1 de novembro de 2010

Posted by Samuel Balbino | File under :
Agora temos uma mulher eleita presidente. Podemos dizer que essa eleição entrou para a história brasileira, quem sabe estará em livros escolares daqui a alguns anos. Não gostaria de tratar de assuntos políticos nesse blog, mas toda regra tem a sua excessão. Todos devem concordar comigo que esse pleito atual levantou uma grande polêmica no meio da nação. Nunca uma disputa tinha sido tão acirrada e cheia de controvérsias. O que me chamou mais a atenção, e creio que todos os demais eleitores, foi o fato de se misturar tanto a religião com a política. Foi algo inédito na democracia ver o quanto a religião pode ser usada como artefício para se arrecadar votos como foi nessa campanha, desde o primeiro turno. Essa é uma oportunidade para revermos alguns conceitos nossos. Acredito que deu para perceber o quanto as pessoas podem ser volúveis, oportunistas e manipuladoras.

POLITICA E RELIGIÃO

Eu sou cristão, de convicção calvinista e sei que nem todos os Reformadores concordavam com a união da Igreja e o Estado político. Essa é, particulamente, a minha posição. Não concordo que a Igreja se "intrometa" em assuntos políticos como foi nessa eleição. Vi "pastores" pedindo votos para candidatos, isso quando eles mesmos não estavam concorrendo a cargos eletivos. Discordo absolutamente dessa conduta. A Igreja deve se preocupar com os assuntos pertinentes à vida espiritual dos membros , e não criar polêmicas sobre as opiniões do partido A ou B. Os pastores não deveriam ocupar os púlpitos para promover candidatos e sim pregar a pura e sã doutrina. Nós vivemos em dois contextos: o secular e o espiritual. No âmbito espiritual a Igreja atua ensinando, exortanto, mostrando o caminho da salvação. Na vida secular a influência da Igreja não pode chegar ao ponto de criar confusões sobre em quem votar ou em quem não votar. As ideologias politicas são seculares, portanto, não deveriam adentrar a Igreja. As posições particulares de cada um são suas e só suas, as ideologias políticas são absolutamente pessoias. Eu não aceito que se tome espaço no culto para promover política, nem político devem subir ao púlpito para pedir votos. Como cidadãos que somos, temos liberdade para escolher em quem queremos votar, o pastor ou o líder, pode, expressar sua opinião pessoal informalmente e pessoalmente às suas ovelhas, mas não no culto e na pregação, e nem impondo isso como vi alguns "pastores" fazendo em canais de Televisão. Por exemplo, aqui no meu ministério houve pessoas que decidiram voltar na candidata do PT, e outros votaram no candidato do PSDB, porém em nenhum momento o culto foi dirigido a esse ou aquele candidato no momento da pregação ou qualquer outro. Eu não estou preocupado se na minha denominação existem petistas e tucanos, porque sei que essas divergências se limitam ao campo secular, elas acabam lá fora, na Igreja nem somos petistas, tucanos, liberais, esquerda ou direita, somos o povo eleito e predestinado por Deus. Eu ficaria preocupado se houvesse na Igreja divisões entre calvinistas e arminianos, porque ai sim estamos falando de assuntos relevantes ao âmbito eclesiológico. Quando existe esse envolviemento maciço entre Igreja e política, perdemos totalmente o foco.

ABORTO

Essa foi uma das grandes polêmicas nessa campanha. Infelizmente o povo evangélico fez um péssimo papel e mostrou o quando pode servir de massa de manobra para políticos oportunistas. Vi inúmeras acusações contra a candidata eleita do PT e algumas me deixaram com vergonha. Recebi e-mails dizendo que o vice dela era um sacerdote santanista, que a candidata tinha feito um pacto com o demônio, que ela havia dito que nem Cristo a impediria de vencer. O que é isso? O povo evangélico é um povo criativo, porém deveria canalizar essa criatividade para coisas boas e não caluniar as pessoas. Deveriam saber que isso é pecado. Pesou sobre os ombros da candidata a questão do aborto, é a favor ou contra? Se ela é afavor ou contra isso não deveria imapactar a Igreja, primeiro porque não podemos forçar a sociedade como um todo a aceitar os padrões de Deus; segundo, para se legalizar ou não uma lei como essa é a câmara e o senado que vão decidir, se tivesse que fazer um movimento contra a legalização do aborto, o foco deveria ter sido os candidatos a deputados federais e senadores. A igreja já cumpre seu papel ensinando a palavra, mas não podemos impedir as pessoas de pecarem, nem Deus impede. Ainda que se proiba judicialmente ainda haverá abortos. Se o governo quer prestar uma assistências as mulheres que desejam abortar, que faça, mas a Igreja continuará exortando e mostrando qual é a vontade de Deus e tenho certeza que as mulheres de Deus desse país e que receberam a Cristo em suas vidas, jamais irão aceitar fazer um aborto, porque elas têm consciência da palavra de Deus, porque foram ensinadas na Igreja. Não consigo entender o motivo para tanto alarde por parte do povo evangélico no assunto.

HOMOSSEXUALISMO

A questão do homossexualismo também levantou muita poeira. Eu tenho minhas convições biblicas que essa prática é contrária à palavra de Deus, mas como eu já disse, não podemos forçar as pessoas a obedecerem a Deus. O movimento homossexual reivindica do governo o direito de casar legalmente e com todos os direitos de uma relação hetero. Novamente eu volto, a Igreja não já está pregando a palavra e ensinando o que é certo e errado nos padrões de Deus? Por mais que não concordemos com a união homossexual, já existem milhares de pessoas nessa condição pelo Brasil e pelo mundo, podemos impedi-las? Já existe casos de adoção de crianças por casais gays, vamos retirar as crianças deles? Lógico que não! A Igreja deve fazer o que ela já faz, ensinar a verdade segundo a Bíblia, segue quem for chamado por Deus. Muitos homossexuais estão hoje convertidos e deixaram a sua prática anterior, muitos até casados e pai de familia. Então, se for aprovada a união homossexual isso não vai significar nada para Igreja. Vejam quantas nações já aprovaram o casamento gay, será que o evangelho deixou de ser anunciado por lá? Claro que não. Vejam  que interessante, a fornicação é uma prática condenada nas escrituras, mas para a sociedade é algo normal, o governo até incentiva e distribui camisinhas para evitar DSTs, mas  Igreja continua anunciando que é melhor viver pela palavra, e quem quiser dar ouvidos segue. É mesma coisa na qustão dos homossexuais, é uma prática repudiada pela Bíblia, se o governo aprovar a união gay a Igreja continuará mostrando qual é o posicionamento biblico sobre isso. Quanto a lei que está no senado a PL 122/2006, vejo que se ela impede a crítica, então ela deve ser revista e creio que será, mas também não podemos discriminar os que tem a prática homossexual como se não fossem seres humanos, não concordamos com a sua prática, mas desejamos o bem para eles como a todas as demais pessoas. Se dissermos que quem vive a prática homossexual está no pecado isso não deve ser entendido como uma discriminação pessoal, porque a Bíblia coloca o adultério e a fornicação no mesmo patamar, então quem adultera e fornica também recebe  o mesmo discurso da Igreja. Que discurso? Que essas práticas não agradam a Deus, e que se eles quiserem abandoná-las a Igreja está aqui para  ajudá-los. Mas o homem é livre para decidir se quer ou não seguir essa ou aquela religião ou mesmo religião alguma. Se for aprovada a união homossexual, acreditem, nenhum casal gay vai se dirigir a uma Igreja Evangélica querendo que o pastor realize o casamento, isso é absurdo, mesmo porque a grande maioria dos homossexuais têm até um certo pavor de Igreja evangélica.

Finalmente, o que temos que fazer é orar para que Deus dê uma direção a nossa nova presidenta para que ela proporcione uma vida melhor em nossa nação, promovendo melhor distribuição de renda, melhor sistema público de saúde, mais segurança e mais qualidade de vida para o povo brasileiro. As questões espirituais e religiosas a Igreja ensina e exorta, as questões seculares o governo administra e gerencia, a Igreja ora, observa e emite um parecer, mas nunca impõe a sua vontade.

Ir. Samuel Balbino




4 comentários:

Wilma Rejane disse...

Oi Samuel!

Seja bem vindo a UBE! Gostei dos artigos, do layout e da temática do blog. Desejamos sucesso para você.

Deus o abençoe!

Wilma Rejane/ Coordenadora UBE.

Sandro disse...

Graça e paz, sempre!

Passei por aqui para conhecer seu blog.
Estou procurando bons blogs para compartilhar.

Já estou te seguindo.

Ficaria muito feliz se puder me visitar.
Se quiser me seguir também será um prazer para mim.

Abraço em Cristo,

Sandro
http://oreinoemnos.blogspot.com/
Te espero lá.

Liliane disse...

Olá!!!!
"Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo que ele escolheu para sua herança."
Salmos 33:12
Uma nação que se torna amiga do pecado e tem o pecado como lei, infelismente nao prospera....
Nós como Igreja não podemos ser coniventes com o pecado.

Lya Alves disse...

Sim, Samuel, partilho da mesma opinião, e vou além, é duro ver o povo cristão engolindo ideologias.

A questão dos homossexuais é civil, não religiosa. Eles não tem, por exemplo, direito de receber pensão por morte do companheiro. Então os políticos invertem a situação e colocam a culpa pra cima de nós e dizem que a igreja é contra o casamento gay,mas oque está em questão não é casar na igreja, é o direito de receber pensão, o direito de ter desconto num plano de saúde familia, essas coisas. Mas pela reação, a gente vê a qualidade da mente do povo que engole tudo, a mentalidade de rebanho, que Nietzsche falava.

Escrevi umm post sobre isso, também:
http://www.intercambioculturalarts.com/2010/10/coluna-lya-alves-casamento-gay-o.html

Paz!