Por pensar o contrário, muitos estão sendo levados a ouvirem os homens e não as Escrituras. A Bíblia é a única regra de fé, o que ultrapassar isso é heresia. “O Espírito usou a revelação para estabelecer o registro objetivo da Palavra de Deus. Uma vez que este cânon da Palavra de Deus foi estabelecido, a revelação cessou. Não há mais necessidade dela hoje. Temos contido nas Escrituras, de acordo com o seu próprio testemunho (2 Timóteo 3:15-17; 2 Pedro 1:19-21), o infalível padrão de toda verdade. Temos nela tudo o que é necessário conhecer para a salvação. Não necessitamos de nenhuma revelação adicional de homens”(Rev. Wilbur Bruinsma)
Línguas: Me parece que esse é o dom mais amado pelos irmãos pentecostais. Geralmente usam o texto de Marcos 16.17 para enfatizarem, pois diz “falarão novas línguas”. Mas o mesmo versículo diz que são “sinais”, o que é ratificado por Paulo, “De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos” (1ª Coríntios 14.22). O que significa um sinal? Um sinal aponta para alguma coisa que vem adiante. Vou dar um exemplo que ouvi alguém dizer uma vez. Imagine que você vem em uma rodovia qualquer com o seu veículo. De repente você vê uma placa dizendo “restaurante 2 Km à frente”. Isso é um sinal indicando a você que existe um restaurante logo adiante. Ele foi necessário, mas depois você não precisará mais dele. Assim podemos compreender o dom de línguas. Quando Deus concedeu que os discípulos falassem em outros idiomas esse era o sinal de que o Espírito agora seria derramado “sobre toda a carne” (Joel 2.28-32). Agora a Igreja não seria limitada à somente Israel, mas de todos os povos, nações e línguas. Aqueles que viveram com JESUS nos dias de sua carne, receberam esse sinal como uma confirmação que a salvação não era somente para os judeus, mas também para os gentios. Quando e Espírito Santo desceu pela primeira vez sobre os gentios, veja qual foi a reação dos judeus: “Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, ADMIRARAM-SE, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo à Deus” (Atos 10.44,45). Era como se Deus estivesse dando um banho de água fria nos irmãos judeus que não admitiam nós gentios como parte da Igreja. O falar em outros idiomas permitiu que a mensagem chegasse a todos os povos da época. Mas como o sinal é temporário, ele não é mais necessário hoje, já temos o testemunho dos apóstolos dizendo que a salvação deve ir até os confins da terra.
Outra coisa interessante é que os irmãos pentecostais não obedecem às recomendações de Paulo quando ele exorta acerca do dom de línguas (recomendações que ele escreveu enquanto vigorava esse dom). A Igreja de Corinto estava dando muita ênfase às línguas e o apóstolo a corrigiu por isso. Na visão de Paulo as línguas só têm sentido se forem compreendidas, por isso na Igreja só deveria ser falada se houver quem interprete (1ª Coríntios 14.27,28), pois “se com a língua, não disserdes palavras compreensíveis, como se entenderá o que dizes?” (1ª Coríntios 14.9). Incrivelmente acontece o que o apóstolo deduziu, a igreja toda falando em línguas, quando entra um indouto ele pensa: Está todo mundo louco! (14.23). É o que vemos nos cultos pentecostais.
Precisamos focar a nossa atenção no que realmente interessa, a pregação do Evangelho e a nossa comunhão com Deus. Se você espera realizar isso indo em busca de sinais miraculosos hoje infelizmente estará indo por um caminho incerto e perigoso.
No próximo post falarei sobre o título “pentecostal”.

Pr. Samuel

14 de dezembro de 2010

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ACERCA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO - Quero continuar essa série de postagem abordando um ponto muito interessante sobre o pentecostalismo, o batismo com o Espírito Santo.
Eu aprendi enquanto pentecostal, que quando uma pessoa se converte e aceita a Jesus ela deve ser ensinada a se batizar. Logo lhe advertem a frequentar uma “aula de batismo”, e quando finalmente o “candidato” está preparado, recebe o batismo em águas. Mas ainda não acabou, falta a etapa mais importante, agora ele precisa buscar com muita sede o batismo do Espírito Santo. Segue-se uma sucessão de “buscas” nos cultos de avivamento. Um dia ele é batizado e a prova disso é que logo se começa a falar em línguas estranhas, pronto temos mais um crente cheio do Espírito!
Durante os tristes anos em que estive na seita Universal (IURD), eu vi algumas vezes o “pastor” entrevistando os candidatos a obreiros da seita. Ele fazia um série de perguntas sobre comportamento, as normas da igreja, o porquê ser obreiro(a) e no final pedia para que falasse em línguas, o sinal evidente do batismo. Inacreditável, nunca consegui falar em línguas, será que não possuo o Espírito Santo? Confesso que durante muito tempo pensei assim, graças a Deus hoje estou completamente convicto que “se alguém não tem o espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8.9).
Esse é apenas mais um dos equívocos que me levaram a escrever essa série de postagens no blog. A Bíblia fala do batismo com o Espírito Santo, mas não ensina a buscá-lo. O batismo é um selo, uma confirmação da conversão do crente e ocorre instantaneamente quando ele recebe a JESUS em sua vida, depois de ter ouvido a pregação do Evangelho e crido nela. “Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” (Efésios 1.13). Sabendo disso eu não posso admitir que exista “crentes” sem o Espírito Santo. Se alguém confessa a JESUS como Senhor, e isso é de fato autêntico e sincero, essa pessoa não poderia ter sido levada a tomar essa decisão a menos que o Espírito de Deus a tivesse convencido a isso. Veja que fato interessante: “Aconteceu que estando Apolo em Corinto, Paulo tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebeste o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe Espírito Santo” (Atos 19.1,2). De acordo com a pergunta de Paulo, quando é que recebemos o Espírito Santo? Em um culto de busca? Não! No momento em que cremos, então se você creu em JESUS, você já recebeu o Espírito Santo.
O pensamento pentecostal alia de maneira feroz o batismo com o recebimento dos dons e esse evento citado acima pode ser usado como exemplo dessa interpretação errada. “Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor JESUS. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam” (Atos 19.5,6). Os mais apressados talvez pensem: veja, essa é a prova, o sinal do batismo são os dons! Antes que os irmãos pensem que descobriram a pólvora vamos pensar um pouco. Se realmente a prova do selo do espírito são os dons, principalmente o de línguas, então, 1) Todas as pessoas que se converteram no livro de Atos devem ter também recebido os dons logo após a conversão; 2) Mas se o crente depois de convertido ainda não recebe o Espírito Santo e precisa buscá-lo, por que esses discípulos receberam sem buscar?; 3) Se Deus escolhe o momento em que quer batizar com o Espírito Santo, por que devo buscá-lo? As respostas dessas objeções são muito claras, 1) Nem todas as pessoas que se converteram receberam dons, esse evento só aconteceu mais três vezes em Atos, primeiro com os judeus no pentecostes (2.4-11); depois com os samaritanos (8.14-17), e com alguns gentios (10.44-46). Não podemos esquecer o carcereiro da Macedônia e de Lídia da cidade de Tiatira. Ambos se converteram pela pregação e creram nela, mas nenhuns dos dois receberam dons, porém foram convertidos ou alguém quer questionar a conversão deles? Lembrem-se que o carcereiro e sua família “manifestava grande alegria, por terem crido em Deus” (18.34) e quanto a Lídia, “o Senhor abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (16.14). Pode alguém ter crido em Deus, ter o coração aberto por ele e não ter recebido o Espírito Santo? 2) O fato dos discípulos terem recebido dons não justifica a crença pentecostal, aquilo foi apenas um evento semelhante ao que ocorreu no dia de pentecostes, foi uma um momento propício, eram doze homens (19.7) que logo se tornara missionários naquela região, a expressão “tanto falavam em línguas como profetizavam” se refere ao evangelismo, pois o falar em línguas permitiu que eles se comunicassem em outros idiomas, ao passo que profetizar os fez falar as grandezas de Deus, como em Atos 10.46. 3) Todos os dons são dados por Deus, e ele escolhe como quer fazer isso “distribuindo com lhe apraz” (1ª Coríntios 12.11). Não existe recomendação dos apóstolos aos crentes para buscarem o batismo com Espírito Santo, Paulo nos leva a reconhecer o valor dos dons e desejá-los (14.1), mas batizados com o Espírito já estamos (Efésios 1.13). Acerca dos dons falarei na próxima postagem.
 
Pr. Samuel

6 de dezembro de 2010

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Quero em um tom muito cordial dirigir esse post aos irmãos pentecostais, dos quais fiz parte durante muito tempo, mas devido a discordâncias doutrinárias, me desliguei totalmente do movimento. Não quero ofender nem difamar o movimento pentecostal, apenas quero mostrar alguns equívocos que, considero eu, precisam ser revistos e repensados pelas lideranças brasileiras.
O pentecostalismo é o maior segmento evangélico do Brasil. Mas nem por isso significa que está isento de problemas e corrupções; pelo contrário, quanto maior a dimensão, maiores também serão as complicações. Estou falando de várias denominações, de várias divergências entre o próprio movimento, estou me referindo à fuga de muitos valores conseguidos com a Reforma, e que simplesmente são abandonados “na lata do lixo”. A rapidez com a qual o pentecostalismo se difundiu, também é a velocidade com que se afastou de muitos princípios cristãos importantes. Não posso omitir outro fato interessante que é o de que foram pastores tradicionais (geralmente batistas) que criaram o movimento pentecostal, às vezes cansados da ortodoxia de suas igrejas e pela recusa de grande parte da sociedade em vir ao evangelho, podemos dizer que o pentecostalismo foi um modo de tornar o evangelho “mais atrativo”. O que pode ter trazido um maior número de “ADESÃO”, porém uma qualidade duvidosa na “CONVERSÃO”.
Wiliam Seymour
O pentecostalismo teve seu grande ápice e explosão de 1906 a 1909 com o famoso avivamento da Rua Azuza, quando o pastor Wiliam Seymour fundou a sua própria igreja em um templo abandonado da Igreja Metodista. A ênfase nas curas e milagres, e principalmente na glossolalia (línguas estranhas) como prova do batismo com o Espírito Santo, sacudiu as bases da época. Os jornais chegaram a noticiar que era o aparecimento de uma nova seita fanática. Em 1911 o pentecostalismo chega ao Brasil através dos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, ambos ex-batistas. Tem início assim a Assembléia de Deus, que comemora seu centenário em 2011.
Daniel Berg e Gunar Vingren
Olhemos para pentecostalismo hoje. O que podemos dizer é que ele fez tanto mal quanto bem. Não estranhem eu dizer isso, creio que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso concordará comigo, basta fazermos uma análise dos efeitos de algumas das doutrinas pentecostais na mentalidade cristã.
ACERCA DA SALVAÇÃO – A semelhança de outros grupos, o pentecostalismo é arminiano, ou seja, credita a salvação a uma decisão do homem. Percebi que esse é um ponto inflexível, e dizer o contrário é comprar uma briga feia com eles. Esse foi o ponto no qual mais sofri quando fazia parte desse movimento, pois como os arminianos defendem a “salvação perdível”, então eu vivia em uma espécie de ping-pong, estou salvo, não estou salvo. “Os pentecostais sustentam a salvação da seguinte forma: para que alguém seja salvo é necessário crer em Cristo como seu Salvador, no entanto, para a pessoa se manter salva necessita cumprir certas condições, como o batismo (embora nem todos ensinem que o batismo é necessário para a salvação), uma vida de submissão a Deus, não estar em pecado quando morrer ou quando da volta de Cristo e perseverar até o fim, o que faz, por evidente, ser a salvação um processo, tal processo começa quando alguém crer em Cristo e continua até o fim da sua vida.” (Robert Santos em coletânea de estudos sobre os pentecostais, organizada pelo Pr. Calvin Gardner – www.palavraprudente.com.br). Hoje sei que a Bíblia nunca ensinou isso. Se a salvação do crente se perdesse que obra mais fajuta seria essa que JESUS teria vindo realizar na cruz? O senhor diz: “Eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão; e ninguém as arrebatará das minhas mãos” (João 10.28). Essa promessa é firme é fiel. Nada pode nos tirar das mãos de Jesus, nem o diabo, nem o pecado, absolutamente ninguém, uma vez salvo, sempre salvo! Outra coisa a ressaltar é que dizer que nós é que mantemos a nossa salvação, isso uma grande heresia, nem um dos apóstolos ensinaram tal coisa. A salvação é uma obra exclusiva de Deus, sem qualquer participação nossa, é pela graça (Efésios 2.5).
Certa vez debatendo com o meu cunhado, ele disse: “Ai de mim se não fizer por onde manter minha salvação! Eu não jejue não, e não me santifique não pra ver se eu não vou para o inferno!” Quando ele acabou de fazer essa afirmação, eu retruquei: Pra que você precisa de Jesus então? Repare que esse pensamento torna a vida do cristão insegura, a salvação que ele recebeu não é eterna, e ele nunca tem certeza que subirá aos céus, pois se ele pecar, automaticamente, sua alma já está novamente condenada à destruição eterna. Sem contar que isso também sugere que são as obras que sustentam a salvação, nesse ponto nem quero fazer comentários.
Outra coisa, eu não vejo na Bíblia os apóstolos fazendo apelos para as pessoas aceitarem Jesus, por que? Porque eles não faziam isso. Essa é uma prática sem precedentes bíblicos. Jesus não pode ser oferecido como “cafezinho”: Por favor, aceita? Isso é zombar de Deus. Somos nós que precisamos ser aceitos por ele. Paulo fala em CONFESSAR Jesus, quer dizer, reconhecê-lo como Senhor e crer que ele ressuscitou dentre os mortos. Há pastores que chegam ao cúmulo de dizerem: Vamos lá, dê uma chance a Jesus! Para mim é dizer uma grande asneira.
 
Pr. Samuel - Continua na próxima postagem